<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576</id><updated>2012-01-27T09:08:28.829-08:00</updated><title type='text'>sobrenomeprojeto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>160</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8820611581799649623</id><published>2011-12-16T22:08:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T22:11:28.456-08:00</updated><title type='text'>Sem afeto (eu nunca te prometi nada)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace; font-size: large;"&gt;Se for para ser sem afeto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Por favor:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Procure as cabras,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Procure as putas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Procure as mãos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Procure a solidão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Essa mesma&amp;nbsp;de outros buracos onde você também se enfia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;De um desejo que em si, por si, se acaba. E se consome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Sem vínculos e sem medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Então não se prometa.Sequer se comprometa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Em gestos ou palavras, ainda quentes e sussurradas ao pé do ouvido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Mas, por favor:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Se for para ser sem afeto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Só não procure,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Passe reto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Courier New; font-size: large;"&gt;Do coração de qualquer mulher.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8820611581799649623?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8820611581799649623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8820611581799649623' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8820611581799649623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8820611581799649623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/12/sem-afeto-eu-nunca-te-prometi-nada.html' title='Sem afeto (eu nunca te prometi nada)'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7429885522556662956</id><published>2011-08-21T16:17:00.001-07:00</published><updated>2011-08-21T16:23:45.165-07:00</updated><title type='text'>Hell (o inferno somos nós mesmos)</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt; &lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;A tarde ia pela janela. Meus olhos não se cansavam de ver prédios. Prédios e mais prédios, incessante paisagem. No banco de trás, um passageiro mascava chicletes no mesmo ritmo de um ponteiro de relógio. Eu tentava ler um livro em vão, mas o calor tornava o ar pesado demais e minha concentração desistia a cada vez que meu vizinho abria a boca. O som vicioso da saliva rodando na boca do moço se sobressaia ao som da rua. Fechei o livro e deixei meus pensamentos se perderem naquela paisagem cinza, naturalmente urbana. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Foi no ponto seguinte que ela subiu. Lembro-me de ter parado para prestar a atenção nela quando sorriu em agradecimento ao cobrador que lhe devolvia o troco da passagem. Ela tinha um sorriso muito bonito, claro no rosto, um nariz fino e os olhos bem pequenos. Sua pele era branca a ponto de serem visíveis algumas sardas e, neste detalhe, apesar das roupas sérias, reconhecia nela um ar de menina. Seus cabelos eram castanhos, levemente aloirados e suavemente compridos. Eram tão finos que lamentei não poder tocá-los, pois pareciam extremamente macios. Ela tinha os seios pequenos, os quadris fartos e as pernas absolutamente grossas, o que, naturalmente prendeu meu olhar, antes abandonado na janela. Do final da saia, que ficava bem no início do joelho, até o tornozelo suas pernas eram deliciosamente grossas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Não queria que ela me percebesse, mas ao mesmo tempo meus olhos já não tinham razão. Eles ficavam ali estáticos sobre aquelas pernas cobertas por uma fina meia calça preta. Ela notou que eu lhe grudara as retinas e, como havia um lugar vago ao meu lado, perdi a vergonha e cheguei a me afastar induzindo que ali tinha um espaço para ela. Mas ela desviou o olhar e sentou-se ao lado de uma senhora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Logo puxou conversa e pude ver que ela era bastante espontânea. Parecia muito simpática e sorridente. Eu, como só consegui vê-la de costas, ficava feliz quando ela me presenteava com um perfil. Podia ver seu nariz fino, certeiro, e, por sorte, do banco onde estava, tinha uma vista quase privilegiada de seu grosso tornozelo. Ela falava com tanta certeza sobre a vida e sobre os fatos que me curvei levemente para saber o que tanto dizia. Havia muita sinceridade em suas palavras e às vezes constrangia a própria senhora com tantas perguntas. Ela parecia engraçada o que me fez simpatizar com sua figura, mas ao mesmo tempo, sem muita certeza, me pareceu alguém um pouco instável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Quando ela se levantou, o ônibus já havia cumprido metade de seu percurso. Me dei conta de que meu ponto havia ficado para trás há tempos, quando ela finalmente se despediu da senhora lhe dizendo seu nome: Helga. Eu, ainda hipnotizado em suas pernas suntuosas e roliças pensei: deve vir de "&lt;em&gt;hell".&lt;/em&gt; Aquela mulher tornava o calor o meu inferno. Aquelas pernas, aquele jeito, tão sincero, tão espontâneo. Aquele pecado de meias pretas tão comportadas. Aquela inquietude, meio menina, meio mulher. Aquele olhar pequeno e incontido. Aquele dúbio. Aquele misterioso nariz fino. Aquele silêncio em meio aos meus pensamentos curiosos, que se despediam sem, ao menos, conhecê-la.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7429885522556662956?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7429885522556662956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7429885522556662956' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7429885522556662956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7429885522556662956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/08/hell-o-inferno-somos-nos-mesmos.html' title='Hell (o inferno somos nós mesmos)'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4369863007274015705</id><published>2011-06-29T15:59:00.001-07:00</published><updated>2011-06-29T16:02:16.696-07:00</updated><title type='text'>Trabalho</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt; &lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Computador&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Com puta dor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Dor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Computa a dor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Multiplica o ardor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Computador&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Dor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Puta dor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Computa a dor&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Computador&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4369863007274015705?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4369863007274015705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4369863007274015705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4369863007274015705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4369863007274015705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/06/trabalho.html' title='Trabalho'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3827354535027931298</id><published>2011-06-10T19:22:00.001-07:00</published><updated>2011-06-10T19:23:38.185-07:00</updated><title type='text'>Desobediente</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt; &lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Certo dia, quando eu ainda era bem pequena, minha mãe apareceu com um pacote branco enrolado em um laço de fita cor de rosa. Como não era de dar presentes fora de hora, me espantei com aquela atitude da minha mãe. Mas ela me confortou rápido, pedindo para que eu o abrisse. Desembrulhei o pacote sem pensar muito e quando me deparei com um pequeno caderno cor de rosa, com folhas de coraçãozinho, um ursinho na capa e um pequeno cadeado, eu sorri em deslumbramento. Como toda menina, eu era obcecada por caderninhos e canetinhas e adesivinhos. Vivia com os meus aos montes, incansavelmente. Mas o fato daquele pequeno caderno ter um cadeado logo me intrigou e perguntei para a minha mãe porque a necessidade de mantê-lo trancado. Ela então me explicou que se tratava de um diário, onde eu deveria escrever as coisas mais importantes da minha vida e por se tratarem das coisas mais importantes, elas poderiam ser mantidas em segredo. Como eu não sabia aos nove anos de idade quais eram as coisas mais importantes da minha vida, permaneci dias, no silêncio do meu quarto, angustiada, olhando para aquelas folhas de coraçãozinho, que permaneciam em branco. Era muita coisa escrever sobre as coisas mais importantes da minha vida e de fato eu me dei conta, ali, que eu não sabia quais eram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Meus irmãos logo perceberam que eu andava estranha. Uma certa hora do dia, me fechava no quarto e ficava um bom tempo lá na frente de um caderno cor de rosa curioso. Quando se deram conta de que no pequeno caderno havia um cadeado, perceberam que não se tratava de um caderno comum e me perguntaram o porquê do caderno secreto. Eu, na esperança de que eles me ajudassem a escrever sobre as coisas mais importantes da minha vida, contei que se tratava de um diário. No entanto, ao saber disso eles riram. Para o meu espanto meus irmãos não me ajudaram em nada com a missão de escritora e a partir desse dia montaram um verdadeiro esquema para furtar o meu diário.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Quando percebi as intenções dos meus irmãos, passei a guardar meu diário no lugar mais secreto que conhecia: dentro do vestido da minha boneca favorita. Não demorou uma semana para que eles descobrissem. Quando pegaram meu diário, ainda em branco, pois eu não sabia quais eram as coisas mais importantes da minha vida, eu fiz um escândalo. E minha mãe, com muita justiça os colocou de castigo por dois dias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Passados os dois dias, tratei de achar um novo esconderijo: debaixo do colchão da cama dos meus pais. Mas dessa vez pareceu até que foi mais fácil. Não demoraram muito a descobrir e, novamente, eu abri o berreiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Enquanto eu procurava novos lugares para esconder meu diário, algo muito estranho me aconteceu. Eu me fechei no quarto naquele dia e escrevi, escrevi desesperadamente e por horas ininterruptas, até sentir os dedos das mãos doerem. Eu não me lembro exatamente o que eu escrevia, mas tinha a sensação de que eram palavras sobre as coisas mais importantes da minha vida. E quando coloquei o ponto final na última frase, eu me senti aliviada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Não entendia porque naquele dia eu havia conseguido colocar tantas coisas no papel. Quase como um vômito ou uma epifania. Mas imaginei que algo tinha a ver com meus irmãos e suas incansáveis perseguições ao meu diário. O fato deles se esforçarem tanto atrás daquele caderninho, por pura desobediência, de certa forma tornava mais tranquila a minha missão de escrever sobre as coisas mais importantes da minha vida. Sem compreender muito, pensava que as coisas mais importantes da minha vida residiam, talvez, na simples desobediência, ainda que essa desobediência fosse a dos meus irmãos. E era exatamente por ela, que eu escrevia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Comecei então a pensar sobre os lugares mais escusos para esconder meu diário. Para que o esforço fosse maior e consequentemente meus irmãos buscassem mais. Procurassem mais. Sabia que quanto maior fosse a desobediência, mais coisas eu escreveria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Certo dia então, sem que eu percebesse, eles acharam meu diário. Seguiram escondidos até a sala e iniciaram a leitura. Meu pai abriu então a porta e deu de cara com os dois. Quando percebeu que liam o meu diário, meu pai ficou tão bravo, mas tão bravo que discursou horas sobre a intimidade das pessoas e o direito à privacidade. Dessa vez, meus irmãos choraram mais do que eu. Mas eu assisti com olhos tristes, finalmente, aquela perseguição acabar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Eram sete horas de uma noite fria. Da janela do décimo quinto andar eu via o trânsito da Avenida Paulista fechar como uma tempestade. As buzinas gritando raivosas. Quanto tempo se perdia ali? A xícara com um resto café esfriava sobre a mesa. Na tela do computador 1479 e-mails não lidos e o telefone, ao lado, tocando estridente. Atendo. A secretaria na linha me pede para passar a ligação de mais um cliente. Mas eu permaneço estática. Outro e-mail pula em minha tela, dessa vez avisando sobre o vencimento do cartão de crédito. Desvio o olhar rápido e permaneço estática, olhando quase sem ar. Na Avenida em meio aos carros dois meninos correm. Correm desafiando a lentidão do trânsito, a solidão estática daquela noite fria. Eu desligo o telefone sem dizer uma palavra. Pego minha bolsa, vou até o elevador e quando saio só me lembro de ir ao café mais próximo. Eu me sento. Abro a bolsa, pego a caneta e começo a escrever. Escrevo como se fazendo o errado, fizesse o mais certo. Escrevo porque as palavras me brotam como o ar que me falta. Escrevo procurando respirar sobriedade além desse ar poluído. Escrevo e os meninos correm, agora, dentro de mim. Escrevo porque ali residem as coisas mais importantes da minha vida. Escrevo por desobediência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3827354535027931298?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3827354535027931298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3827354535027931298' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3827354535027931298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3827354535027931298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/06/desobediente.html' title='Desobediente'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1211797195788335544</id><published>2011-06-02T23:08:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T23:21:49.469-07:00</updated><title type='text'>Escrevo ou fragmentos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Continuei escrevendo. Em linhas certas e ao mesmo tempo duvidosas. Escrevia pelo meu inconformismo de morrer todos os dias, um pouco, no trânsito estático. Escrevia para respirar alguma sobriedade além desse ar poluído. Escrevia pelos amores que não podia viver e pelos que precisavam morrer. escrevia para desafiar o sono, o cansaço e a minha incompatibilidade com a lógica do relógio. Escrevia o encantamento sobre o papel branco que carrega em si a única liberdade realmente absoluta. Escrevia para me sentir, para não ser mais uma, sonhando na estação do trem. Escrevia para não ser engolida pelo vencimento das minhas contas, para não ser hinotizada com os juros do cartão. Escrevia porque o meu silêncio não me bastava e ao mesmo tempo o meu grito não me continha. Escrevia para seduzir o escuro. escrevia para negar a cegueira conduzida pelo cotidiano. Escrevia pela imortalidade da suadade. Escrevia pela música dos teclados. escrevia pela solidão que vive no óbvio da vida.Escrevia quando me faltava ar. Escrevia porque os músicos tocavam, porque os pintores pintavam e porque os poetas diziam. Escrevia para me desgrudar do óbvio e da preguiça. Escrevia para aquecer a alma, para escutar dentro. Escrevia por meditação. Escrevia pela vontade de perder a vontade, que é sempre uma insensatez. Escrevia pela loucura sufocada nas minhas meias calças. Escrevia porque era maior do que eu: feito fome, libido, sede e vontade de fazer xixi. Escrevia para me libertar dos padrões dos relatórios. Escrevia por me apaixonar pelas palavras. Escrevia por que meus irmãos corriam dentro de mim, pelas coisas mais importantes da vida. Escrevia por desobediência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1211797195788335544?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1211797195788335544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1211797195788335544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1211797195788335544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1211797195788335544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/06/escrevo-ou-fragmentos.html' title='Escrevo ou fragmentos'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-289610760203019798</id><published>2011-05-08T21:16:00.001-07:00</published><updated>2011-05-08T21:16:58.791-07:00</updated><title type='text'>A qualquer preço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Eu estava ali, logo ali, no meio daquele lugar: um salão infestado de desconhecidos, impregnado de música alta e ruim, inebriado em perfumes enjoativos. Respirei , então, o mais fundo que pude, até reconhecer que não tinha mais fundo, pois me mantinha sempre anestesiada em mim. Não sei quando tudo começou. Quando foi que nunca mais senti. É como se eu tivesse desaprendido o que nunca me ensinaram, mas, de certa forma, eu sempre soube. Eu nunca havia me sentido tão só. E não sei se devia, já que estava ali, rodeada de tantas pessoas supostamente interessantes. Mas foi assim que eu me senti. Até que um grito, vindo sabe-se onde de mim, rompeu: eu preciso de um amor.&lt;br /&gt;Sim, meu deus, eu preciso de um amor. Um amor qualquer. Que não precisa ser sincero, não precisa ser bondoso, não precisa ser honesto. Um amor, que não venha recheado de juras, de promessas de eternidade ou de expectativas. Um amor que não me ache bonita, talvez, sequer inteligente. Um amor que me olhe com burrice. Estupidez o suficiente para me derreter.&lt;br /&gt;Eu preciso de um amor de boteco. Barato. Suado. Fedido.Vendável em qualquer liquidação. Preciso de um amor ansioso, que chegue já partindo, mas que me parta ao meio, por ser, simplesmente um amor. Preciso de um amor maltrapilho, vagabundo, em farrapos. Um amor de mendicância, de demência. Um amor clichê, que me mande rosas no trabalho. Um amor que me pergunte “foi bom para você?” antes do suspiro que antecede um sono vadio. Eu preciso de um amor qualquer, tosco, simples. Preciso de um amor para andar de mãos dadas em ruas estranhas. Para dar beijos barulhentos no escuro do cinema. Para fazer um jantar. Preciso de um amor com cuecas furadas. Um amor desnecessário, vulgar. Preciso de um amor de dentes mal escovados, de unhas compridas e com chulé. Preciso de um amor que mesmo pequeno, seja maior que eu, maior que o meu dia, maior que a minha distração, selada nesse amortecimento de não ser. Preciso de um amor substituto. Com hora marcada. Amor com cartão de ponto.&lt;br /&gt;Preciso de um amor. A qualquer preço. A qualquer custo. De toda maneira.&lt;br /&gt;Preciso de um amor que preencha esse vazio, que agora parece secular. Esse vazio que ficou.&lt;br /&gt;Preciso de um amor para te matar. Todos os dias eu venho tentando fazer isso dentro de mim. Mas tudo o que consigo é morrer de saudades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-289610760203019798?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/289610760203019798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=289610760203019798' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/289610760203019798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/289610760203019798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/05/qualquer-preco.html' title='A qualquer preço'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2166272882081073864</id><published>2011-02-06T18:46:00.000-08:00</published><updated>2011-02-06T18:53:42.461-08:00</updated><title type='text'>Poema Líquido</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Essa ansiedade de não ser, para se contar quem se é.&lt;br /&gt;Essa maldade de não aprender a esperar para tudo ter.&lt;br /&gt;Essa conexão 24 horas.&lt;br /&gt;Esse monólogo coletivo que aprendemos a chamar de conversa.&lt;br /&gt;Essa desunião que se agarra.&lt;br /&gt;Essa maldade com a imperfeição.&lt;br /&gt;Esses corpos magros e vendáveis nessas ruas opulentas.&lt;br /&gt;[tanto lixo entope nossas canaletas e artérias]&lt;br /&gt;Essa ejaculação precoce.&lt;br /&gt;Esses cabelos alisados.&lt;br /&gt;Esses peitos plastificados.&lt;br /&gt;Esse calor.&lt;br /&gt;Esse frio.&lt;br /&gt;Esse tempo que corre antes mesmo de acontecer.&lt;br /&gt;Esses acontecimentos que se perdem na falta de tempo.&lt;br /&gt;Essas histórias que se misturam sem começo, nem meio nem fim.&lt;br /&gt;Essas pessoas em série.&lt;br /&gt;Esses romances abortados.&lt;br /&gt;Essa felicidade de tarjas pretas.&lt;br /&gt;Esse grito abafado.&lt;br /&gt;Essas palavras não construídas.&lt;br /&gt;Essas mãos nunca dadas.&lt;br /&gt;Esse desejo com cobertura extra.&lt;br /&gt;Esse consumo.&lt;br /&gt;Esse lixo.&lt;br /&gt;E tudo o que não se renova.&lt;br /&gt;Essas mensagens para não dizer nada.&lt;br /&gt;Essa manutenção de cordialidades.&lt;br /&gt;Essa engrenagem podre.&lt;br /&gt;Essas coisas.&lt;br /&gt;Essa indiferença.&lt;br /&gt;Essa liquidez que tem transformado o amor em uma brincadeira de mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2166272882081073864?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2166272882081073864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2166272882081073864' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2166272882081073864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2166272882081073864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/02/poema-liquido.html' title='Poema Líquido'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1373340432762439114</id><published>2011-01-27T20:37:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T20:59:52.523-08:00</updated><title type='text'>Lembranças coloridas para um silêncio em preto e branco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Ela rasga o saquinho de chá com destreza, despejando todo o seu conteúdo na xícara ainda fumegante. O perfume das ervas me invade com a mesma violência do silêncio que se instala sobre o absurdo. Permaneço por alguns longos segundos atônita, enquanto ela gira a colher com naturalidade. Eu giro ao mesmo tempo em mim, nessa certeza de vê-la indo. A todo tempo ela está indo. Se esgotando.&lt;br /&gt;“Vó, esse não é o adoçante”.&lt;br /&gt;Ela olha a xícara e demora algum tempo até finalmente perceber. “É mesmo!” – ela me lança um sorriso sem graça. “Essa minha cabeça. Não está ajudando muito.” Eu digo a ela que tudo bem. Eu digo a ela com a mesma tranqüilidade com que ela me dizia quando eu tinha medo de escuro “Tudo bem”.&lt;br /&gt;“Vem, deixa que eu recolho. Vamos dar um jeito nisso, ok? Você ainda quer o chá de laranja?”. Agora o silêncio parece que também toma conta dela. Até que pouco encorajada, como quem acorda de um sono distante, ela me responde que sim.&lt;br /&gt;Eu mergulho o saquinho de chá em uma nova xícara e despejo a água. Antes que minha tristeza tome conta dela, eu reitero, “Tudo bem Vó. Não tem problema.”&lt;br /&gt;Levanto e vou até a cozinha, dessa vez para buscar a faca do pão que faltou. Quando me sento novamente ela faz sua velha e sábia pergunta “E o namorado?”. Dessa vez eu sorrio sem jeito. “Ahhh Vó... Está muito difícil arrumar um homem nos dias de hoje” e dou uma gargalhada, dessas feitas para desconversar.&lt;br /&gt;“Eu tenho rezado para você. Rezo para todos vocês. Todos os dias, eu começo na sua mãe e depois vem vocês, e, depois vem sua tia e seus primos e depois seu tio e a família dele”. Os nomes dessa lista são necessariamente trocados. E eu a corrijo sutilmente, enquanto ela me diz “É? Não, esse é aquele”.&lt;br /&gt;Eu digo a ela que tudo bem. No fundo, quem nunca teve medo de escuro?&lt;br /&gt;“Que bom que você reza por mim. Vó pede pro santo um bonitão, moreno, forte, barriga tanquinho, rico e, por favor, que não seja gay”. Caímos as duas na risada.&lt;br /&gt;“É difícil arrumar um homem” ela me diz.&lt;br /&gt;“Vó me conta aquela história de como você conheceu o Vô?”. Eu simplesmente adoro essa história e acho que já a ouvi milhões de vezes. Fico extremamente feliz por ela esquecer que me conta, pois sua alegria é como se nunca tivesse me contado. A hora que mais gosto, é quando ela olha de canto e cora, e depois, logo em seguida, abre um sorriso largo, como se fosse hoje. Como se fosse ontem esse tempo curto das lembranças.&lt;br /&gt;“Você sabe, naquele tempo não tinha shopping e internet. As pessoas se conheciam na praça. No domingo, depois da missa. Acabava a missa e todo mundo ia para a praça. Era engraçado, as mulheres rodavam para um lado e os homens para o outro. E assim que a gente flertava. Um dia eu percebi que ele me olhava. Mas ele era tão garboso (vou ao delírio quando ela usa essa palavra) que eu demorei a entender que era comigo. Ele tinha uns olhos azuis. Parecia um artista de cinema...”&lt;br /&gt;O passado é um lugar nada confuso agora. Até mesmo as palavras se encaixam nas frases, sem lhe dar nenhum trabalho. Eu fico com os ouvidos bem abertos, deixando aquela história tomar conta da sala inteira.&lt;br /&gt;Lembro-me de quando era pequena e enquanto ela fritava o bife, eu permanecia debruçada sobre a mesa com a minha caixa de lápis de cor, entretida com algum desenho. A gordura estalava e ela me perguntava o que tanto eu desenhava. Sem perceber, eu lhe contava histórias fabulosas.&lt;br /&gt;Enquanto minha Vó descreve todos os seus suspiros e os olhos do meu avô, seguro minha caixa de lápis de cor com toda força. Eu sigo pintando, com todas as cores que posso, nossas lembranças coloridas. Até que o silêncio nos cubra de preto e branco.&lt;br /&gt;Enquanto ela se vai, eu fico, eu insisto, em todos os momentos.&lt;br /&gt;Não tem problema ter medo de escuro. Tudo bem.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1373340432762439114?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1373340432762439114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1373340432762439114' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1373340432762439114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1373340432762439114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/01/lembrancas-coloridas-para-um-silencio.html' title='Lembranças coloridas para um silêncio em preto e branco'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-5938037197727765190</id><published>2011-01-15T15:28:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T20:54:50.995-08:00</updated><title type='text'>Cinderhelga</title><content type='html'>(&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=SUP2nEM6yYQ"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=SUP2nEM6yYQ&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Era uma vez, uma mulher que via um futuro grandioso para cada homem que a tocava. Um dia, ela se tocou."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Alice Ruiz)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-5938037197727765190?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.youtube.com/watch?v=SUP2nEM6yYQ' title='Cinderhelga'/><link rel='enclosure' type='' href='http://www.youtube.com/watch?v=SUP2nEM6yYQ' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/5938037197727765190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=5938037197727765190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5938037197727765190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5938037197727765190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2011/01/cinderhelga.html' title='Cinderhelga'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3717080193563969273</id><published>2010-12-26T17:23:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T03:57:07.542-08:00</updated><title type='text'>A busca</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(“Quem sou eu, sonhando assim e pensando assim. Que solidão dentro de mim. Eu sigo assim sonhando pra viver. Eu continuo a sonhar. Com os pés no chão, não tenho onde pisar” – Nem todas as cores. Miro Dottori )&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Ontem, quando dei a última volta na chave para trancar a porta de casa, senti um arrepio estranho percorrer a espinha. Resisti por alguns minutos, achando que se tratava de alguma neurose instantânea. Tenho dessas de vez em quando, portanto simplesmente me ignorei e chamei o elevador. Mas o incômodo persistiu: era como se algo beliscasse a minha memória. Eu não sabia exatamente o que era. Então vasculhei os bolsos da bolsa e depois revistei os da calça. Mas aparentemente estava tudo no lugar: documentos, chaves, carteira, celular, agenda, filtro solar, remédios para dor de cabeça. Meu arsenal anti-tudo que carrego comigo diariamente.&lt;br /&gt;A luz do elevador iluminou o hall e o rangido habitual da porta me convidou a entrar. Não tive coragem. Sabia que estava esquecendo algo. Algo que me parecia muito necessário.&lt;br /&gt;Dei alguns passos para trás. Retrocedi. Eu estava atrasada. Mas e daí? Eu sempre estou não é mesmo? Voltei à porta e rapidamente entrei em casa. Voei direto à gaveta de calcinhas. Escondo de tudo ali. Me escondo até de mim mesma. Revirei. Procurei. E nada ...&lt;br /&gt;Fui então ao canto do armário, onde fica amontoado o ferro e as roupas limpas. Olhei, pesquisei. Mas estava tudo no mesmo lugar. Minha bagunça organizada. Tateei a cama. Desarrumei ainda mais os lençóis. Joguei os travesseiros ao chão. Tudo ali. No mesmo lugar. Corri para a última gaveta da cozinha. A espátula. A toalha tão pouco usada. Uma caixa de fósforos. Tudo igual. A única novidade era essa sensação: de estar esquecendo alguma coisa. De ter perdido algo.&lt;br /&gt;Fui à estante de livros. Com os dedos percorri os títulos, até que involuntariamente, parei. “Felicidade” era o título onde meu dedo restava imóvel. E sobre ele, eu já não tinha nenhuma vontade. Onde é que eu havia esquecido mesmo?&lt;br /&gt;Procurei a felicidade então nas gavetas. As tantas outras por onde não havia estado. E depois nos armários. E até no pó, que eu não imaginava que era tanto, embaixo da cama. Procurei felicidade na euforia, esta que vem de qualquer coisa, de qualquer momento. E por um segundo, achei que ela estava ali, palpável, em algum riso. Procurei felicidade em lugares. Em empregos perfeitos. Em chefes perfeitos. Em homens perfeitos. Na família perfeita. Que eu nunca encontrei. E procurei felicidade em amores. Inclusive, aqueles que eu imaginei. Procurei felicidade na serotonina do meu chocolate. Nas minhas incontáveis doses de cafeína. Na endorfina conquistada depois de corridos os meus cinco quilômetros muito bem suados. Procurei felicidade nas rodas da minha bicicleta. No divã dos meus terapeutas. Nos gostos que o mundo pode ter. Nos cheiros. Procurei felicidade na saudade. No fundo da bolsa. No fundo do bolso. No fundo do túnel. No escuro.&lt;br /&gt;Procurei felicidade em um corpo perfeito. Em cílios curvados e uma pele impecavelmente sem espinhas e sardas. Procurei felicidade além dos meus poucos seios. Além dos meus fartos quadris. Além do que eu tenho de feio e não resiste a nenhum parâmetro de beleza. Procurei felicidade no que evito. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Procurei felicidade em receitas, em dietas, em mandingas.&lt;br /&gt;Procurei felicidade entre moedas. Na multiplicação das invariáveis da economia. Na poupança. No décimo terceiro. E em liquidações.&lt;br /&gt;E procurei felicidade pelos cantos. Até mesmo aquele que você me deu, para eu ficar te esperando. Procurei felicidade nas fotografias. Nos amigos que se foram. No pôr do sol. Incansavelmente eu procurei felicidade nos teus olhos. Na tua música.&lt;br /&gt;E procurei felicidade nas asas do avião que me levava distante para qualquer lugar. Procurei. Farejei. Mapeei. Desvendei. Eu procurei felicidade no prazer. No silêncio. No barulho. No tango. No samba. No jazz. Na rumba. No pop.&lt;br /&gt;Eu procurei felicidade num orgasmo. Numa catarse. E numa epifania.&lt;br /&gt;Eu procurei. E revirei. E procurei mais.&lt;br /&gt;Eu procurei felicidade nas garantias. Na imobilidade. Nas certezas. Até as que eu construí, com fragilidade de verdades imperfeitas. E procurei felicidade sobre o que era imóvel, pouco dinâmico e instável.&lt;br /&gt;Eu procurei felicidade no mapa. No Google. Na lista telefônica. E na coleção de Barsa.&lt;br /&gt;Eu procurei felicidade na dor. E depois na farmácia. Eu procurei felicidade nas ruas, nas esquinas, nas bibliotecas. E procurei até em&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt; alguns livros de direito.&lt;br /&gt;Eu procurei felicidade na bagunça e também na organização. Mas eu não sou nada disso.&lt;br /&gt;Eu procurei felicidade. Com todas as minhas forças.&lt;br /&gt;E me cansei.&lt;br /&gt;Deixei a casa bagunçada. Travei novamente a porta. A luz do elevador iluminou o hall. Como sempre o seu rangido habitual me convidou a entrar. Abri a porta. Entrei. Desci. Tirei o tênis. Depois a meia. E saí, caminhando descalça pelo mundo.&lt;br /&gt;Quero a felicidade que se pisa com os pés.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3717080193563969273?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3717080193563969273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3717080193563969273' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3717080193563969273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3717080193563969273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/12/busca.html' title='A busca'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2066082015984004981</id><published>2010-12-12T17:28:00.000-08:00</published><updated>2010-12-12T17:47:04.836-08:00</updated><title type='text'>Meu heterônimo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Há muito tempo que não escrevo. Tem passado meses sem que viva, e vou durando, entre o escritório e a fisiologia, numa estagnação íntima de pensar e de sentir. Isto, infelizmente, não repousa: no apodrecimento há fermentação. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Há muito tempo que não só escrevo, mas nem sequer existo. Creio que mal sonho. As ruas são ruas para mim. Faço o trabalho do escritório com consciência só para ele, mas não direi bem sem me distrair: por detrás estou, em vez de meditando, dormindo, porém estou sempre outro por detrás do trabalho.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Há muito tempo que não existo. Estou sossegadíssimo. Ninguém me destingue de quem sou. Senti-me agora respirar como se houvesse praticado uma coisa nova, ou atrasada. Começo a ter consciência de ter consciência. Talvez amanhã desperte para mim mesmo, reate o curso da minha existência própria. Não sei se, com isso, serei mais feliz ou menos. Não sei nada. Ergo a cabeça de passeante e vejo que, sobre a encosta do Castelo, o poente oposto arde em dezenas de janelas, num reverbéro alto de fogo frio. À roda desses olhos de chama dura toda a encosta é suave ao fim do dia. Posso ao menos sentir-me triste e ter a consicência de que, com a minha tristeza, se cruzou agora - visto com o ouvido - o som súbito de eléctrico que passa, a voz casual dos conversadores jovens, o sussurro esquecido da cidade viva.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Há muito tempo que não sou eu."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Fernando Pessoa, O livro do desassossego, 139)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2066082015984004981?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2066082015984004981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2066082015984004981' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2066082015984004981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2066082015984004981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/12/meu-heteronimo.html' title='Meu heterônimo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8881001984100545083</id><published>2010-10-24T19:13:00.000-07:00</published><updated>2010-10-24T19:17:58.239-07:00</updated><title type='text'>Amores Portenõs</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;(“Si desapareció/ Em mi aparecerá/ Creyeron que murió y aqui se nace/ Aquí La vida renace” – Epoca – Gotan Project” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zeJMsW2E6_E&amp;amp;feature=fvsr"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=zeJMsW2E6_E&amp;amp;feature=fvsr&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Atrás de uma prateleira cheia de balas, chicletes e alfajores, ele me olha com uma cara nada doce. Vestido inteiro de preto, o estranho rapaz de quase trinta anos parece naturalmente seboso. Uma barba lhe desce em triangulo pelo queixo e entre o lábio inferior e o começo da barba fica um piercing que me dá uma certa aflição e me faz ter a certeza de que se trata de um sujeito de pouca conversa. Mesmo assim eu lanço um sorriso simpático, o qual ele não retribui, e lhe digo “Hola que tal?”. Meu portunhol terrível e arrastado não produz qualquer efeito sobre aquela figura, que me responde ríspido “Que quieres chica?”.&lt;br /&gt;“Puedes trocar mi pesos por monedas?”. Ele chacoalha a cabeça em negativo.&lt;br /&gt;Arredondo os olhos e digo-lhe em tom de dulce de leche: “Pero se no trocares mi pesos por monedas no puedo cambiar lo bus.”&lt;br /&gt;Estou tão orgulhosa do meu portunhol valente, que não me abalo com o seu mau humor. Ele suspira, pega minha nota de cinco pesos e me devolve 3 moedas e um nota de dois pesos. Explico-lhe que eu precisava de pelo menos quatro pesos em moedas para “cambiar el bus”.&lt;br /&gt;Ele suspira novamente deixando claro que eu estava lhe enchendo a paciência, retira as notas de dois pesos da minha mão com força e troca por mais duas moedas de um peso. Eu sorrio agradecida e pergunto “Como tu te llamas?”. Ele me responde em um tom seco “Cesar”. Eu lhe peço um chiclete depois disso e pago em notas para ele possa me devolver mais moedas. Ele percebe e me olha de um jeito sarcástico como quem diz “porque não comprou o chiclete antes?” eu lhe ofereço um e vou embora sorrindo “Gracias”.&lt;br /&gt;Depois daquela calorosa recepção, jurei me vingar do imperador dos doces argentinos. Todos os dias ao passar por aquele estabelecimento colorido e delicioso eu não resistia e gritava “Buenos dias Cesar boludo!”. E ele me saudava “Buenos dias, brasilenã putana!”. “Buenas noches, maricon” e ele rebatia “Buenas noches brasilenã putana”. Eu gargalhava e seguia. Cesar continuava a me olhar a descer pela Rua Florida com o mesmo ar de poucos amigos.&lt;br /&gt;Certo dia, passei por sua loja com a cabeça cheia de pensamentos, arrastando as rodinhas da minha mala. Quando percebeu que era eu, Cesar me olhou com um olhar curioso, esperando pelo primeiro xingamento do dia. Eu então grito sem cerimônias “Adios maricon!”. Mas César não retribui, apenas me pergunta “A donde vas brasilenã?” . Sem quase suspender meu passo, eu lhe digo “para mi casa, Brasil”.&lt;br /&gt;Quando viro o rosto e vejo o sinal fechar, escuto sua voz azeda ao fundo “Casa-te comigo brasilenã? ” e eu lhe respondo sorrindo “Cesar, te amo”.&lt;br /&gt;Entro no taxi e enquanto o taxista acomoda as malas ao fundo, eu acomodo em mim todos aqueles dias de bons ares. Acho que consigo ver Cesar sorrir. E eu igualmente sorrio, sem me perguntar por que a Rua se chama Florida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8881001984100545083?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.youtube.com/watch?v=zeJMsW2E6_E&amp;feature=fvsr' title='Amores Portenõs'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8881001984100545083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8881001984100545083' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8881001984100545083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8881001984100545083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/10/amores-portenos.html' title='Amores Portenõs'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2544417600306249234</id><published>2010-09-22T20:22:00.000-07:00</published><updated>2010-09-22T20:25:47.690-07:00</updated><title type='text'>Desperto</title><content type='html'>(&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;“Várias vezes, no decurso da minha vida opressa por circunstâncias, me tem sucedido, quando quero libertar-me de qualquer grupo delas, ver-me subitamente cercado por outras da mesma ordem, como se houvesse definidamente uma inimizade contra mim na teia incerta das coisas.&lt;br /&gt;Arranco do pescoço uma mão que me sufoca. Vejo que na mão, com que a essa arranquei, me veio preso um laço que me caiu no pescoço com o gesto de libertação. Afasto, com cuidado, o laço, e é com as próprias mãos que me quase estrangulo.” – O livro do desassossego/ Fernando Pessoa)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;E se despertasse, louco, inquieto,&lt;br /&gt;Como quem lhe tira o sono,&lt;br /&gt;Como quem salga a boca com sede,&lt;br /&gt;E, de repente, lhe tira a luz.&lt;br /&gt;E se despertasse, errado, incerto,&lt;br /&gt;Com a mesma violência do veneno que percorre as veias,&lt;br /&gt;Como quem lhe rouba o pensamento,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;E te entrega a eternidade dos minutos.&lt;br /&gt;E se despertasse, feito dor, incômodo,&lt;br /&gt;Uma formiga passeando sobre sua orelha e as mãos agora atadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Necessidade de gritar, com a boca fechada.&lt;br /&gt;E se despertasse assim, intenso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Como febre, soluço ou arrepio.&lt;br /&gt;Haveria de me esquecer, feito guarda-chuva quebrado no canto do armário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2544417600306249234?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2544417600306249234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2544417600306249234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2544417600306249234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2544417600306249234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/09/desperto.html' title='Desperto'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7300873752876842376</id><published>2010-08-31T21:00:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T21:02:07.394-07:00</updated><title type='text'>O conto do abismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(“Imagination is crazy, your whole perspective gets hazy/ Starts you asking a daisy "What to do, what to do?"/ Have you ever felt a gentle touch and then a kiss/And then and then, find it's only your imagination again?/ Oh, well/ Imagination is silly, you go around willy-nilly/ For example I go around wanting you/ And yet I can't imagine that you want me, too” – Ella Fitzgerald – Imagination&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Em uma tarde fria e cinza, dessas que as nuvens envolvem todo o céu, fazendo com que pareça mais próximo, ele também me envolve, colocando sobre os meus olhos uma venda. Há um certo cuidado no modo como me amarra. Há um certo carinho.&lt;br /&gt;Quando tem a certeza de que não vejo mais nada, ele pede uma das minhas mãos, para que então, me conduza em passos confusos, por um caminho longo e estreito. Um pouco nervosa eu chego a rir. A forma como entrelaça seus dedos entre os meus, me provocam cócegas. Enquanto me leva, consigo respirar todas as suas palavras. É como se fosse oxigênio para o peixe fora d’água que agoniza dentro de mim, mas que já me acostumei a ser. Em pouco tempo ele se torna adorável e incrivelmente familiar. É tão fácil enxergar sobre o escuro. Suas palavras acariciam os cantos mais escusos de minha orelha e escorregam doces por dentro. É leve sua presença. Seus passos disformes compõem quase uma dança. Gosto do caminho. Gosto do carinho.&lt;br /&gt;De repente ele pára. O som de todos os passos é substituído pelo vento, que sopra frio sobre o meu rosto. Vagarosamente ele me tira a venda dos olhos, pedindo para que eu os mantenha fechados. Leve, ele se encosta sobre os meus ombros e sussurra vagarosamente: sou casado.&lt;br /&gt;Abro os olhos. Estou na frente de um abismo. Vejo ele sumir diante de uma imensidão escura onde devem estar todos os desejos. Sinto a febre suicida de quem não teme mais se jogar. Mas covardia maior seria a minha?&lt;br /&gt;Às vezes tenho vontade de pedir às pessoas que me deixem imaginá-las por mais tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7300873752876842376?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7300873752876842376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7300873752876842376' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7300873752876842376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7300873752876842376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/08/o-conto-do-abismo.html' title='O conto do abismo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3807818606931165941</id><published>2010-08-18T19:59:00.000-07:00</published><updated>2010-08-18T20:49:09.915-07:00</updated><title type='text'>João-Bobo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;(Tenho o passo marcado/ O rumo traçado sem discussão/ Tenho um encontro marcado com a solidão/ Tenho um pressa danada/ Não moro do lado/Não chamo João/ Não gosto nem digo que não/ É inútil (...)&lt;br /&gt;Vou correndo, vou-me embora/ Faço um bota-fora/ Pega um lenço agita e chora/ Cumpre o seu dever/ Bota força nessa coisas/ Que se a coisa pára/ A gente fica cara a cara/ cara acara cara a cara/ Com o que não quer ver – Chico Buarque “Cara a Cara”)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ainda muito pequena, ela não entendia porque razão aquilo poderia ser chamado de brinquedo. Com um sorriso plástico, inflado, o João-Bobo se debatia de um lado para o outro, sem protestar. Por isso a menina nunca soube se no final das contas ele era feito para bater ou para apanhar. Fato é, que mesmo quando caía, o João-Bobo logo se levantava. Inútil. Indo e vindo de um lado para o outro, levantando e caindo sobre o mesmo eixo. Como se levitasse entre a persistência e a idiotice. Como se persistisse entre a teimosia e o cansaço.&lt;br /&gt;Que graça tinha em ver o João-Bobo cair? Ela se perguntava. Que brincadeira mais estúpida podia ser aquela? Mas quando tinha cinco anos o João-Bobo furou, e a menina não chorou para sua mãe comprar outro, pois já era grande.&lt;br /&gt;Sabia que é possível chorar ser deixar cair lágrimas? Não é fácil, mas é treino. Você desvia o olhar para um ponto fixo qualquer e se distraí. Se os olhos insistem em marejar, você apenas fecha as pálpebras lentamente, até anestesiar. Se a garganta fechar, você junta um pouco de saliva e engole rápido. Não é fácil, mas é treino.&lt;br /&gt;Ela aprendeu a fazer isso, depois de um dia quando já mulher, ficou envergonhada pelas pessoas que a viam chorar no trem. Às vezes ela chorava, quando tudo por dentro indignava. Às vezes ela chorava, quando as perguntas não bastavam. Às vezes ela chorava a certeza de ser sempre torta, de ser sempre incorreta, de ser sempre inadequada. Inadequada era uma palavra que se adequava bem a ela. Mas era preciso cair e levantar, todos os dias no mesmo círculo. Com o mesmo sorriso plástico, inútil. Se debatendo de um lado para o outro.&lt;br /&gt;Se ao menos pudesse, a menina engoliria toda a arrogância que lhe embrulhava. Se pudesse, a menina levantaria e faria tudo sem levantar. Se pudesse, se soubesse, ao menos o caminho. Os trilhos do trem reluziam, um ponto fixo, sem chorar.&lt;br /&gt;Aos cinco anos. Aos cinco anos o João-Bobo furou e ela aprendeu a chorar sem lágrimas.&lt;br /&gt;Quem disse que a gente não levanta? Quem disse que a gente sabe qual a diferença entre a idiotice e a persistência? Quem disse que os caminhos não estão sobre o mesmo eixo?&lt;br /&gt;Que brincadeira mais estúpida pode ser esta que a gente insiste em viver?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3807818606931165941?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3807818606931165941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3807818606931165941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3807818606931165941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3807818606931165941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/08/joao-bobo.html' title='João-Bobo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6248216225821589166</id><published>2010-08-09T21:18:00.000-07:00</published><updated>2010-08-09T21:21:04.261-07:00</updated><title type='text'>Amargo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;(“Did you forget about me, Mr. Duplicity?/ I hate to bug you in the middle of dinner/ But it was a slap in the face/ How quickly I was replaced/And are you thinking of me when you fuck her?/'Cause the love that you gave, that we made/ Wasn't able to make it enough/For you to be open wide, no/ And every time you speak her name/Does she know how you told me you'd hold me/ Until you died? 'Til you died?/But you're still alive/And I'm here to remind you/Of the mess you left when you went away/It's not fair to deny me/Of the cross I bear that you gave to me/You, you, you oughta know” – Alanis Morrisette, You oughta know&lt;/em&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Naquela noite, quando me sentei em sua mesa, eu estava linda. Não porque havia passado lápis preto na parte debaixo dos olhos. Não porque havia moldado os cílios sobre um curvex. Não porque vestia um vestido curto e bem marcado na cintura. Não porque havia me perfumado, com gotas de lavanda, entre os pulsos e os seios.&lt;br /&gt;Naquela noite eu estava linda, porque estava furiosa.&lt;br /&gt;E como toda mulher, eu tenho uma beleza que rasga, quando fico assim, furiosa. A raiva tampa os buracos da insegurança. Naquele momento eu exalava a mim, por todos os poros. E estava linda. Eu me sentia assim.&lt;br /&gt;Do outro lado da mesa, suas mãos acariciavam as mãos de outra mulher. Mas o gesto foi logo interrompido, assim que puxei a cadeira, irreverente, e me sentei. Pude sentir sua respiração parar naquele momento. O silêncio ansioso de suas narinas, quase uma melodia para a nossa guerra fria. Eu senti sua espinha gelar.&lt;br /&gt;Ela sabia? Será que ela sabia? Ou era eu, a única, que sorria sobre as suas mentiras? Meu sorriso agora alcança as orelhas. Adoro a ironia. Será que eu contaria? Contaria com a riqueza de detalhes as palavras sussurradas no meu ouvido? Contaria sobre o peso do seu corpo junto ao meu? Contaria sobre o suspiro que encerrava o gozo? Contaria? E porque você não me contou?&lt;br /&gt;Ela me oferece um cigarro. Eu aceito. Vamos para outro lado da festa fumar, enquanto seus olhos atônitos denunciam um enorme nervosismo. Você percorre o salão, de um lado ao outro. Eu dou meu primeiro trago. Ela me confessa com os olhos brilhando, que namoram há quatro meses. Eu me lembro que fazia dez dias. Nesse momento, enquanto ela me descreve seu mais novo romance, eu me lembro de você, dormindo na minha cama, há dez dias. Eu me lembro do seu cheiro na minha cama. E me pergunto se você pensava nela? E me pergunto porque você não havia me contado? E sinto nojo.&lt;br /&gt;Acabo o cigarro em silêncio. Só consigo agora ver tudo em vermelho. Ela me oferece um chiclete, eu aceito. Voltamos para mesa em silêncio. A mesa onde você se sentava.&lt;br /&gt;Sua cara assustada é repugnante. Sinto meus melhores sentimentos voarem, minha coragem se desfaz quase como um castelo de areia. Eu sabia que não seria mais, a partir de agora, a mesma.&lt;br /&gt;Eu me levanto, não quero mais ficar. Você me revira o estômago. Eu me levanto, dou um abraço solidário em minha nova amiga. Abro a boca, pego o chiclete e grudo no seu cabelo. E sigo até as escadarias da festa. E vou.&lt;br /&gt;Partindo, eu me sentia linda. Eu estava realmente linda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6248216225821589166?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6248216225821589166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6248216225821589166' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6248216225821589166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6248216225821589166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/08/amargo.html' title='Amargo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8483304620990193838</id><published>2010-06-18T21:48:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T10:02:57.461-07:00</updated><title type='text'>"Saramargo"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Desde a primeira vez que abri um livro seu, li tudo com uma certa birra. Na minha cabeça eu permanecia segurando a caneta vermelha da tia Emília, minha professora da segunda série, que fez dos meus textos um borrão, por conta da falta de vírgulas.&lt;br /&gt;E ler aquele homem, que escrevia sem pontos, travessões ou vírgulas, era um desafio à minha infância de dicionário Aurélio. Era uma ofensa ao meu português entalhado em vermelho. Lembrava-me das primeiras lições, logo que aprendi a ler, “a vírgula é o momento em que o texto respira”. Saramago sempre me tirou o fôlego.&lt;br /&gt;E por me deixar assim sem respirar durante frases e frases, apelidei-o de “Saramargo”, especialmente após sua literatura tornar-se obrigatória para o vestibular.&lt;br /&gt;Era estranho. Havia um exercício imenso em entrar naquele texto. Havia uma concentração enorme para atravessar aquelas palavras, entender suas frases, enfim, permanecer sobre as suas páginas.&lt;br /&gt;Quando ganhou o prêmio Nobel, olhei o com mais desdém: como pode ser tão grande, se não sabe usar nem pontos, nem vírgulas?&lt;br /&gt;Mas Saramago escreveu livros para se ler maduro. Quando você estiver pronto para entender que as melhores coisas a serem ditas não precisam de travessão.&lt;br /&gt;Saramago escreveu livros para desconstruir a gramática. As histórias não precisam de pontos para terem voz. Ou para ficarem impressas na sua imaginação. Como se você pudesse, de uma página para outra, simplesmente parar de enxergar.&lt;br /&gt;Aprendi a gostar de Saramago na persistência. Depois de algumas cem páginas, ele acaba te enfeitiçando. Você se prende ao seu ritmo. É simples perceber que os pontos são inúteis. A língua pode dizer, por muitas vezes, por si só.&lt;br /&gt;E o que mais precisa ser dito? Quando abri os jornais pela manhã, havia uma frase, com ponto e com vírgulas. Saramago morreu.&lt;br /&gt;Os livros sobrevivem.&lt;br /&gt;Na estante, acho que guardarei todos. Quero dá-los aos meus filhos e netos. Para que eles saibam, o que ele me ensinou. Todo amor nasce de uma persistência. Árdua. Mas sem pontos. Ou vírgulas.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8483304620990193838?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8483304620990193838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8483304620990193838' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8483304620990193838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8483304620990193838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/06/saramargo.html' title='&quot;Saramargo&quot;'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6226860119737644259</id><published>2010-05-28T20:17:00.000-07:00</published><updated>2010-06-13T12:33:12.325-07:00</updated><title type='text'>Quadrilha Moderna</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;João amava Teresa que amava Raimundo&lt;br /&gt;Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.&lt;br /&gt;João olhou o orkut de Teresa, que viu no facebook de Raimundo que tinha um relacionamento sério com Lili, enquanto Maria esperava um sms de Joaquim, que deletou todo mundo.&lt;br /&gt;Raimundo recebeu um scrap de Teresa, que deixou Maria enciumada e por vingança marcou um encontro com J.Pinto Fernandes, aquele que acabava então de conhecer em chat.&lt;br /&gt;J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história, desligou o computador e pensou “puta que pariu, quando é que a história começa de verdade?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;(PS: Acho que Drummond teve a sorte de viver em tempos em que as histórias eram de verdade)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6226860119737644259?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6226860119737644259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6226860119737644259' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6226860119737644259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6226860119737644259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/05/quadrilha-moderna.html' title='Quadrilha Moderna'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7375177791729201874</id><published>2010-04-06T19:37:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T17:20:20.017-07:00</updated><title type='text'>Guia Prático Para Dar um Pé na Bunda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(“Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu. Eu bato o portão sem fazer alarde. Eu levo a carteira de identidade. Na saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde.” - Chico Buarque – Trocando em miúdos.)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Não. Acima de tudo eu não acredito que existe manual para as coisas que sentimos. Graças a tudo o que há de bom nessa vida, há colorido além da racionalidade. E entre todos os mistérios que a racionalidade não equaciona, está a difícil tarefa de descobrir, quando afinal o amor acaba. Quando a paixão termina. Porque os sentimentos adormecem, como poças d’água que se formam de repente. E quando se viu, ficou tudo ali parado, estagnado, acabou sem se perceber. Amor acaba. Paixão termina. Que seja eterno enquanto dure.&lt;br /&gt;Mas ainda sim, ainda que seja difícil saber o exato e peculiar momento em que tudo se limita à poças d’água, fico me perguntando se tem um jeito decente de expressar essa verdade tão íntima para o outro. Aquele que sobra. Aquele que fica tentando se achar no reflexo da poça. Como diria meu bom e velho pai, não há jeito bom de dar notícia ruim. Mas há jeitos “menos piores”. Há jeitos e jeitos.&lt;br /&gt;E nesse mundo sem jeito, que eu não me canso de experimentar, ando percebendo que a maioria das pessoas não sabe como terminar um relacionamento. A liquidez das relações favorece, no entanto não poupa o curativo. E há jeito de não machucar? Acho que não... Mas há jeitos de se fazer com que a raiva conviva com o ressentimento, ao menos, por menos tempo. E de tudo, restem apenas às lembranças, não apenas a ironia.&lt;br /&gt;Se não quiser terminar, ao menos tenha coragem de não começar. Porque no fundo, tudo mesmo se resume aquela lição besta que a Dona Maroca dizia nos áureos tempos de pré-escola “não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem com você”.&lt;br /&gt;Fiz esse manual queimando neurônios em uma madrugada. Bebendo vinho até São Paulo apagar. E escrevi ele, como uma espécie de prece: que menos gente babaca (especialmente do sexo masculino) resista nesse mundo. Terminem o que vocês fazem tanto esforço para comer, que dizer, começar...&lt;br /&gt;Passo n.º 1: Termine. Diga que acabou. Há muito dizer em não dizer nada. Mas é fato que quando se gosta de alguém, a omissão, o talvez, soa com a equivalência de um sim. É necessário coragem, eu sei. Mas não é menos coragem do que você precisa para ficar pelado na frente de alguém e confessar qualquer espécie de tesão. Dizer que acabou é quase tão importante quanto dizer que começou.&lt;br /&gt;Passo n.º 2: Não transe em menos de 48 horas em que você pensou em terminar com alguém. Cortes brutos ao desejo têm efeitos colaterais dolorosos. Evitar o sexo, acredite, ameniza o sentimento de rejeição, pois ele aparece com um disfarce antecipado.&lt;br /&gt;Passo n.º 3: Não compre presentes, especialmente se o término anteceder datas comemorativas como natal, aniversário, páscoa entre outros. Acredite, terminar em datas comemorativas ou logo após elas, depois de se ter dado um presente, é algo que pode surtar alguém. Sem contar que o presente tende a virar um voodu de sensações desagradáveis.&lt;br /&gt;Passo n.º 4: Evite apresentar para amigos ou família se você tem um leve indício de confusão dentro de você. Envolver terceiros é sempre pior.&lt;br /&gt;Passo n.º 5: Vá com calma. Evite ser brusco. Evite ter uma noite de amor e terminar no dia seguinte. Terminar uma relação é uma náusea por si só, não é preciso mais movimento. É mais difícil, mas pode acreditar é mais saudável. Terminar relacionamentos longos costuma ser mais doloroso e ressentido. Terminar relacionamentos curtos costuma ser mais fácil e mais explosivo. Mas em todos os casos, é fundamental ir com calma. Preparar o terreno.&lt;br /&gt;Passo n.º 6: Não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem com você.&lt;br /&gt;Passo n.º 7: Você é responsável pelo que cativas. (Será que Exupery terminou algo direito assim como fez com o Pequeno Príncipe?)&lt;br /&gt;Terminar um relacionamento de um jeito, ao menos, honesto, pode não ser nada fácil. Na verdade não evita ressentimentos. Apenas não destrói o respeito. O resto, bem... O resto o tempo cura.&lt;br /&gt;E aos que ficam. Segurando o pé, vendo doer a bunda, sem saber por onde começar. Bem, comecem pela janela: há muita vida lá fora!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7375177791729201874?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7375177791729201874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7375177791729201874' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7375177791729201874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7375177791729201874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/04/guia-pratico-para-terminar-um.html' title='Guia Prático Para Dar um Pé na Bunda'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6121202848027727161</id><published>2010-03-28T09:59:00.000-07:00</published><updated>2010-03-28T10:00:18.525-07:00</updated><title type='text'>Cansaço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(“A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma” – Marina Colassanti – Eu sei, mas não devia”)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa aí sou eu. Em dia com o meu atraso. Na companhia da minha solidão. Encobrindo os espaços do meu estômago com angústia. Tentando ver sobre o escuro.&lt;br /&gt;Essa aí sou eu. Cedendo para me poupar. Escapando pela válvula de escape. Amortecendo. Amortizando. Rotineiramente aceitando os limites. Aceitando.&lt;br /&gt;Essa aí sou eu. Engolindo tudo a seco, com um alargador na garganta. Vivendo a indigestão. Brincando com a ironia do mundo. Crucificando a minha própria vontade de ser vítima. Aprendendo a ouvir o meu silêncio.&lt;br /&gt;Essa daí sou eu. Entorpecendo o questionamento. Indo com a maré. Levando com a barriga. Virando a ampulheta. Deixando passar.&lt;br /&gt;Essa aí sou eu. Sentindo a impotência dos sonhos. O apego à cama. A preguiça. O estômago vazio sem fome. A dor sem tempero.&lt;br /&gt;Essa daí sou eu. Sucumbindo. Em cinza. Cansada do cansaço. Com gosto do desgosto. Acostumada.&lt;br /&gt;Essa daí sou eu, acompanhando os minutos da morosidade. Caminhando sem passos.Vendo o dia passar entre um café e outro. Dando peso à leveza. Dando leveza à tristeza.&lt;br /&gt;Essa daí sou eu. Sentada sobre o mesmo círculo que já rodei.&lt;br /&gt;Essa daí sou eu. Sem saber que eu sou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6121202848027727161?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6121202848027727161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6121202848027727161' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6121202848027727161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6121202848027727161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/03/cansaco.html' title='Cansaço'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4397835417601273261</id><published>2010-02-01T17:35:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T17:42:37.226-08:00</updated><title type='text'>Sobre a mesa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;(Essa moça tá diferente/ Já não me conhece mais/ Está pra lá de pra frente/Está me passando pra trás/ Essa moça tá decidida/ A se supermodernizar/ Ela só samba escondida/ Que é pra ninguém reparar/ Eu cultivo rosas e rimas/ Achando que é muito bom/ Ela me olha de cima/ E vai desinventar o som/ Faço-lhe um concerto de flauta/ E não lhe desperto emoção/ Ela quer ver o astronauta/ Descer na televisão/ Mas o tempo vai/ Mas o tempo vem/ Ela me desfaz/ Mas o que é que tem/ Que ela só me guarda despeito/ Que ela só me guarda desdém/ Mas o tempo vai/ Mas o tempo vem (...)&lt;br /&gt;“Essa moça tá diferente” – Chico Buarque)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Meu rosto resta pesado, debruçado sobre as mãos, empurrando as bochechas, disfarçando um sorriso. Enquanto isso, ele escolhe o vinho, a pizza e me pergunta se tudo agrada. Meus olhos permanecem vivos, mas dentro de mim sou só silêncio.&lt;br /&gt;A sedução é um jogo que às vezes cansa. E nessas horas me pergunto, porque afinal os homens se dizem tão diferentes, se quando te chamam para sair, fazem sempre a mesma coisa? Acho que vim só pelo jantar de graça. E não sei se me arrependo.&lt;br /&gt;Ele se esforça para pegar as minhas mãos. Diz inúmeras vezes o quanto são macias. Elogia minha inteligência. Meu sorriso. Minha simpatia. Meu ego não infla. Nem mesmo por um segundo. Acho que não me comove seu esforço para me comer. Desculpe, não quero ser sua sobremesa.&lt;br /&gt;Conto-lhe meus problemas. Digo-lhe da minha desilusão. É como se não importasse nenhuma palavra. Ele quer persistir em me elogiar. Eu quero dizer a ele que eu também peido.&lt;br /&gt;E que tenho meus fedores. Meus horrores. Meus medos.&lt;br /&gt;Quero lhe dizer que já sei como essa história começa e também como termina. Não quero medir mais suas intenções. Suas disposições.&lt;br /&gt;Me sinto um pedaço cru de carne, com as unhas bem pintadas. Não. Eu não vou ser sua sobremesa. Nem por todos os elogios que ele faz para cobrir a minha cama, como se fossem lençóis de seda. Eu não vou ser a sua sobremesa.&lt;br /&gt;Ele insiste em mais uma garrafa de vinho. Mas a minha indiferença é forte até mesmo ao torpor. Por favor, injete álcool nas minhas veias, hoje eu tenho todas as defesas do mundo. Eu já aprendi a enxergar sobre o escuro.&lt;br /&gt;Ele insiste em pegar a minha mão. Lhe cedo apenas uma. A outra ainda permanece segurando a cabeça, o corpo e o peso.&lt;br /&gt;Tudo pesa.&lt;br /&gt;Ele pede a conta.&lt;br /&gt;Tudo pesa.&lt;br /&gt;Ele paga a conta.&lt;br /&gt;Tudo pesa.&lt;br /&gt;Ele sai do restaurante com alguma esperança de que tenha me impressionado.&lt;br /&gt;Mas tudo pesa. Sempre pesa.&lt;br /&gt;Me dá um beijo demorado na bochecha. Eu limpo com rapidez e desgosto.&lt;br /&gt;É. Eu cansei de ser a sobremesa. Eu permaneço com meu silêncio amargando, no fundo do copo de vinho, sobre a mesa.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4397835417601273261?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4397835417601273261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4397835417601273261' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4397835417601273261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4397835417601273261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/02/sobre-mesa.html' title='Sobre a mesa'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-435291209946461323</id><published>2010-01-10T07:57:00.000-08:00</published><updated>2010-01-10T08:12:02.009-08:00</updated><title type='text'>“Amores Expressos I – fragmentos sobre a esquizofrenia das relações modernas.”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Tchau. Vai ver se eu estou lá na esquina, devo estar. Já deu minha hora e eu não posso ficar. A lua me chama. A lua me chama. A lua me chama e eu tenho que ir para rua. Lenine – “Hoje eu quero sair só”)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;07.12.09. 23h15. “Estava em conflito e fiz prevalecer minha vontade! Ao contrário do que me disse, eu gosto de mensagens no dia seguinte, inclusive pq quero que tenha meu telefone e que saiba que estava um trapo, mas um trapo bem animado hj! Bjs e dorme bem!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09.12.09. 22h46. “Comprei mais halls de uva... a lembrança que me traz o gosto ameniza minha espera pelo final de semana...quando pretendo te chamar para sair!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;09.12.09. 23h02. “Tá... só não demore muito a aceitar meu convite pq o halls tem açúcar e eu não gostaria de ficar gordo ou diabético.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09.12.09. 23h10. “Se é só isso mesmo o que espera, me avise que eu como um saco de açúcar e nos vemos hj mesmo... rs...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.12.09. 10h17. “Ai, ai... Adoro ser paparicado logo pela manhã... RS... Bjs e um bom dia (com sol) pra vc.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.12.09 22h57. “Passei o dia pensando naquele beijo extra doce... Admito que meu dia não passou mais rápido depois dele, mas foi definitivamente mais feliz! Rs...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.12.09. 20h33. “Eu que tanto esperei por este bendito fim de semana, agora encontro-me esgotado e preso a esta cadeira infeliz no escritório.O pior é que nem tenho halls de uva para me animar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.12.09. 20h37. “Humpf... Acho que a probabilidade de nos vermos hj é bem remota né?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.12.09. 20h39. “Acho que em mais ou menos uma hora..E vc?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.12.09. 22h41. “Não tive tanta sorte... Meus problemas se estenderam até há pouco e precisarei de um pouquinho mais do que meia hora. Qual seu endereço?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;13.12.09. 01h57. “Rs... Nunca achei que diria isso, mas minha cama está tão grande hj...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.12.09. 23h32. “Voltei mais tarde do que imaginava... Acho que está meio tarde para nos vermos, não? De qquer forma, foi muito bom. Como foi seu dia?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.12.09. 01h14. “Cafuné, cafuné, cafuné...rs... E bjs, bjs, bjs.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.12.09. 23h15. “ÉÉÉÉÉ...Oi..Hummmm. Tudo bem? Eu quero um cafuné hj...E um pé de cabra para descolar meus ombros de minhas orelhas...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.12.09.23h26. “O que vc ta fazendo aí? Vem pra cá e a gente divide um cafuné...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.12.09. 02h14. ”Apesar dela me maltratar um montão, eu devia ter ido para a casa dela...Pelo menos eu estaria dormindo abraçadinho agora... É um abraço tão quentinho...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.12.09. 00h29. “Não ia mandar msg hj para não me tornar um chato, mas deu uma vontade louca e não pude resistir. Serei breve... Smack!!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18.12.09. 03h04. “Promete que vamos nos ver amanhã? Fiquei a semana toda com vontade de dormir abraçado com você... Principalmente pq vc foi a melhor noite de sono que tive nos últimos 15 dias...Como em meu sonho, vc consegue tirar minha cabeça e pensamentos da rotina e transportá-los a um lugar melhor...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20.12.09. 20h47. “Hummmm.. To meio apertado em meus horários... tem como ser umas nove para não corrermos riscos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22.12.09. 01h12. “Cheguei bem sim, obrigado. Não estou muito bem agora que só consegui passagem para as 3 da manhã. Vou trabalhar em frangalhos amanhã. E nem vou ter colo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31.12.2009. 22h49. “Com esta mensagem impessoal, porém sincera, quero desejar a todos juntamente com suas famílias e companhias uma belíssima passagem bem como um ótimo ano. Gostaria de escrever para cada um a importância que tiveram não só nesse ano, mas também em todos os futuros, mas, espero ter deixado esta impressão no decorrer de nossa convivência, curta ou longa, profissional ou pessoal. Obrigado a todos pelas ótimas experiências e que no próximo ano sejam ainda melhores. Abraços.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SILÊNCIO.&lt;br /&gt;CANSAÇO. MUITO CANSAÇO.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino – aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado, ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo numa amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no outro, o companheiro no amor. “A satisfação no amor individual não pode ser atingida... sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras”, afirma Erich Fromm – apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista”.” &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Zygmunt Bauman “Amor Líquido- sobre a fragilidade dos laços humanos”). &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-435291209946461323?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/435291209946461323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=435291209946461323' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/435291209946461323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/435291209946461323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/01/amores-expressos-i-fragmentos-sobre.html' title='“Amores Expressos I – fragmentos sobre a esquizofrenia das relações modernas.”'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1770285414155423736</id><published>2010-01-03T11:59:00.000-08:00</published><updated>2010-01-03T12:00:59.264-08:00</updated><title type='text'>Presente de Aniversário</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;(Ganhei da Silvia. E amei.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Canção Excêntrica&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Ando à procura de espaço&lt;br /&gt;para o desenho da vida.&lt;br /&gt;Em numeros me embaraço e perco sempre a medida.&lt;br /&gt;Se penso encontrar saída,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;em vez de abrir um compasso,&lt;br /&gt;protejo-me num abraço&lt;br /&gt;e gero uma despedida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Se volto sobre o meu passo,&lt;br /&gt;é já distância perdida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Meu coração, coisa de aço,&lt;br /&gt;começa a achar um cansaço&lt;br /&gt;esta procura de espaço&lt;br /&gt;para o desenho da vida.&lt;br /&gt;Já por exausta e descrida&lt;br /&gt;não me animo a um breve traço:&lt;br /&gt;- saudosa do que não faço&lt;br /&gt;- do que faço, arrependida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;(Cecília Meirelles, in "Vaga Música", 1942) &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1770285414155423736?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1770285414155423736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1770285414155423736' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1770285414155423736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1770285414155423736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2010/01/presente-de-aniversario.html' title='Presente de Aniversário'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-985776397229602432</id><published>2009-12-25T19:19:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T19:20:01.101-08:00</updated><title type='text'>Distâncias</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(Para o Phil. Pela distância que também nos faz próximos)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;O sinal se fecha fazendo com que os carros se amontoem ansiosos ante a faixa de pedestres. Enquanto uma buzina ou outra reclama a pressa, centenas de pessoas invadem as ruas, cheias de sacolas, trombando-se com indiferença e desrespeito. Parecem formigas, levando no lugar das folhas, pacotes.&lt;br /&gt;Apressados esses transeuntes multiplicam-se nas ruas, e, entre uma loja e outra movimentam o frenesi do consumo. O consumo. Parece que tudo é feito para consumir nessa época. Mas eu não compro nenhum sonho de natal. Pelo contrário. Minha paciência anda curta e minha ansiedade eu embrulho para presente. Quero fugir dessa multidão.&lt;br /&gt;Aperto o passo rumo à última estação de metrô da Paulista. Gosto de sentir o cheiro dessa tarde de verão que se põe, juntamente com o sol, atrás dos prédios. São Paulo nessa hora parece até sorrir, ainda que um sorriso tímido que logo se põem, também, atrás dos prédios.&lt;br /&gt;As luzes do dia dão então lugar às pequenas luzes que iluminam a avenida. Pais passeiam com seus filhos diante das alegorias. Eu me irrito com tanta multidão.&lt;br /&gt;Na esperança de que o outro lado da rua esteja mais vazio, espero o sinal abrir, mas não atravesso. Eu simplesmente paro, hipnotizada, diante das luzes que iluminam o Parque Trianon.&lt;br /&gt;Fecho então os olhos, para ter certeza de que guardo na minha memória aquela imagem que me encanta. E escuto então a sua voz familiar.&lt;br /&gt;- Guita, venha ver! Eu consegui acender a árvore do jardim!&lt;br /&gt;Quando corro na agilidade dos meus sete anos para a frente da casa, sorrio diante da surpresa que ficou dias sendo confeccionada no quarto dos fundos.  A árvore de luzes, feita com lâmpadas coloridas.  Sorriamos satisfeitos, eu e meu avô.&lt;br /&gt;Quando abro os olhos novamente, sinto minhas pálpebras cheias, a ponto de fazer a visão turvar. Uma, duas, três. As lágrimas não demoram a deixar o meu rosto mais fresco do que a noite.&lt;br /&gt;Ainda não atravesso. Quero ficar mais alguns minutos olhando, esperando a mágica passar. Ainda não atravesso, quero vasculhar a outra metade da minha memória, a fim de que outras lembranças boas, fiquem assim, de repente nítidas. Ainda não atravesso, fico do outro lado da rua, de mãos dadas com a saudade.&lt;br /&gt;Mas não consigo. Nenhuma lembrança me presenteia com a mesma nitidez.&lt;br /&gt;Olho então para as luzes e desejo não perder nunca o natal que ele me deixou. Olho para as luzes e agradeço por iluminarem essa distância que nos fez e nos faz sempre, próximos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-985776397229602432?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/985776397229602432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=985776397229602432' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/985776397229602432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/985776397229602432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/12/distancias.html' title='Distâncias'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-673189714181034959</id><published>2009-11-30T19:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T19:18:26.926-08:00</updated><title type='text'>Aos vinte e sete...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Aos vinte e sete anos eu seguro a vida nos dentes, rangendo-os com força para que meus sonhos não escapem. Não quero deixá-los amadurecendo na lógica mecânica, onde se listam as tarefas, onde se vencem as contas, onde se consomem as horas. Não quero me deixar consumida pelo tempo que não controlo. Apenas vivo de um jeito tão intenso que nem mesmo caibo em mim. Preciso da inconstância do mundo. Me apaixono por ela todos os dias.&lt;br /&gt;Mas aos vinte e sete anos, não me jogo mais em abismos. Chego até a medir as paredes para compreender a profundidade. O resto é prática. Exercício incômodo daquilo que já sei lidar... por isso, admiro mais as surpresas.&lt;br /&gt;Aos vinte e sete me restam as madrugadas para viver o que é incerto. Gosto de me resgatar nesses momentos, em que lamento pelo dia ser terrivelmente finito.&lt;br /&gt;Aos vinte e sete divido meus bons vinhos, com meus bons amigos. E boas conversas com algumas cervejas. Acho que o melhor da vida esta mesmo nesses momentos.&lt;br /&gt;Aos vinte e sete anos eu seguro a vida nos dentes. Acho que é assim que tem que ser. Eu vivo de incertezas certas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-673189714181034959?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/673189714181034959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=673189714181034959' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/673189714181034959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/673189714181034959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/11/aos-vinte-e-sete.html' title='Aos vinte e sete...'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-9080171371615038489</id><published>2009-11-22T12:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T12:58:06.212-08:00</updated><title type='text'>Outro lugar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;(“Eu, às vezes fico a pensar/Em outra vida ou lugar/ Estou cansado demais/ Eu não tenho tempo de ter/ Nem tempo livre de ser/ De nada ter que fazer/ É quando eu me encontro perdido nas coisas que eu criei/ E eu não sei/ Eu não vejo além da fumaça/ O amor e as coisas livres, coloridas/ Nada poluídas/ Eu acordo pra trabalhar/ Eu durmo pra trabalhar/ Eu corro pra trabalhar” - Capitão da Indústria – Os Paralamas do Sucesso)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Pela janela do avião eu observava as asas rasgarem o céu com violência, chegando quase a tocar os prédios. Os prédios. São tantos que chego a pensar que brotam sem razão, por alguma estranha epidemia. São Paulo é uma cidade doente. Doente de ansiedade. Por isso precisa antecipar o chão. Por isso precisa ter um céu tão apertado.&lt;br /&gt;Mas eu queria espaço. Espaço para voar. Voar em um céu, que fosse ao menos de verdade.&lt;br /&gt;Então, enquanto as asas do avião rasgavam o céu com violência, na mesma violência eu sentia rasgar em mim uma vontade estrangeira de não querer mais voltar. Meus sonhos com a cidade que tanto me deu sonhos, agora se transformavam em ilusão. Estáticos, alguns desses sonhos adormeciam em seu trânsito paralisado. Outros, agora doentes, enlouqueciam na irracionalidade dos meus dias cinzas. São Paulo não me cabia mais, apesar de sua imensidão compactada.&lt;br /&gt;Mas eu amei essa cidade. Um dia cheguei a me casar com ela. E com vontade de resgatar a paixão dos primeiros dias, caminhei pela Avenida Paulista, na ânsia de sentir aquele familiar impulso. Impulso de sonhar com a cidade grande. Impulso de me encantar com as suas possibilidades. Mas não senti nada. Exceto a apatia de quem não distingue mais o luxo do lixo e tudo se mistura. Sem razão. Sem sentido. Caminhei horas sem sentido. Feliz porque a Avenida Paulista é apenas uma reta. Então eu podia seguir em linha reta, quando eu já era apenas curvas. Tortas. Ridiculamente tortas. Estupidamente tortas.&lt;br /&gt;São Paulo é uma cidade estúpida. Como o flanelinha que te cobra 10 reais para “olhar” seu carro. São Paulo é uma cidade grosseira, como a buzina que estoura lancinante pelos míseros 4 segundos que você parou diante de um sinal verde. São Paulo é uma cidade feia como as mulheres esquálidas e plastificadas que transitam pelo Jardins.&lt;br /&gt;São Paulo é uma ilusão e isso tudo não me cabia mais.&lt;br /&gt;E naquela noite eu dormi triste e com as janelas abertas, olhando as luzes insones, esperando encontrar um outro lugar.&lt;br /&gt;Naquela noite eu me senti como quem dorme com um homem que não se ama mais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-9080171371615038489?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/9080171371615038489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=9080171371615038489' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/9080171371615038489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/9080171371615038489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/11/outro-lugar.html' title='Outro lugar'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1305640590621412980</id><published>2009-10-12T19:58:00.001-07:00</published><updated>2009-10-12T19:58:45.370-07:00</updated><title type='text'>Sr. Geraldo - O vibrador</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Quando ele se aproximou, meu nariz estava fixo em algum capítulo do livro que havia escolhido para as minhas férias. Por isso não lhe dei muita atenção. No entanto, tão logo ele se sentou, retirou dos bolsos um aparelho de MP3, que automaticamente me fez desviar o olhar.&lt;br /&gt;Tratava-se de um simpático senhor, de aproximadamente setenta e poucos anos, com os cabelos bem brancos e um olhar azul bem profundo. Vestia um colete de fotógrafo, uma mochila com uma pequena garrafa de água e ao perceber que meu olhar se desviou de curiosidade, me lançou logo um sorriso largo:&lt;br /&gt;- Você é de São Paulo mesmo?&lt;br /&gt;Era a primeira vez em que viajava completamente sozinha e minha prudência me recomendava não falar com estranhos. Mas se tratando de um velhinho portando um MP3 e me sorrindo de modo tão simpático, não julguei que corria qualquer perigo. Respondi-lhe então fechando o meu livro:&lt;br /&gt;- Nasci no interior, mas estou aqui há oito anos.&lt;br /&gt;A minha travessão não dava início apenas a uma resposta, mas principalmente, começava uma longa conversa que se prolongaria por mais de oito horas, até a chegada ao meu destino.&lt;br /&gt;Sr. Geraldo, como se chamava, era uma espécie de Forrest Gump do ônibus. Um incrível contador de histórias.&lt;br /&gt;Ao longo da viagem, me contou praticamente sua vida inteira que hoje se resumia a uma espécie de revezamento de avós, que realizava junto da esposa, para auxiliar a filha que tinha lhe dado mais um neto.&lt;br /&gt;Professor, advogado, ex-militante do movimento estudantil, machucado com o Brasil atual, idealista além da idade, Sr. Geraldo era uma figura e tanto. Um livro aberto e vivo, que fazia do meu livro escolhido para a viagem, apenas um apoio para as mãos.&lt;br /&gt;- O Senhor parece mesmo gostar de dar aulas.&lt;br /&gt;- Eu? Não. Eu odeio...&lt;br /&gt;- Jura? Mas como assim?&lt;br /&gt;- Sim, odeio... Nas escolas falta estrutura, os alunos são bem mal educados e pouco dedicados, é muito difícil ensinar.&lt;br /&gt;- Então porque você insiste?&lt;br /&gt;- Ahhh... Porque eu sou um vibrador!&lt;br /&gt;Ao me dizer aquela frase, sem dar qualquer conotação pejorativa à palavra “vibrador”, o Senhor Geraldo me provocou uma enorme gargalhada.&lt;br /&gt;- Mas o que é um vibrador? – Eu perguntei.&lt;br /&gt;- Vibrador, Helga, é alguém que vibra com a vida. Eu sou assim... Vibro com a vida.&lt;br /&gt;Senhor Geraldo desceu na rodoviária de Itabirito- Minas Gerais, deixando no meu dicionário um novo significado para a palavra “vibrador”.&lt;br /&gt;Meses depois, quando escutava o discurso do meu chefe fomentando a minha demissão, poucas palavras faziam sentido. Até porque discursos desse tipo se resumem a uma única frase “vou foder sua vida, mas vai ser melhor para você”. Por isso nunca entendo a necessidade de demissões serem tão detalhadas, infestadas de meias-verdades, inundadas de tantas palavras.&lt;br /&gt;Tantas palavras que sequer eu ouvia. A cara do meu chefe impassível era apenas mais um detalhe diante do abismo. Pensava como nunca em Seu Geraldo. Pensava o quão necessário era ter sua nova palavra, naquele momento, no meu curto e limitado dicionário.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1305640590621412980?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1305640590621412980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1305640590621412980' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1305640590621412980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1305640590621412980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/10/sr-geraldo-o-vibrador.html' title='Sr. Geraldo - O vibrador'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4971266709137296280</id><published>2009-09-10T19:52:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T19:54:35.929-07:00</updated><title type='text'>Profissão não é trabalho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;(“Welcome to the cruel world. Hope you find your way. Welcome to the cruel world. Hope you find your way. Oh,oh, it’s a cruel world. Try to enjoy your stay. Yes, it is a cruel world when you’re tryin’ to get by. Oh, oh it’s a cruel world when you’re tryin’, when you’ve seen the look in their eye. Makes life hard living, but I’m so, so scared to die”. - Ben Harper – Welcome to the cruel world)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Profissão é talento, trabalho é esforço. Profissão é não ver o tempo passar, trabalho é cartão de ponto. Profissão é remuneração, trabalho é salário. Profissão é cerveja depois do expediente, trabalho é um baseado. Profissão é aprendiz, trabalho é subordinado. Profissão é cabeça acelerada, trabalho é bunda sentada. Profissão é financiamento, trabalho é conta embaixo da porta. Profissão é vontade, trabalho é pró-atividade. Profissão é costume, trabalho é rotina. Profissão é fé, trabalho é crença. Profissão é calça jeans, trabalho é salto. Profissão é bateria, trabalho é pilha. Profissão é energia, trabalho é força. Profissão é para o resto da vida, trabalho é para aposentar. Profissão é ofício, trabalho é tarefa. Profissão é cansaço, trabalho é estresse. Profissão é desafio, trabalho é dificuldade. Profissão é café para distrair, trabalho é café para acordar. Profissão é dedicação, trabalho é ralação. Profissão é dor, trabalho é sofrimento. Profissão é chega, trabalho é foda-se. Profissão é necessidade de espírito, trabalho é necessidade de sobrevivência.&lt;br /&gt;Necessidade é dizer que nada mais adulto do que ver sua profissão se transformar em trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4971266709137296280?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4971266709137296280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4971266709137296280' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4971266709137296280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4971266709137296280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/09/profissao-nao-e-trabalho.html' title='Profissão não é trabalho'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6173146357305356377</id><published>2009-09-03T07:43:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T07:47:54.872-07:00</updated><title type='text'>A Camisa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;(“Uma Revolta – Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e senso de medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa” – Clarice Lispector)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Ela permaneceu ali, estática, pendurada na porta do meu quarto. Parecia me perguntar indiretamente o que fazer com tudo aquilo. No entanto, eu evitava qualquer confronto com a minha confusão: continuava a passear os olhos, vendo-a balançar sobre a maçaneta.&lt;br /&gt;Uma camisa branca, como talvez o seu passado não fosse. Mas o que é o amor senão uma vontade imensa de se enganar?&lt;br /&gt;Por isso lavei a camisa com aqueles mesmos sabões corrosivos de que são feitos a ilusão. Por isso eu a passei, na esperança de que é possível se desamassar o tempo. Por isso a pendurei na porta, cuidei de tudo com carinho, um carinho doméstico que sempre duvido, mas insisto. O amor de uma mulher é feito disso: cuidado e delicadeza bem passados a ferro.&lt;br /&gt;Deixei a camisa sobre a porta, enquanto meu coração ficava te esperando na janela. Evitávamos a condição dos amores mal resolvidos que oscilam entre a esperança e a desilusão e a camisa pendurada sobre o mesmo eixo. Eu via minha energia desfalecer na angústia. A angústia breve que grita por uma explicação. Estou farta da esquizofrenia dos amores expressos. Estou cansada de um tempo que é tão curto a ponto de não podermos mais sonhar.&lt;br /&gt;Estou exausta do romantismo utilitarista.&lt;br /&gt;Dos cafés que engulo e da borra amarga que sobra.&lt;br /&gt;Eu posso respirar e te esperar em frente ao portão? Você pode me amar apesar de todos os meus defeitos? Podemos desejar algo menos idiota do que assistimos na televisão? Algo que possa andar de mãos dadas?&lt;br /&gt;A camisa pendurada sobre a maçaneta. Meu mundo rodando.&lt;br /&gt;Eu só posso desabotoar. Nenhum sentimento que se preze vem com dispositivos de proteção. Piloto automático. Saída de emergência. Eu só posso desabotoar.&lt;br /&gt;Abandonar o cabide. As esperanças. Eu desabotôo a camisa. Ela não pertence a minha porta. Você também não merece muita esperança. Eu sigo até o lixo. O lixo escuso que fica na escadaria do prédio. Uma casa para a sua camisa. Um lugar frio e escuro. Talvez bem escondido. É o que sinto por você e se parece com nojo.&lt;br /&gt;Eu desço as escadas, sem saber onde vou parar.&lt;br /&gt;Eu acredito que todo recomeço é o passo que se dá depois do final.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6173146357305356377?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6173146357305356377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6173146357305356377' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6173146357305356377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6173146357305356377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/09/camisa.html' title='A Camisa'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7166453916300182691</id><published>2009-08-29T16:37:00.000-07:00</published><updated>2009-08-29T16:42:41.506-07:00</updated><title type='text'>Curtas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;("A vida é doce. Depressa demais." - Lobão)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Eu achei que o amor crescia entre os pequenos espaços cobertos por intimidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;O amor só cresce no limbo da paciência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7166453916300182691?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7166453916300182691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7166453916300182691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7166453916300182691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7166453916300182691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/08/curtas.html' title='Curtas'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-5780575963123059557</id><published>2009-08-25T20:36:00.000-07:00</published><updated>2009-08-25T20:46:35.461-07:00</updated><title type='text'>Antonia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“De novo. De novo essa merda. Os homens devem ter um sindicato. Eles decoram o texto, recitam com a mão no peito e ganham uma carteirinha secreta. No livro de regras deve ter coisas como “nunca fique com uma mulher que possa quebrar seu pobre coração de maricas”, “observe a reação do ex-namorados e ex casos dela. Se forem todos ressentidos, dê um pé imediatamente” e “fuja das mulheres intensas, elas são todas malucas”. Tomei o resto da minha cerveja, peguei a chave e fui para casa. Estava começando a me acostumar. Subi as escadas, entrei em casa e fui escovar os dentes, planejando não trabalhar no dia seguinte, nem no outro, nem no outro. Talvez fosse a hora de me mandar de novo. Ainda não sabia para onde, nunca tinha passado para esta fase do joguinho. Talvez fosse a hora de encarar o meu caminho, queimar na cruz que escolhi, assumir o grande amor da minha vida: escrever. Sabia que era a hora, e não sou dessas que ficam esperando sentadas. Apaguei todas as luzes, deitei e fui dormir”&lt;br /&gt;(“Máquina de Pinball”, Clarah Averbuck, p.75)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Não, eu simplesmente não sabia o que fazer com tudo aquilo, então entrei no carro e fechei logo as trancas. Queria me proteger do que parecia tão óbvio na minha vida. As pessoas se repetiam em corpos diferentes. Eu sentia que vivia intensamente jogando com as mesmas cartas do baralho. Então tranquei a porta do carro e procurei as minhas próprias trancas. Como se o carro fosse o último lugar seguro do mundo. E talvez seja. Em São Paulo passa-se tanto tempo dentro do próprio carro que uma relação de afetuosidade acaba crescendo. Essa cidade travada e fria. Que vontade de partir daqui. Que lugar mais sem sentido. Vive-se um sonho diário de uma vida melhor nessa cidade. Uma espécie de masturbação com comercial de margarina. A gente sempre acha que aquela vida projetada existe. A gente sempre acha que o céu é de outra cor que não cinza. A gente sempre acha que o cinema não vai ter fila. A gente sonha. Delira com uma vida menos crua. Todo dia. Mas de madrugada essa cidade é tão civilizada e vazia, que é possível sentir a potencia de suas veias. A quinta marcha na 23 de maio. Eu ligo o carro. Quero que São Paulo me engula e me cuspa, como faz todos os dias. Há tantas placas que te levam a lugar nenhum. Há tantas placas que te levam ao mesmo lugar. As placas me encantam. Avenida Brasil. Zona Oeste. Ilha deserta. Tem essa placa? “Retorno a seguir. Ilha deserta”. Me leva para lá. Me engole e me cospe.&lt;br /&gt;Não, eu simplesmente não sabia o que fazer com tudo aquilo então comecei a rodar e andar por ruas que sequer eu conhecia. Qual o caminho? Me faz sorrir a ponto de eu acreditar que a vida não é óbvia?&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Gozar entre as suas pernas não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. O suspiro que antecede o beijo não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Andar de mãos dadas no parque não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Dar-lhe uma camiseta para dormir não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Cuidar da sua escova de dente não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Dividir os problemas não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Apresentar-lhe os amigos de infância não é.&lt;br /&gt;“Amar é muita coisa”. Cafuné antes de dormir não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Admirar o silêncio não é.&lt;br /&gt;“Amar alguém é muita coisa”. Viver não é.&lt;br /&gt;Morrer não é. Então tudo morria. Quando sequer havia tantas lembranças para que ao menos sobrasse saudade. É tudo tão rápido. É tudo tão depressa. Relacionar-se sem relacionamento. Uma constante dos nossos medos modernos. Uma constante da nossa vida consumida. Uma constante da nossa felicidade idealizada. O monólogo do desencontro.&lt;br /&gt;Com quantas mentiras se constrói um grande amor?&lt;br /&gt;Eu nunca consigo tolerar muitas.&lt;br /&gt;O meu coração é uma espécie de vira-lata em feira pública de doação de animais: abana o rabo para qualquer idiota que lhe faça carinho. Sonha com qualquer promessa de lar. E volta depressa para trás da grade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-5780575963123059557?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/5780575963123059557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=5780575963123059557' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5780575963123059557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5780575963123059557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/08/antonia.html' title='Antonia'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4702068099837537658</id><published>2009-07-30T10:18:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T10:22:10.136-07:00</updated><title type='text'>Zagueiros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;(Mas para ser um bom zagueiro Não pode ser muito sentimental Tem que ser sutil e elegante Ter sangue frio Acreditar em si E ser leal - "Zagueiro" Jorge Ben)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Zagueiro é assim: pura defesa. Segue carregando o time nas costas, jogando na espreita, sempre pensando na melhor forma de driblar o adversário. Joga com a fidelidade de um cão de guarda, fazendo nos bastidores a sua rotina.&lt;br /&gt;Zagueiro é aquele que toca a bola, que constrói a estratégia num olhar ligeiro sobre o campo e depois some, antes que os holofotes se virem para o gol. Zagueiro é aquele que muitas vezes entrega os louros, para que o gol seja marcado. Zagueiro é aquele a quem se culpa quando o time perdeu.&lt;br /&gt;Zagueiro é aquele que ama a bola no pé e não o grito da torcida. Zagueiro é rotina e futebol cru.&lt;br /&gt;Mas há momentos, simples momentos em que o ataque falha. A sede do atacante pelo gol é tanta, que ele mesmo se atropela e cai. Há momentos, geralmente quando o ataque se torna mais relevante do que o time, em que o caminho do sucesso é também o caminho do fracasso.&lt;br /&gt;E nesse momento em que o atacante cai, penalizado pelo juiz da ganância. Nesse momento em que o técnico levanta do banco em desespero. Nesse momento em que a torcida se aquieta. Nesse momento em que o time adversário sorri. É exatamente nesse momento, nesse mágico momento, em que o zagueiro tem duas opções: pode ser fiel a defesa ou arriscar e partir para o gol.&lt;br /&gt;Sua traição pode desfalcar o time. Sua traição pode lhe custar sua posição. Sua traição pode significar o seu fracasso.&lt;br /&gt;Mas com a bola no pé, o atacante caído e o placar zerado, o Zagueiro tem tudo e ao mesmo tempo nada a perder. Por isso ele corre. Por isso ele dribla. Por isso, ele segue para o gol como quem tem sua chance de ouro. Por isso ele conduz a bola com paixão.&lt;br /&gt;E porque a vida é também irônica, nesses momentos de fúria e apreensão, o goleiro adversário se desconcerta e falha. E finalmente a bola se choca com a rede. É gol. De placa.&lt;br /&gt;O Zagueiro então levanta a camisa e abre os braços para a torcida. O atacante, ofendido, se zanga. O técnico o repreende com um sorriso.&lt;br /&gt;E enquanto a torcida vibra, o zagueiro chora a sina de quem depende da sorte para mostrar aquilo que pode ser. E brilha. Mais do que qualquer holofote.&lt;br /&gt;O gol da zaga é sempre de fúria. É sempre de risco. E por isso eternamente dolorido.&lt;br /&gt;Às vezes acho que nasci assim, com a mesma sina de muitas outras pessoas: a sina de ser zagueiro.&lt;br /&gt;E quanto mais a vida me massacrar, pela irresponsabilidade de lutar pelo gol, quando devo ser defesa, mas as minhas pernas se fortalecem.&lt;br /&gt;E sem ter medo, eu vou sempre sair da zaga e correr para o gol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4702068099837537658?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4702068099837537658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4702068099837537658' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4702068099837537658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4702068099837537658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/07/zagueiros.html' title='Zagueiros'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6020093643969613451</id><published>2009-07-21T21:41:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T21:41:00.933-07:00</updated><title type='text'>Andar por entre as pedras</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SmKhQVM1z7I/AAAAAAAAAB4/4uOLwK4V7gE/s1600-h/DSC00535.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360023808465293234" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SmKhQVM1z7I/AAAAAAAAAB4/4uOLwK4V7gE/s320/DSC00535.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Paraty é uma cidade incrível. Proporciona experiências maravilhosas na medida em que desafia o nosso senso plano de entender o mundo.&lt;br /&gt;As ruas do centro histórico são todas formadas por enormes pedaços de pedra, que tornam qualquer passeio uma aventura sobre a irregularidade. Como as pedras são naturalmente escorregadias, até o mais distraído dos instintos é convocado ao passeio, de modo que é impossivel caminhar sem que se olhe para o chão. Nos dias de chuva, a atenção é redobrada a ponto de não conseguir se pensar em mais nada.&lt;br /&gt;Um dia fiquei horas caminhando pelo centro histórico e percebi que meu cérebro se ocupava tanto em coordenar os passos, que não era possível pensar em mais nada.&lt;br /&gt;Acho que fiquei absolutamente viciada nessa sensação. De não pensar em nada. E todos os dias, eu caminhava por pelo menos uma hora me esquecendo do trabalho, das contas que venceriam, dos sons do despertador, dos amores que não vivi.&lt;br /&gt;Diante das irregularidades dos passos, eu me esquecia da irregularidade da vida. E tudo parecia extremamente leve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6020093643969613451?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6020093643969613451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6020093643969613451' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6020093643969613451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6020093643969613451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/07/andar-por-entre-as-pedras.html' title='Andar por entre as pedras'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SmKhQVM1z7I/AAAAAAAAAB4/4uOLwK4V7gE/s72-c/DSC00535.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-5026554549268385155</id><published>2009-07-20T10:00:00.000-07:00</published><updated>2009-07-20T14:24:29.215-07:00</updated><title type='text'>Mathias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Odeio hippies. Por uma razão muito óbvia: eles consomem a nossa carência de liberdade. E isso me irrita. Profundamente.&lt;br /&gt;É um clichê de férias: você com cara de turista, ele com uma bandeja de brincos de arame. Você fazendo de tudo para se sentir de férias. Ele rindo da sua cara como se vivesse eternamente de férias.&lt;br /&gt;Então ele se aproxima, conta histórias fascinantes de quem já rodou o mundo, enquanto você sabe que morria na frente de um computador. Você se comove e leva os brincos. Para se sentir mais liberta e depois abandoná-los em algum lugar da mala.&lt;br /&gt;Até que um dia, quando você estiver muito puta com a lei da mais valia, vai se lembrar do sujeito, vai se lembrar das tais histórias e vai se perguntar se felicidade não é aquilo que se vende junto dos cocos da praia ou nas bandejas de brincos de arame.&lt;br /&gt;Quanta vida é desperdiçada enquanto o trabalho nos consome?&lt;br /&gt;Odeio hippies. Eles são um calo na minha excitação em relação ao mundo corporativo.&lt;br /&gt;Mas obviamente sem saber disso, Mathias se aproximou. Trazendo sua bandeja de brincos de arame, ele vestia um chapéu que me lembrava um duende e possuía olhos espetaculares, azuis e bem firmes. Tentei desviar a atenção, mas ele foi mais insistente. Conseguiu que eu desse um sorriso para que então ele se aproximasse.&lt;br /&gt;- Você enxerga bem? – Ele me perguntou isso com um sotaque bem carregado.&lt;br /&gt;- De onde você é? – retruquei.&lt;br /&gt;- Sou alemão. Mas não gosto disso. Estou no mundo há muito tempo.&lt;br /&gt;- Jura? O que você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;- Fugi da Alemanha. Você enxerga bem?&lt;br /&gt;- Como você chama?&lt;br /&gt;- Mathias.&lt;br /&gt;- Você não sente saudades da Alemanha? Eu adoraria morar lá.&lt;br /&gt;Ele permaneceu em silêncio.&lt;br /&gt;Percebi por uma razão estranha que aquela reação ríspida era fruto de alguma ferida, da qual Mathias preferia silenciar. Enquanto eu o bombardeava com perguntas que respingavam meu ódio pelos hippies, ele pegou um pedaço de arame e um alicate bem fino.&lt;br /&gt;- Você enxerga bem?&lt;br /&gt;- Não sou míope.&lt;br /&gt;- Então toma.&lt;br /&gt;Enquanto se esquivava de minhas perguntas, Mathias confeccionava com muita habilidade um objeto de arame. Tratava-se de um óculos em miniatura, para ser pendurado na ponta do nariz.&lt;br /&gt;- Vou continuar sem enxergar nada com esses óculos tão pequenos. – Eu disse.&lt;br /&gt;- Se não souber ver o que é pequeno, não vai saber o que é beleza.&lt;br /&gt;- Você me deu esses óculos para ver seus brincos, certo?&lt;br /&gt;Mathias riu.&lt;br /&gt;- Não. Te dei esses óculos para você ver o mundo. Os brincos eu só queria te mostrar.&lt;br /&gt;- Desculpa, estou sem dinheiro.&lt;br /&gt;- Tudo bem. Obrigado. A gente se encontra.&lt;br /&gt;Mathias partiu. E eu permaneci com os pequenos óculos na ponta do nariz. Odiando os hippies.&lt;br /&gt;Hippies sabem que toda liberdade tem um preço. Mas a beleza não.&lt;br /&gt;Desperdiçamos muita vida na frente dos computadores nos esquecendo disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-5026554549268385155?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/5026554549268385155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=5026554549268385155' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5026554549268385155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5026554549268385155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/07/mathias.html' title='Mathias'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7905466993473355134</id><published>2009-07-19T21:41:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T21:20:15.577-07:00</updated><title type='text'>Sabedoria de mãe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Mães falam. Exaustivamente. Como se a nossa cabeça tivesse uma capacidade infinita de absorver fatos, conselhos, regras e até nome de pessoas que nunca conhecemos. E não apenas falam, como também repetem tudo aquilo que dizem. Exaustivamente. Mães eternamente desafiam a nossa capacidade de gravar informações. A minha mãe não é diferente.&lt;br /&gt;De modo que às vezes, em nossas conversas, meu cérebro permanece em ponto morto, apenas observando o som das palavras, como se elas dançassem até atingir os tímpanos. Não é maldade. É que nesses momentos minha atenção amolece e vai longe, até que uma frase mais brusca venha me resgatar.&lt;br /&gt;Mas longe de casa, percebemos porque as mães falam e repetem tanto as coisas. É uma pena que o mundo não obedeça à lógica maravilhosa das mães. Mas nas razões das sem razões, que devem morar no cordão umbilical dos fatos, as mães sabem o que dizem. E, cedo ou tarde, você vai se lembrar disso.&lt;br /&gt;A minha mãe, por exemplo, sempre me alerta quanto ao fato de consumir determinados tipos de alimentos longe de casa ou em lugares pouco seguros. No entanto, como eu já comi em muitos lugares estranhos nessa vida, quando vi aquela lasanha de palmito com camarão repousar fumegante sobre a mesa, eu, obviamente, não lembrei da minha mãe. Pudera, com o estômago apertado e a boca salivando, eu só conseguia imaginar o trajeto mais rápido para aquela iguaria atingisse o meu prato. E, conseqüentemente, o meu estômago. Comi como uma rainha.&lt;br /&gt;E rainha que é rainha, é coroada, obviamente: no trono. Trono que permaneci praticamente a madrugada toda, suando frio e tendo arrepios os quais é melhor não descrever para não lembrar. Um verdadeiro episódio de terror.&lt;br /&gt;Não é a toa que as mães falam tanto.&lt;br /&gt;Me lembrei disso, depois revisitar aquela frase, sempre repetida, com palavras que se amontoam no meu cérebro quando ela fala: “não se come palmito e camarão em qualquer lugar”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7905466993473355134?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7905466993473355134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7905466993473355134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7905466993473355134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7905466993473355134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/06/sabedoria-de-mae.html' title='Sabedoria de mãe'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3148954583321456826</id><published>2009-07-16T21:41:00.000-07:00</published><updated>2009-07-18T21:21:31.194-07:00</updated><title type='text'>Viagem ao centro de mim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. (Amyr Klink – Mar sem fim).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tenho uma mania besta de dobrar as orelhas das páginas favoritas dos livros que leio, antes de devolvê-los à minha estante. Deixar meus livros ali marcados é meu jeito de não abandoná-los sobre o pó. Uma espécie de instinto maternal sobre a literatura que consumo e cativo.&lt;br /&gt;Em alguns momentos, instintivamente e quase como um ato de fé, eu sigo até a estante e busco algumas das minhas orelhas. Confesso até que tenho as minhas favoritas e sinto um prazer indescritível em poder voltar a elas para ler novamente. É como congelar um sentimento em um momento. Uma espécie de fotografia sem imagem.&lt;br /&gt;Logo depois de arrumar as malas, segui até a estante. Abri orelha feita na página 77 do livro “Mar sem fim” do Amyr Klink. Li Amyr quando tinha uns quatorze anos. Ou melhor, devorei o livro. Voltar a essa orelha sem dúvida me traz lembranças frescas do que àquela época eu chamava de “liberdade”. Foi um livro que me marcou muito.&lt;br /&gt;Abri o livro na página da orelha, li e depois fechei a mala, certificando-me de que meu diário de viagem seguia junto.&lt;br /&gt;Embarcávamos eu, meu diário e a nossa arrogância acerca do mundo que imaginávamos. Por isso, iríamos lá, ver com os próprios olhos o mundo, na companhia óbvia de mim.&lt;br /&gt;Como não se pode fazer orelhas sobre as experiências e pessoas que cruzam nossos caminhos, escrevi algumas dessas histórias que se seguem.&lt;br /&gt;Como se através do mundo que passava pela janela do ônibus eu traçasse um caminho para dentro de mim.&lt;br /&gt;Um homem precisa viajar. Eu, mais do que tudo, também precisava.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3148954583321456826?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3148954583321456826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3148954583321456826' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3148954583321456826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3148954583321456826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/06/viagem-ao-centro-de-mim.html' title='Viagem ao centro de mim'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6376243810787343412</id><published>2009-06-21T21:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-25T14:25:40.660-07:00</updated><title type='text'>Filosofia de boteco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;(“There’s nothing you can do that can’t be done. Nothing you can sing that can’t be sung. Nothing you can say but you can learn how to play the game. It’s easy.” – All you need is love. The Beatles.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O amor antes dos vinte e cinco anos é uma espécie de bungee jump. A melhor parte é quando se salta rumo ao desconhecido. Os medos existem, é certo, mas nada supera a vontade de fazer a adrenalina pulsar. É tanta fé e coragem, que um estranho em pouco tempo se torna o grande amor da sua vida. E os sonhos surgem durante a queda. A inocência é um terreno fértil para que cresça um romantismo, ainda que piegas. É mais fácil acreditar. É mais fácil confiar a ponto das expectativas se tornarem boas aliadas. É mais fácil se enganar. É mais fácil.&lt;br /&gt;O amor depois dos vinte e cinco é um abismo. Tão logo percebemos que estamos acompanhados, ficamos olhando um para a cara do outro, para ver quem salta primeiro. Enquanto isso não ocorre, persistimos nos agarrando a certezas incertas, que se montam diante das nossas inseguranças, nossos medos e traumas. É uma luta mais árdua. Quem criar expectativas primeiro perde. É uma longa jornada de sedução, mastigada em mensagens que piscam no celular e um romantismo evasivo, que vai e vem. É mais difícil acreditar. É mais difícil confiar a ponto dos medos se tornarem fúteis aliados. É mais difícil se enganar. É mais difícil.&lt;br /&gt;O que nunca muda, antes e depois dos vinte e cinco anos, é que o amor não é fácil de encontrar. Por isso, talvez, tudo se resuma a duas pequenas coisas: coragem e paciência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Pequenas coisas, que de tão pequenas, esqueci em alguma gaveta de mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6376243810787343412?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6376243810787343412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6376243810787343412' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6376243810787343412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6376243810787343412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/06/filosofia-de-boteco.html' title='Filosofia de boteco'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3961820968118870982</id><published>2009-06-06T15:04:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T15:10:18.771-07:00</updated><title type='text'>Diagnóstico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(&lt;em&gt;Para meus amigos da Oficina de Contos da Casa das Rosas. Escritores de verdade.)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Quando a porta do elevador se abriu, fui de encontro a uma solidão pouco habitual. No corredor escuro, não se ouviam os ganidos histéricos do cão da vizinha, nem o som abafado da televisão. Não havia cheiro de bolo. Apenas frio e silêncio.&lt;br /&gt;Toquei a campainha e acompanhei seus passos se aproximarem lentos até a porta. A maçaneta girou com dificuldade e diante do vão já pude reconhecer seus olhos azuis, flamejantes, inundados de surpresa. Quando me viu, sua face automaticamente se transformou em um emaranhado de rugas que se amontoavam para dar espaço a um sorriso. Me abraçou sem muitas cerimônias.&lt;br /&gt;Repetiu inúmeras vezes a alegria em me ver, enquanto por dentro, eu lamentava o trabalho, a correria e a distância que agora me fazia visita. Pediu para que eu me acomodasse na sala enquanto me traria uma surpresa. Afastei o tricô estendido no sofá, me sentei em um canto e aguardei ansiosamente enquanto ela veio trazendo consigo um enorme saco de fotografias:&lt;br /&gt;- Olha só o que achei escondido no alto do armário!&lt;br /&gt;Era como se me trouxesse um tesouro. Sentou-se ao meu lado e buscou os óculos pendurados no pescoço. Passeou os dedos sobre os plásticos que guardavam as fotos já amareladas e começou a contar com orgulho a história de toda a família. Cada relato era permeado de incertezas. Fui percebendo que as datas e os rostos lhe eram confusos. A única lembrança que era viva e contada com riqueza de detalhes, era a saudade de meu avô, que parecia não se perder no tempo.&lt;br /&gt;Ao perceber que ela se esquecia via o diagnóstico saltar junto da sujeira que se escondia debaixo do tapete. O córtex cerebral iria murchar e aos poucos as lembranças iriam se apagando. Talvez ela perdesse o controle de si. Talvez os remédios atenuassem esse processo. Nada era preciso nas palavras do médico, exceto a evidência da minha angústia.&lt;br /&gt;Eu me perguntava incessantemente se esquecer era doença ou era benção, diante de tudo o que é o tempo. Mas ela persistia ao meu lado, lutando em favor de sua memória, enquanto eu seguia corrigindo as datas, dando nome às pessoas, fazendo-lhe lembrar as palavras. Queria estar ao seu lado, brigando pela mesma guerra injusta. Mesmo sabendo que sairíamos perdendo.&lt;br /&gt;Ela mesma já tinha consciência disso e ao ver que eu era cúmplice do seu esforço me confessou seu medo da morte. Eu, sem saber o que dizer, não contive as lágrimas. A morte, na verdade, pouco assustava. Temia o esquecimento, pois sabia que estávamos vivos, todos, em sua memória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3961820968118870982?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3961820968118870982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3961820968118870982' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3961820968118870982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3961820968118870982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/06/diagnostico.html' title='Diagnóstico'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3934611441788493060</id><published>2009-06-01T19:05:00.000-07:00</published><updated>2009-06-01T19:07:18.702-07:00</updated><title type='text'>O beijo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;As bocas. Somente as bocas. Somente elas existem e percorrem uma estrada curta e magnética, seguindo absolutamente sem comandos. O cérebro desobedece e os sentidos se aguçam. Os olhos desligam – é o escuro do fascínio, o delírio da respiração – que precede o encontro dos lábios. Os lábios. Os lábios que delicadamente se roçam, fazem com que os dentes salivem. As línguas. As línguas finalmente se encontram ainda que de maneira tímida. Temos medo de ser só desejo. Temos medo de sentir tanto desejo.&lt;br /&gt;Um desencontro, que precede outro encontro. Nada é cartesiano, nada é previsível. Nem mesmo a pequena mordida que nos faz enganchar. Nem o riso incontido de felicidade que nos faz enternecer. Entardecer. Há tanta ternura que os lábios se fecham. Há tanta ternura que os narizes se despedem. As mãos se desatam. O abraço desmancha.&lt;br /&gt;Abrimos os olhos. Voltamos ao patamar dos desconhecidos. Não queremos mais saber. Queremos seguir. Seguir para essa vida que nos ocupa e que nos faz vítimas do nosso próprio tempo. Não temos tempo. Nossos celulares não vão tocar. Guardamos na memória o que queremos esquecer.&lt;br /&gt;Esquecer: que já colocamos o dedo na tomada do amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3934611441788493060?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3934611441788493060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3934611441788493060' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3934611441788493060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3934611441788493060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/06/o-beijo.html' title='O beijo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2763712272741944009</id><published>2009-05-15T20:22:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T20:27:40.190-07:00</updated><title type='text'>A raiva é um sentimento de unhas bem vermelhas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"&lt;em&gt;Everyday I love less and less /I can't believe once you and me did sex/ It makes me sick to think of you undressed/ Since everyday I love you less and less/ And everyday I love you less and less/ You're turning into something I detest/And everybody says that your a mess/Since everyday I love you less and less" (Kaiser Chiefs Everyday - I Love you less and less)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;O sofrimento abandonou o meu peito. Partiu trôpego, cambaleante, seguindo sem direção. Mas não me deixou por livre e espontânea vontade. Foi enxotado pela raiva, que veio se impondo com potência, como quem sabe a hora certa de lavar a ferida. Com água, sabão e methiolate.&lt;br /&gt;Ela chegou dando vida a todos os barracos desfeitos em nome do meu orgulho. Ela chegou berrando sobre a minha idiotice.&lt;br /&gt;A raiva é uma mulher determinada. Um sentimento de unhas bem vermelhas, que desfila com uma saia curta e pernas torneadas, só lhe para provocar e fazer você se arrepender daquilo que deixou escapar. A raiva pisa com um salto bem fino sobre o dó, tira a casquinha da tristeza com os dentes e ri. Ri desesperadamente.&lt;br /&gt;A raiva é terrível. Se depila indecentemente, veste lingeries de renda e sutiãs de bojo. Usa decotes venenosos e morde os lábios.&lt;br /&gt;A raiva marca o encontro, paga o jantar e lhe dá um beijo. Desses de tirar o fôlego. Para depois sair de cena. Porque a raiva não quer nenhum amor. Ela não vai te convidar para subir. Vai te abandonar após ter a certeza de que seu pau está bem duro e você está doente de tesão. A raiva quer deixá-lo com olhos desejosos atrás da porta, para então lhe dar um sorriso cínico: “bata uma punheta pensando em mim”. Porque a raiva é sádica. A raiva é foda.&lt;br /&gt;A raiva não tem fome, fecha a boca do estômago. A raiva não come nada. É uma mulher magra, que corre 5 quilômetros por dia ouvindo Janis Joplin até doer os tímpanos.&lt;br /&gt;Mas a raiva tem sede. Muita sede de vingança.&lt;br /&gt;A raiva não tem barriga, tem abdômen. Não tem bunda, têm glúteos. Mas não esconde sua frustração: a raiva tem celulite.&lt;br /&gt;A raiva não fala. É bulímica: engole as palavras em seco e vomita de ódio depois. A raiva é dura. Calcula a vida com frieza. A raiva é só. Estupidamente sozinha.&lt;br /&gt;A raiva chega no peito, destrói a pena, desqualifica o amor.&lt;br /&gt;A raiva me dá meia hora de massagem no ego, relaxa a minha dor e me deixa dizer.&lt;br /&gt;Dizer o que não disse.&lt;br /&gt;A raiva me dá coragem. Me deixa teclar tudo vorazmente. A raiva me permite.&lt;br /&gt;Permite-me dizer. Que você é um tremendo canalha. Um baita de um filho da puta!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2763712272741944009?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2763712272741944009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2763712272741944009' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2763712272741944009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2763712272741944009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/05/raiva-e-um-sentimento-de-unhas-bem.html' title='A raiva é um sentimento de unhas bem vermelhas'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2153338107491717470</id><published>2009-05-06T19:53:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T20:48:59.530-07:00</updated><title type='text'>A sorrir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Ela veio caminhando vagarosamente em minha direção, a espreita de qualquer reação mais brusca. Era tão pequena e maltrapilha, que ao vê-la não consegui identificar qualquer doçura, ainda que se tratasse de uma menina. Pequena e frágil. Seus olhos eram fundos e tristes. Seus pés pequenos, descalços e sujos. Vestia uma camiseta surrada que lhe servia como vestido e ao notar que eu a observava, escondida no fundo do ônibus e absorvida pelo meu ipod, quis chamar minha atenção. Fiz que não a vi.&lt;br /&gt;Nessa hora eu pensava em você. Sentia rasgando no peito uma saudade de tudo aquilo que não foi. Sofria pelos sonhos abandonados. Enfim, eu desistia.&lt;br /&gt;No entanto, fazia tudo isso sem medo. Eu simplesmente pisava sobre tudo o que doía.&lt;br /&gt;Estava amando me libertar de você. Em cada pequeno detalhe. Por isso havia jogado seu cartão de visitas, seus livros. Deletei seus e-mails, joguei fora seus adesivos, o cd que você me deu de aniversário, apaguei seu telefone, seu endereço e tudo o que me trouxesse de novo a você. Apaguei caminhos. Velei cada lembrança. Chorei.&lt;br /&gt;Naquele dia em especial, tinha planos para me livrar da última coisa que havia sobrado: o pequeno colar de cerâmica que você me deu. Tinha planos de arremessá-lo nos trilhos do metrô. Para ver ele se espatifar no chão e depois ser atropelado. Mas fiquei com medo de me passar por louca e então guardei o colarzinho no fundo da bolsa. Desisti de ir de metrô para o trabalho.&lt;br /&gt;Estava difícil jogar o colar. De certa forma ele persistia pendurado no pescoço da minha esperança. E ela, mais insistente do que a minha sanidade, persistia em te esperar na janela.&lt;br /&gt;Nessa hora eu pensava em você. Mas a pequena menina me interrompeu. Tirei meus fones do ouvido e ela me olhou bem no fundo dos olhos, com um olhar tão direto, que parecia saber onde morava a minha dor. Então ela me disse:&lt;br /&gt;- Tia, compra uma bala?&lt;br /&gt;Mas eu não respondi. Abri a bolsa e tirei o colar. Entreguei-o a pequena menina, que estupefata sorriu de satisfação. Como se nunca tivesse ganhado um presente ela me agradeceu com a alma. Insistiu para que eu ficasse com a bala, mas eu não fui negligente, já lhe devia por ela levar embora minha dor. Eu também lhe agradecia por levar embora minha esperança, e sem crueldade, me retribuir com um sorriso.&lt;br /&gt;Coloquei de volta os fones. Por sorte, ou feliz ironia, tocava Cartola...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;“A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida. Fim da tempestade o sol nascerá, fim dessa saudade, hei de ter outro alguém para amar&lt;/em&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2153338107491717470?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2153338107491717470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2153338107491717470' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2153338107491717470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2153338107491717470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/05/sorrir.html' title='A sorrir'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8871230314940769922</id><published>2009-05-03T21:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-03T21:50:14.721-07:00</updated><title type='text'>A minha cidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;(“Alguma coisa acontece no meu coração/ Que só quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João/ É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi/ Da dura poesia concreta de suas esquinas/ Da deselegância discreta de suas meninas” Sampa - Caetano Veloso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 18h30. A impressão que tenho é que tudo se resume a uma dança aflitiva. Todos colaboram para compor um espetáculo de histeria em comunhão. Seguem desafrochando as gravatas, correndo para se amontoarem nas imensas filas do metrô. Fecham-se as gavetas, batem-se os pontos. Todos têm pressa. Os carros berram impacientes. Buzinas estupradas em pleno entardecer. Todos têm ânsia de se libertar desse concreto chamado trabalho. Pés que caminham com virulência contaminam as ruas.&lt;br /&gt;É véspera de feriado. Do dia do trabalho. E São Paulo é contradição. Os saltos são substituídos por tênis. Todos têm uma rota de fuga, frustrada no encontro marcado com o trânsito. Querem então fugir. Para o descanso em algum lugar que haja mar, que não seja de gente. Para algum lugar onde haja estrelas e o céu seja, pelo menos, mais baixo. Pelo menos, mais justo. Todos querem possibilidades de uma vida menos mecânica, menos sem graça, feito essa que desperdiçamos em copos de plástico preenchidos com café.&lt;br /&gt;São Paulo, assim, se esvazia, quando tenho a certeza de que já me enchi.&lt;br /&gt;São 18h30. A impressão que tenho é que tudo se resume a uma dança coletiva. Pessoas brotam de baixo da terra para lotar a Avenida São João. A cidade vira e é Virada, por malabares suspensos no céu que despejam graça e ganham aplausos. São Paulo então se enche de música, de gente, de poesia e de vida.&lt;br /&gt;Ao enveredar-me por entre os prédios velhos e as pombas, tenho a sensação de que alguma espécie de revolução aconteceu. Enfim somos todos iguais. Pagando nossos pecados sobre as mesmas músicas. Somos mendigos, bêbados e putas desafiando uma nova paisagem colorida para um lugar cuja personalidade é cinza.&lt;br /&gt;Nas ruas não existem carros, só gente. Multidões que celebram uma descontração nada habitual. Caminhamos entre o lixo. Porque somos lixo. Humano. Urbano. E da sucata que vira arte, nasce então a expressão. Faz sentido. Alguma coisa acontece no meu coração.&lt;br /&gt;São Paulo então me enche e me preenche, quando tenho a certeza de que me deparo com o meu próprio vazio.&lt;br /&gt;Definitivamente, essa é a minha cidade.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8871230314940769922?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8871230314940769922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8871230314940769922' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8871230314940769922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8871230314940769922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/05/minha-cidade.html' title='A minha cidade'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6201034166305230769</id><published>2009-04-20T18:34:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T18:59:24.590-07:00</updated><title type='text'>Manteiga</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;("Sim. Eu estou tão cansado. Mas não para dizer. Que eu não acredito mais em você." &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:130%;"&gt;Vapor Barato - com Zeca Baleiro no vocal)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Um pedaço de sol invadia o meu quarto por uma pequena fresta da janela. Minhas pálpebras, eternamente preguiçosas, se contorciam, tentando ignorá-lo. Mas era tarde demais. O sol trazia o dia seguinte.&lt;br /&gt;Sem o álibi do álcool, sem a sede do desejo, não precisávamos mais nos disfarçar de amantes. Éramos agora comuns. Descabelados, amassados e com bafo. As roupas espalhadas pelo chão. Nossa paixão enforcada no meu roupão. Eu sigo até o chuveiro. Quero me lavar inteira de você. Quero todos os meus poros de volta. Quero acordar livre e só, como me sinto todos os dias.&lt;br /&gt;Enquanto meus pensamentos me protegem e o sabão escorre por mim, você me surpreende abrindo a porta do banheiro. Todo meu medo não é suficiente para me impedir de sorrir. Adoro seu entusiasmo pela manhã. Adoro o folk que você põem para tocar na sala.&lt;br /&gt;- Onde você guarda o café?&lt;br /&gt;- Você não pode fazer café da manhã para mim...&lt;br /&gt;- Porque não?&lt;br /&gt;- Porque isso é coisa de apaixonado e você não pode se apaixonar, lembra? Eu não presto.&lt;br /&gt;- Quem disse que eu vou fazer café para você? Vou fazer para mim... Estou com fome... Onde você guarda o café?&lt;br /&gt;Ele sorri com ironia.&lt;br /&gt;- No armário em cima da pia...&lt;br /&gt;Enquanto eu me enxugo, escuto o tilintar das panelas, a água esguichando na chaleira e o som estridente do acendedor do fogão.&lt;br /&gt;- Onde está o açúcar?&lt;br /&gt;-Não tenho açúcar...&lt;br /&gt;-Como não?&lt;br /&gt;-Eu sou menina. Só tenho adoçante.&lt;br /&gt;- Que porra é essa? Você não tem açúcar em casa?&lt;br /&gt;- Não. Mas se você quiser eu posso pedir para o vizinho. Ele é gatinho... Adoro pedir açúcar para ele.&lt;br /&gt;Ele me olha com desdém.&lt;br /&gt;- Não fica com ciúmes que isso é coisa de apaixonado e eu já disse que não presto.&lt;br /&gt;Ele abre a geladeira e exclama:&lt;br /&gt;-Não me diga que você não tem manteiga?&lt;br /&gt;-Óbvio que não...&lt;br /&gt;- O que você passa no pão?&lt;br /&gt;- Queijo cottage...&lt;br /&gt;- Que porra é essa?&lt;br /&gt;- Uma porra com menos calorias, menos colesterol e muito mais saudável que manteiga.&lt;br /&gt;- Humpf! O que você vai querer?&lt;br /&gt;- Iogurte com frutas picadinhas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Faço charme como se tivesse cinco anos de idade...&lt;br /&gt;- Você jura que vai me fazer picar as frutas?&lt;br /&gt;Faço bico. Faço dengo. Ele cede.&lt;br /&gt;O folk acaba. O pão acaba. O café é engolido. Ele parte para o seu mundo. Eu sigo com o meu. Não precisamos da fantasia de amantes. Somos agora reais. E não penso mais. Sossego meu coração das expectativas.&lt;br /&gt;Depois de meses, um dia no supermercado, bem no alto da prateleira gelada, sinto algo revirar por dentro. Algo parecido com ternura. Algo parecido com carinho. Algo que só poderia estar na última prateleira gelada, acima dos iogurtes. A manteiga sorri para mim. Eu debocho dela. Finjo esquecer, mas o pensamento me leva logo a você. Finjo esquecer de novo. Mas as mãos se deslocam e a coloco no carrinho. Levo para casa, como queria te levar também.&lt;br /&gt;Guardei a manteiga no fundo da minha geladeira, mas me pergunto até agora, porque raios eu não deixei no freezer.&lt;br /&gt;Lembra daquela festa? Será que você se lembra? Porque foi então que você me convidou? Lembro da sua indiferença. Dos seus olhos fugidos. E da minha incompreensão. Lembro que te vi depois de muitas tequilas abraçado com outra mulher. E a julgar pela intimidade dos carinhos, pude concluir facilmente que não se conheciam há pouco. Permaneci estática, perguntando quanto a gente conhece de alguém, só porque o vê estrebuchar de tesão entre as suas pernas. Eu não te conhecia mas eu queria aplaudir o seu teatro. Queria rasgar sua fantasia. Mas não fiz nada além de correr. Corri de vergonha. Corri de medo. Corri apavorada. Corri até chegar em casa.&lt;br /&gt;Quando cheguei, deixei a porta bater. Desci do salto. E senti meu peito palpitar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Ainda no escuro segui até a cozinha. Abri a porta da geladeira e atrás da penumbra, pude perceber que ela permanecia lá, no fundo da prateleira. Podia, facilmente se confundir com a minha esperança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Não. Eu não chorei. Eu não senti raiva. Eu não senti dó. Nem de mim mesma.&lt;br /&gt;Só me lembro de sentir um cansaço muito grande. Desses que fazem a perna fraquejar. Desses que fazem o sol não querer nascer. Por mais nenhum dia seguinte.&lt;br /&gt;Peguei a manteiga, deixei que ela caísse no fundo da lixeira. Ouvi o som oco do pote que alcançava o fim. E sem conseguir explicar, senti a mesma coisa dentro de mim.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6201034166305230769?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6201034166305230769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6201034166305230769' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6201034166305230769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6201034166305230769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/04/sim.html' title='Manteiga'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1749126863843498874</id><published>2009-04-11T16:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-15T18:15:27.578-07:00</updated><title type='text'>Conversa com um homem casado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;(&lt;em&gt;I'm a just a little girl, who's looking for a little boy, who's looking for a girl to love - Ella Fitzgerald "Looking for a boy")&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Do outro lado de um salão escuro, atrás da penumbra e da fumaça de cigarro, Ele a olhava incessantemente e com desejo. Ela, que gostava de brincar de desentendida nessas horas, desfazia-se em caras e bocas, fingindo-se entretida com a conversa de outro alguém. Cervejas. Mais cervejas. E risos. Gargalhadas...&lt;br /&gt;Sem pedir licença e com a astúcia de quem sabe jogar, Ele se aproxima e pergunta:&lt;br /&gt;- Sagitário?&lt;br /&gt;Ela, sem entender muito e um pouco zonza por conta das cervejas, lhe responde:&lt;br /&gt;- Hum?&lt;br /&gt;- Sagitário. O seu signo. Não é?&lt;br /&gt;- Como você sabe?&lt;br /&gt;- Seu jeito. Bem charmoso...&lt;br /&gt;Uma resposta a queima roupa já era o suficiente para lhe deixar desconcertada, mas sem perder a compostura, respondeu:&lt;br /&gt;- Olha, não acredito em videntes... Você estava prestando atenção na conversa alheia... Que coisa mais feia!&lt;br /&gt;- Não consegui tirar os olhos de você... Eu te conheço?&lt;br /&gt;- Imagino que não. Mas já assisti alguns shows seus... Sou amiga do baixista. (Ele era o baterista)&lt;br /&gt;- Estranho eu nunca ter te visto. Ou reparado. Você é muito linda.&lt;br /&gt;-Você é muito explícito.&lt;br /&gt;- Você ainda não viu nada...&lt;br /&gt;Ele era absolutamente hipnotizante. Olhos verdes que despiam a alma. Barba por fazer que já deixava tudo feito. Perfeito. Jeans surrado, tênis calçado. Tinha um tempero de moleque. Tinha um perfume de homem. Se fosse um substantivo, seria masculino e singular: “tesão”. Se fosse um adjetivo, era “lindo” e ponto final.&lt;br /&gt;- Não sei se quero ver.&lt;br /&gt;Por óbvio aquela era uma frase solta, sem sentido e sem corresponder com a real veracidade de seu interior entorpecido por aquele sujeito.&lt;br /&gt;- Posso te beijar?&lt;br /&gt;- Mas assim?&lt;br /&gt;- É ó...&lt;br /&gt;Os lábios se aproximam. Os olhos se fecham. E a mente então, reflete um flash... Ela desvia o rosto.&lt;br /&gt;- Você não quer?&lt;br /&gt;- Escuta, quando você tocava na banda há um tempo, você tinha uma namoradinha... Aliás, vocês eram um casal muito bonito. Você está solteiro? O que aconteceu?&lt;br /&gt;O atirador de respostas a queima roupa se mantém calado.&lt;br /&gt;Meio sem jeito e absolutamente sem coragem ela pergunta:&lt;br /&gt;- Não me diga que você casou?&lt;br /&gt;Ele finalmente rompe o silêncio e retruca:&lt;br /&gt;- O que você chama de casar?&lt;br /&gt;- Morar junto.&lt;br /&gt;- Então casei.&lt;br /&gt;Ela não consegue esconder o descontentamento e responde com fúria:&lt;br /&gt;- E que porra você está fazendo aqui?&lt;br /&gt;Ele responde com tanta sinceridade, que as palavras beiram o cinismo:&lt;br /&gt;- Eu acho importante beijar outras mulheres.&lt;br /&gt;Atônita Ela se perguntava incessantemente que tipo de brincadeira de mau gosto era aquela.&lt;br /&gt;- Olha, fui criada numa moral católica fodida. Não trabalho com homens casados.&lt;br /&gt;- Você deve estar me achando um filho da puta.&lt;br /&gt;- Eu não tenho cara de tribunal ou de juíza, tenho?&lt;br /&gt;- Olha não me julgue...&lt;br /&gt;- Também não tenho cara de psicóloga, certo?&lt;br /&gt;- Eu amo a minha mulher. Só decidimos levar um relacionamento aberto...&lt;br /&gt;- Hu hum...&lt;br /&gt;- Eu a trato como uma rainha...&lt;br /&gt;- Espero que ela goste da coroa de chifres... Eu não gostaria.&lt;br /&gt;- Eu sempre me dou mal porque conto a verdade. Mas eu sei que você queria. E eu continuo te querendo. Absurdamente.&lt;br /&gt;- Agressivamente... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;br /&gt;- Me dá seu telefone? Por favor?&lt;br /&gt;- Não rola.&lt;br /&gt;Ela havia ficado em um extremo mau humor.&lt;br /&gt;- Olha, desde que eu te vi entrar aqui estou com os olhos grudados em você. Um beijo, não pode ser tão ruim...&lt;br /&gt;- Perdi a vontade, você pode voltar para sua bateria agora... - Mas porque?&lt;br /&gt;- Você é lindo, ok? Absolutamente lindo. Tem cara de desejo. Barba de desejo. Jeito de desejo. Eu beijaria você facilmente. Mas hoje não, tá?&lt;br /&gt;- Mas porque não?&lt;br /&gt;- Porque eu preciso acreditar em algum romance. Em qualquer um. De véu e grinalda e com votos de eternidade.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1749126863843498874?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1749126863843498874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1749126863843498874' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1749126863843498874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1749126863843498874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/04/conversa-com-um-homem-casado.html' title='Conversa com um homem casado'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-5905494172713124081</id><published>2009-04-01T20:39:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T20:44:24.507-07:00</updated><title type='text'>Sobre o fordismo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;"Se ama e se tortura/ Se tritura, se atura e se cura/A dor/Na orgia/Da luz do dia/É só/O que eu pedia/Um dia pra aplacar/Minha agonia."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;(Chico Buarque - Basta um dia)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;O fordismo deu errado, porque não foram produzidos Chicos em série. E o mundo (na minha opinião) precisava.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-5905494172713124081?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/5905494172713124081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=5905494172713124081' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5905494172713124081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5905494172713124081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/04/sobre-o-fordismo.html' title='Sobre o fordismo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3670429576627369954</id><published>2009-03-31T21:39:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T06:51:38.007-07:00</updated><title type='text'>Frágil</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Sobre a mesa, além da cerveja que descongelava, derretia uma conversa cheia de farpas e rancor. Talvez um pouco de tesão recolhido trouxesse alguma magia para os olhares que se entrelaçavam com um certo cuidado. Até que de repente, Ele desaba o escudo sobre o campo de batalha e diz: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Sabe qual é o seu problema? O seu problema é que você assusta na mesma intensidade que apaixona. Eu olho você encantado e tenho vontade de fugir ao mesmo tempo. Porque você diz o que pensa, dirige seu próprio carro, paga suas contas, tem sua profissão. Você faz curso de mecânica e de culinária e depois ainda faz as unhas. É como se você não precisasse de ninguém, entende? É como se você não fosse frágil. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Frágil. Frágil. F-R-Á-G-I-L. Fráááááágggggiiiiiilllllllll.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela palavra ecoava dentro dela com a mesma intensidade de uma grande moeda que caiu sobre um bueiro há tempos abandonado. Aquela palavra. Aquela simples palavra abriu então aspas para o seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Frágil. De fato não se lembrara a última vez que havia se sentido assim. Talvez há muito tempo. Não era boa com datas. Ahhh sim... Aquele dia. Aquele dia era um bom dia para se dizer que havia sido frágil.&lt;br /&gt;Contava há época com dezenove anos. Havia saído de casa há pouco e ainda era novata para dividir uma vida consigo mesma.&lt;br /&gt;Um belo dia, desses dias em que a vida parece comum, recebeu uma visita pouco esperada e nada bem vinda de um inseto marrom e asqueroso que descansava imponente sobre o centro da sala. Sim, era uma barata.&lt;br /&gt;Seu primeiro impulso, frágil menina que era, foi gritar desesperadamente na esperança de que uma mão máscula movesse um chinelo 43 objetivamente com o intuito de massacrar a pobre criatura. Mas os berros persistiram, a garganta secou e a situação não mudou. Berrou mais um pouco. Dessa vez por não saber o que fazer. Sentia a sua fragilidade pulsar nas cordas vocais, mas a situação permanecia a mesma e a barata ali, imóvel.&lt;br /&gt;Na terceira tentativa de gritar, algo dentro de si rompeu furiosamente. Virou-se. Abriu a porta do armário. Retirou um de seus chinelos de plástico e arremessou ao encontro da criatura marrom. O tiro certeiro fez um som estranho, e sobre o chinelo atirado ao chão surgiu uma pequena gosma e junto dela uma criatura estrebuchando desesperadamente. Assistiu aquela morte incrédula. Não pela pobre barata que agora dava o seu último suspiro. Mas porque percebia dentro de si algo novo. Uma força bruta. Estranhamente nova. Incompatível com uma mulherzinha indefesa que poderia ser.&lt;br /&gt;Depois da barata, então, um dia queimou a luz do banheiro. E depois o chuveiro. E depois o pneu do carro furou. E como na situação da barata, nenhuma mão máscula havia aparecido para resolver o problema.&lt;br /&gt;E depois vieram outros problemas, como acordar sozinha depois de um pesadelo. Ou ter um dia difícil no trabalho e chorar para as paredes. Ou ainda ficar doente e ir até a farmácia buscar o próprio remédio. Ou chegar em casa cansada e encontrar uma geladeira vazia. Ou acabar o papel higiênico.&lt;br /&gt;Não, a vida não é frágil quando é tudo de verdade. E por isso, ela havia aprendido a dirigir seu carro, para buscar seu próprio remédio. Por isso, havia arrumado seu emprego, para pagar suas contas. Por isso dedicou parte de sua vida à uma profissão e uma pequena parte de sua vida para fazer as unhas. Por isso aprendeu a falar o que pensava, para não dormir com nada para engolir. Por isso atirou o primeiro chinelo. Por medo que a fragilidade empacasse seu destino. E seguiu.&lt;br /&gt;Mas muito além daquela máquina mortífera e assassina, capaz de trucidar baratas e porque não homens, haviam sonhos de papel. Papel de carta. Coisa de menina. Sonhava com alguém que lhe protegesse não das baratas, mas da fragilidade de ser naturalmente uma mulher.&lt;br /&gt;Como não sabia explicar. Ou talvez transparecer. Ou talvez a vida sequer lhe permitisse isso. Permaneceu ali, catatônica, lembrando do chinelo, da barata, do que realmente era frágil e...”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Alô? Planeta Terra chamando... Você está ai?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Opa! Desculpa... É que eu estava pensando...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pensando em que? Desculpa se eu te magoei, olha... Eu realmente me apaixonei por você e...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pensando que mulher é um bicho muito, mas muito burro mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Hum?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim, somos burras! A gente acha que homem tem medo de casamento e de dedo no cú. Mas nunca, nunca, nunquinha mesmo, a gente imaginou os homens iriam ignorar que ainda somos frágeis, só porque tem medo de mulher independente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3670429576627369954?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3670429576627369954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3670429576627369954' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3670429576627369954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3670429576627369954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/03/fragil.html' title='Frágil'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2959649839487640634</id><published>2009-03-16T20:54:00.000-07:00</published><updated>2009-03-21T15:19:37.504-07:00</updated><title type='text'>Projetos em layout novo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Estou aqui olhando para tudo... Meio embasbacada sabe? Achando demais o meu template novo... Morrendo de vontade de escrever um milhão de coisas novas... Tipo criança que acabou de ganhar a bicicleta no natal e quer andar a vizinhança toda (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o template é fruto do trabalho de duas pessoas incríveis: Fabio Salva e Sayuri. Meu, um milhão de obrigados para vocês!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que os leitores tb gostem!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bjones&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2959649839487640634?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2959649839487640634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2959649839487640634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2959649839487640634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2959649839487640634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/03/projetos-em-layout-novo.html' title='Projetos em layout novo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-253858464151005672</id><published>2009-03-04T18:20:00.000-08:00</published><updated>2009-03-21T15:20:24.407-07:00</updated><title type='text'>Cinderhelga em: "A preguiça"</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Era mais um dos dias existencialíssimos da Helgolândia, em que Cinderhelga suspirava na torre mais alta de seu castelo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Bom dia Cinder! Você não acha hoje está um lindo dia aqui na Helgolândia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinderhelga: - Humpf!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Nossa, Cinderhelga, que desânimo é esse alteza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Não é desânimo, Bobo, é preguiça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Preguiça? Preguiça do quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Preguiça de me apaixonar de novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Hum?? Como assim??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - É Bobo... Essa ladainha toda de beijar sapo, achar príncipe, esperar telefonema e flores, viver em busca de um final feliz, casar de véu e grinalda... Essa história de se apaixonar e botar a felicidade em alguém que vem te buscar de cavalo branco para te salvar de todas as mazelas do mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - E o que tem tudo isso? Todas as princesas fazem isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Mas isso tudo é um saco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Eu te falei. Desde que você deu essas férias doidas para o Coração, você ficou muito amarga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Não é amarga, Bobo! É que eu realmente ando pensando nisso tudo e cheguei à conclusão que essa sina ser princesa e buscar príncipe e beijar sapo e achar que sem príncipe você não é feliz para sempre, isso tudo é um saco!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - E então porque você não tira umas férias também e passa um tempo em Solteirópolis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Deus que me livre!!! Você já foi para aquele lugar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Pois bem, é um bando de princesas desequilibradas, que ficam dando para meio mundo, como se isso fosse atestado de independência. Eu não quero que a minha vagina seja um dossiê público e muito menos que seja ela a razão da minha liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Então você deveria conversar mais com outras princesas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Bem, a Branca de Neve está traindo seu príncipe com um anão porque acha que o seu relacionamento ficou monótono. A Bela Adormecida só dorme de tédio pois não agüenta mais o seu príncipe que depois do “final feliz” não faz mais sexo e nem jantares românticos. A Rapunzel quase se enforcou nas próprias tranças pois acha que seu príncipe prefere um jogo de futebol à ela... Resumindo, ninguém esta feliz com esse lance de ser princesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Será que isso é uma espécie de crise nos contos de fadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Eu não sei Bobo, mas eu fico tentando imaginar: “ E se não existisse príncipe?” será que ficar sozinha para sempre seria algum sinônimo de final infeliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Você não está pensando no que eu estou pensando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Em comprar um cachorro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo acenou positivamente com a cabeça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Óbvio que não... Estou pensando se não é possível ver as coisas com um olhar diferente, sabe? De príncipe em príncipe a nossa felicidade começa a ficar muito distante e ilusória... E aí criamos um pânico da solidão. Mas é uma solidão que a gente inventa, porque acha que não dá para ser feliz para sempre se não encontrar um príncipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Mas você vê alguma solução para as princesas de todos os contos de fadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Talvez se elas começarem a se interessar por futebol...&lt;br /&gt;Ambos caíram na gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Cinder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Diga, Bobo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Posso te pedir uma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Pode...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Trás o Coração de volta para Helgolândia??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Porra, Bobo, fala sério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Por favor... (cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder: - Bobo, o Coração faz muita besteira na Helgolândia, ele sempre tira o Reino do lugar... Você sabe o quanto ele é explosivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobo: - Pelo menos para nos fazer companhia para assistir os jogos da Copa América?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinder – Engraçadinho! Tá, ta bom... Eu vou pensar... Princesa é foda. A gente nunca resiste a um bobo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E partiram sem mais conclusões sobre os príncipes e os finais felizes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-253858464151005672?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/253858464151005672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=253858464151005672' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/253858464151005672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/253858464151005672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/03/cinderhelga-em-preguica.html' title='Cinderhelga em: &quot;A preguiça&quot;'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3836434581230840459</id><published>2009-02-15T19:15:00.000-08:00</published><updated>2009-03-21T15:20:55.490-07:00</updated><title type='text'>Querido Sr. Freud ( a grande questão)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Quatro cervejas. Quatro cervejas e nada mais. Ela tinha mais do que o suficiente para perder a vergonha e enfim, perguntar.&lt;br /&gt;- Você é gay, não é?&lt;br /&gt;- Sim... – Ele respondeu despretensiosamente.&lt;br /&gt;- Então me responde uma coisa?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;- Veja bem, é uma pergunta indiscreta...&lt;br /&gt;- Diga – Ele respondeu dando um sorriso, como se já estivesse habituado a perguntas indiscretas.&lt;br /&gt;- Se o seu namorado brochar, o que você faz?&lt;br /&gt;- Hum? – Ele a olhou com uma cara de interrogação.&lt;br /&gt;- Sim, se o seu namorado brochar o que você faz? Você pode não saber, mas essa é uma das situações mais complicadas de uma mulher lidar. Você nunca sabe o que faz. Se for carinhosa, pode ser que o cara ache que você menospreza a potencia dele. Se fingir que nada aconteceu, ele pode se sentir pior. Conversar também costuma aumentar o desconforto. Bom, você e seu namorado são homens, devem saber como lidar com essa situação de uma maneira mais tranquila...&lt;br /&gt;- Ah... – Ele bocejou – Sabe que isso nunca me aconteceu antes?&lt;br /&gt;Então ela se perguntou – quem sabe Freud explicaria – "Porque nessas horas até os gays respondem como homens? ".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Concluiu que os gays não são a tecla "sap" para o desentendimento entre os sexos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3836434581230840459?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3836434581230840459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3836434581230840459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3836434581230840459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3836434581230840459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/02/querido-sr-freud-grande-questao.html' title='Querido Sr. Freud ( a grande questão)'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4086452297255899284</id><published>2009-02-07T15:25:00.000-08:00</published><updated>2009-03-21T15:21:26.630-07:00</updated><title type='text'>Dona Isabel e minhas crises com o trabalho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;"Talvez se nunca mais tentar. Viver o cara da TV. Que vive a vida sem suar. Que ganha aplausos sem querer"&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:130%;"&gt;(Cara estranho - Los Hermanos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Todos os dias ela entra na minha sala, de maneira tímida, vestindo suas luvas amarelas e segurando um grande saco de lixo.&lt;br /&gt;Dona Isabel é uma senhora negra, de sorriso fácil e não esconde o desgaste do tempo. Vestindo seu par de óculos azuis, ela bate na porta de vidro e discretamente entra depois de eu acenar:&lt;br /&gt;- Com licença doutora?&lt;br /&gt;Eu logo respondo de um modo espalhafatoso, colocando o telefone no gancho:&lt;br /&gt;- Dona Isabel! Que alegria a Senhora por aqui! Entra, senta, toma um café! Me fale dos seus problemas, vamos ver as medidas judiciais cabíveis...&lt;br /&gt;Ela dá uma gargalhada gostosa:&lt;br /&gt;- Eh, Helga, você não tem jeito!&lt;br /&gt;Rio do seu jeito envergonhado e logo pergunto:&lt;br /&gt;- E aí, tudo bom com a senhora? Olha só: estou de parabéns não fiz muito lixo hoje! – (Levanto a minha lata. Dona Isabel já conhece os meus discursos quanto o desperdício de papel do mundo advocatício. Fico contente quando ela me dá bronca pelo fato da lata estar cheia de papel. Dona Isabel é sustentável).&lt;br /&gt;Ela dá uma gargalhada de novo e sacoleja a cabeça. Despeja o pouco do conteúdo que consegui juntar arduamente. Dona Isabel não sabe, mas há dias que tenho vontade de jogar a advocacia inteira no lixo e pedir para ela levar. Dona Isabel não sabe, mas há dias em que tenho vontade de sair correndo do escritório.&lt;br /&gt;- E ai? Como vão as coisas? E o pé? Melhorou? (Dona Isabel tem um problema crônico de inchaço no tornozelo direito que ela sempre me conta a respeito. E eu desconfio que ela gosta muito da atenção que lhe dou).&lt;br /&gt;- Vixe, não melhora fia! Fui no médico e ele disse que é problema na junta e talvez precise operar.&lt;br /&gt;- Junta tudo e não dá em nada... Eu acho que eu também tenho esse problema...&lt;br /&gt;Dona Isabel ri de novo.&lt;br /&gt;- Sabe, Helga, eu queria fazer um curso...Para ter mais chances na vida, porque isso aqui às vezes é ingrato demais.&lt;br /&gt;Sinto um aperto imenso no peito nessa hora. Maior do que o aperto que sinto quando me pergunto se era ser advogada mesmo que eu queria dessa vida.&lt;br /&gt;- Jura? E se a senhora tivesse chance, que curso faria?&lt;br /&gt;- Ah! Eu ainda ando pensando muito sobre isso...&lt;br /&gt;- Quer virar advogada?&lt;br /&gt;Ela me olha espantada e exclama:&lt;br /&gt;- Deus que me livre!&lt;br /&gt;Caio na gargalhada e lhe digo:&lt;br /&gt;- Mas porque?&lt;br /&gt;- Ah! Primeiro porque advogado só gosta de problema e segundo porque eles só querem complicar as coisas.&lt;br /&gt;Dou outra gargalhada. Definitivamente Dona Isabel é muito sábia.&lt;br /&gt;- Ta certa Dona Isabel!&lt;br /&gt;- Acho que eu faria um curso de dança. Para dançar samba rock. Mas esse meu pé nunca vai deixar...&lt;br /&gt;- Que isso Dona Isabel! Vira essa boca para lá! Logo, logo a senhora vai ficar boa! Tenho certeza.&lt;br /&gt;- Se deus quiser...&lt;br /&gt;Dona Isabel vira-se e pede licença novamente. Enquanto ela fecha porta eu sinto uma tranqüilidade indescritível.&lt;br /&gt;Dona Isabel não sabe, mas junto com o lixo leva metade das minhas crises embora. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4086452297255899284?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4086452297255899284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4086452297255899284' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4086452297255899284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4086452297255899284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/02/dona-isabel-e-minhas-crises-com-o.html' title='Dona Isabel e minhas crises com o trabalho'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-9214302579749836805</id><published>2009-02-01T10:45:00.000-08:00</published><updated>2009-03-21T15:21:52.348-07:00</updated><title type='text'>Azul</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;Queria mesmo era correr. Pra qualquer outro lugar. Mas na ausência da liberdade, resolveu ficar. E escrever tudo sobre novas cores.&lt;br /&gt;Pelo que ainda pode ser azul.&lt;br /&gt;Sempre.&lt;br /&gt;Projetos em azul então.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-9214302579749836805?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/9214302579749836805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=9214302579749836805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/9214302579749836805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/9214302579749836805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/02/azul.html' title='Azul'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7530793149184754755</id><published>2009-01-28T18:49:00.002-08:00</published><updated>2009-03-21T15:22:38.534-07:00</updated><title type='text'>Café com passado</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;"&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Não há porque chorar por um amor que já morreu. Deixa pra lá, eu vou, adeus. Meu coração, já se cansou de falsidade"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;strong&gt;(Santa Chuva, Marcelo Camelo)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ele tamborilava os dedos, impaciente, sobre a mesa. Ela não fazia questão do atraso, mas sabia que ele era naquele momento necessário. Por óbvio, Ele não sabia que aquele encontro era precedido de olhadas estratégicas e sucessivas no espelho. Definitivamente a inteligência dos homens é simples e curta nessas questões. Mas Ela havia pensado no perfume, na roupa, no batom e fez questão de pentear as sobrancelhas. Ela queria estar linda e imponente, feito o orgulho é.&lt;br /&gt;Como havia meses que não se viam, nem tampouco se falavam, aquele encontro era marcado por uma insegurança perante as sensações. Não sabia quanto Dele ainda mexia por dentro e, esse sentimento, naturalmente causara-lhe um certo temor, que vinha acompanhado de doses não homeopáticas de saudades.&lt;br /&gt;Encontraram-se. Ele impaciente. Ela imponente. E de um modo desajeitado se abraçaram. O tempo já havia secado as mágoas, então aquele encontro era acompanhado de boas intenções. Mas diante das mágoas ressequidas e dos sonhos frustrados, eram agora íntimos desconhecidos, tentando levar uma conversa truncada.&lt;br /&gt;Tudo durou tempo suficiente para se engolir duas xícaras de café. Falaram sobre as famílias, os amigos em comum e o trabalho. Comentaram sobre os filmes que haviam visto e os shows que andavam freqüentando. Riram da condição de solteiro.&lt;br /&gt;Ela lamentou o passado. Ele permaneceu silente. Sobre os seus olhos Ela reconhecia um estranho, incompatível com qualquer saudade. Era como se sentisse falta de outra pessoa. Outra pessoa que não estava mais ali, mas que permanecia com os mesmos olhos.&lt;br /&gt;Não, aquela historia não mais lhe pertencia. E não havia de sofrer com isso. Deixasse então ir...&lt;br /&gt;Despediram-se numa esquina. Na mesma esquina da rua em que ficava o restaurante, onde jantaram juntos pela primeira vez... Estranho. Sobre os caminhos opostos que seguiam, fazia sentido chorar e sorrir por tudo aquilo que não dura para sempre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7530793149184754755?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7530793149184754755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7530793149184754755' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7530793149184754755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7530793149184754755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/01/cafe-com-passado.html' title='Café com passado'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6389186817648751854</id><published>2009-01-21T19:13:00.000-08:00</published><updated>2009-03-21T15:23:10.913-07:00</updated><title type='text'>Cinema</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"&lt;em&gt;A vida vai seguir/Ninguém vai reparar/Aqui neste lugar/Eu acho que acabou/Mas vou cantar/Pra não cair/ Fingindo ser alguém que vive assim de bem."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Courier New;font-size:130%;"&gt;(Do pouco que sobrou - Los Hermanos)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os pés agitavam-se. Uma agonia pouco habitual estremecia tudo por dentro. E sobre os olhos, passavam jovens casais, mulheres sozinhas, executivos ávidos por distração e alguns gays. Mas ela permanecia ali. Na frente do cinema brincando com sua esperança, embora algo lhe dissesse que ele não viria. E havia motivos para isso.&lt;br /&gt;Tomou um pouco de coragem e pediu ao moço da porta para entrar e dar apenas uma leve espiadela. Explicara àquele estranho que aguardava alguém. Alguém que talvez não viesse. Mas o estranho, indiferente e postado sobre a porta, não lhe dera muita bola, estava mais preocupado em picar os bilhetes daqueles que entravam e a deixou passar.&lt;br /&gt;Mais uma vez truco. Ele não a esperava sequer ali, sentado, sobre qualquer cadeira. Ele simplesmente não estava.&lt;br /&gt;Os minutos no relógio passavam mais rápidos do que deveriam. E ela começou a cogitar que aquele seria o momento. O melhor momento. Para se perder o medo de ir ao cinema sozinha.&lt;br /&gt;Até que olhou a fila da bilheteria e lá estava ele. Vestido sobre o mesmo terno habitual e sem o mesmo sorriso. Engraçado. Até então nunca havia percebido que suas sobrancelhas às vezes lhe davam um aspecto tão pesado. Taciturno. Sim, taciturno era uma boa palavra.&lt;br /&gt;De uma maneira desengonçada se abraçaram. Seguiram para a fila e conversaram sobre algumas amenidades. Sentaram-se e enquanto as palavras demoravam a sair de sua boca, a luz se apagou. E o filme começou.&lt;br /&gt;Na verdade ela sentia vontade de dizer poucas coisas. Ou quase nada. Tinha medo de estragar tudo. Big mouth strikes again. Como a música do The Smiths que ele havia lhe apresentado.&lt;br /&gt;Mas se pudesse dizer algo... Bem, talvez ela diria que sentia muita falta da sua companhia. Mais do que dos beijos, dos abraços ou das intimidades. Mas não disse nada. Porque não cabia dizer.&lt;br /&gt;Às vezes no escuro os braços se aconchegavam sobre uma distância abissal que o tempo havia construído. Se aquilo algum dia foi amor, ela não apostaria. Apenas concluiria que aquilo era mesmo uma história. Uma história linda feito aquela que reluzia na tela do cinema e lhe provocava lágrimas tímidas, dessas que são feitas para ninguém saber.&lt;br /&gt;O letreiro então subiu. As luzes se acenderam. Se enfiaram, ambos, no meio de outras pessoas. Se esconderam de si. E mantiveram o silêncio.&lt;br /&gt;Se despediram com um abraço longo. E a história acabava no mesmo lugar em que havia começado.&lt;br /&gt;Você pode se revoltar por as coisas não serem como você gostaria que fossem. Pode duvidar do futuro. Maldizer o presente. Ou lamentar o passado. Brigar com o inevitável. Sofrer. Pode matar o tempo com as lembranças. Pode simplesmente não aceitar o tempo e as coisas que mudam diante dele. Pois o tempo muda, até as coisas que não deveriam mudar.&lt;br /&gt;E quando acaba. Porque simplesmente acaba. É preciso nada mais do que deixar ir. Seguir.&lt;br /&gt;Acompanhada de seus passos solitários e cotidianos, ela seguiu, pela mesma Avenida Paulista. Que iluminava tudo aquilo que chegava e partia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6389186817648751854?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6389186817648751854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6389186817648751854' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6389186817648751854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6389186817648751854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2009/01/cinema.html' title='Cinema'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7410949827901885662</id><published>2008-12-25T16:08:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T12:07:23.306-08:00</updated><title type='text'>Despedidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;"&lt;em&gt;Que beleza é conhecer o desencanto/ E ver tudo bem mais claro no escuro" &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(Imunização &lt;/em&gt;&lt;em&gt;racional - que beleza: Tim Maia)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Termino o ano com a cabeça cheia e o coração vazio. Pedindo arrego. Pedindo água. Pedindo descanso. Profundo.&lt;br /&gt;Vou fechando para balanço. Colocando meus sentimentos em promoção (Queima de estoque?).&lt;br /&gt;Eu me embrulho com fitas vermelhas, para esperar ninguém.&lt;br /&gt;Só quero estar só, em baixo de uma árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino o ano com pensamentos simples. Com verdades imperfeitas. E sem conclusões. Só quero um bom café e um pedacinho de chocolate para recuperar o equilíbrio. Quero seguir. E seguir. Em cima da minha bicicleta. Amando o vento que me refresca o rosto, a alma e me leva os pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino o ano suando, dançando e correndo. Prometendo que levanto as seis da manhã no dia seguinte, só para fazer tudo o que gostaria. Mas durmo tarde. Então eu compro frutas, por uma vida mais saudável. E acho que está tudo certo enquanto abro uma cerveja, Nina Simone arrebenta no rádio e eu faço alguma invenção culinária para mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino o ano, sem colocar a felicidade no passado, ou no futuro. É um erro muito grande não viver de verdade o presente. E me dou esse presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino o ano com os planos deixados de lado. Abandonados nos rascunhos em algum caderno velho qualquer.&lt;br /&gt;Cultivo apenas as esperanças. Aquelas que deixo brotando na sacada do solitário 8º andar do meu mundo.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7410949827901885662?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7410949827901885662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7410949827901885662' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7410949827901885662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7410949827901885662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/12/despedida.html' title='Despedidas'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4258819710018303829</id><published>2008-12-02T18:22:00.000-08:00</published><updated>2008-12-02T18:35:30.784-08:00</updated><title type='text'>Invenção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;"Levando em frente um coração dependente, viciado em amar errado. Crente que o que ele sente é sagrado. E é tudo piada." (Carente Profissional, Cazuza)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não se preocupe. A verdade é que nem te amo tanto assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;E, se ainda chegam mensagens apaixonadas no seu celular, ali, em plena madrugada, é porque meu coração já se embriagou com muitas cervejas. E coração de bêbado... Bom, você sabe... Precisa de um amor desesperadamente. Ainda que barato e rasteiro.&lt;br /&gt;O meu coração, que não é menos patético que o de ninguém, não sabe fazer diferente.&lt;br /&gt;Não. Não te amo tanto assim. E se sinto a sua falta é apenas para cobrir com saudade uma melancolia qualquer de um final de domingo. Gosto de te reinventar nessas horas e fico ali colorindo o que sempre foi preto e branco. Te digo até, que é um dos meus passa tempos favoritos.&lt;br /&gt;E se te escrevo, bom... É porque preciso de poesia. E você ali, sentado sobre o meu passado, sempre sorrindo, inevitavelmente me preenche com alguma inspiração. Ainda que tosca. Como um roteiro de novela das oito.&lt;br /&gt;Por isso te deixo ali, jogando cartas com a minha carência. Finjo inclusive que isso pode até me doer. E gosto de interpretar algum drama. O amor inatingível é sempre mais gostoso.&lt;br /&gt;Mas não te amo. Quero às vezes até me entregar para alguma saudade no fundo da alma, mas já não sinto nada. Só uma espécie de torpor que me deixa anestesiada por horas, até eu me convencer que sinto saudades de ter saudades de amar você.&lt;br /&gt;Passo pela banca de flores da Dr. Arnaldo e faço um imenso esforço para me lembrar de você. Esses dias até coloquei um lembrete na tela do computador, para quando eu passasse por lá eu sentisse falta das flores que você me deu. Mas eu passo e só me lembro de me encantar com os girassóis. Os minutos curtos que conduzem meu olhar passam rápido demais. E quando vi, não sofri por você. Sequer te procuro pelas ruas, ou sonho contigo.&lt;br /&gt;Vou aos mesmos lugares que você me levou. Acompanhada até de outros homens e nada, absolutamente nada, me comove.&lt;br /&gt;E por mais que eu tente. (No fundo, eu ainda queria te amar loucamente) fico ali, caçando paixão. Cutucando só para ver se meu coração ainda bate. Ou ressuscita.&lt;br /&gt;E quando canso. Porque fatalmente eu canso. Sinto saudades da coragem que eu tive de inventar um amor tão bonito para você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4258819710018303829?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4258819710018303829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4258819710018303829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4258819710018303829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4258819710018303829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/12/inveno.html' title='Invenção'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-5260740119211982402</id><published>2008-11-30T17:57:00.000-08:00</published><updated>2008-11-30T18:00:10.568-08:00</updated><title type='text'>Aos vinte e seis...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Aos vinte e seis anos você já se tornou intolerante o suficiente para beber cerveja quente no bar da moda.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos você já sabe que enfrentar uma balada em plena segunda feira pode custar caro durante toda a semana. Mas você ainda insiste em fazer algo do tipo, só para negar que ficar velho e cansado faz parte da brincadeira.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos, você já sabe que amor e sexo nem sempre dormem na mesma cama. Mas às vezes você se confunde só para ter mais emoção.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos você sabe que não encontrou o emprego da sua vida, faz cagadas por se achar muito experiente, mas dorme mais tranqüilo por saber que as coisas acontecem com o tempo e necessitam de dedicação.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos você sabe que o mundo evoluiu muito, mas ainda não inventaram nada tão foda quanto Beattles.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos você tem muitas dúvidas. E a maior delas é se você já amou realmente alguém na vida.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos, todo mundo quer ser independente. Mas já sabe que pedir ajuda, muitas vezes, é necessário.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos a sua liberdade é sonhada no limite do seu salário e baseada em alguma realidade.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos você já sabe que não vai mudar o mundo, então decide por uma empreitada mais justa, como tentar mudar a si mesmo esperando que isso faça bem ao mundo.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos, todo mundo tem medo de casar. Mas acredita que o amor deve sempre ocupar planos futuros.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos você sabe que nada melhor do que um boteco com os amigos para que a vida tenha algum sentido.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos, você acredita que as coisas que seus pais lhe diziam podem ter mesmo alguma semelhança com aquilo que se identifica como verdade.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos, você conhece mais de perto as conseqüências. E por essa razão simples, você entende que o futuro não é o melhor lugar para se depositar seus melhores dias. Nem os seus melhores sonhos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-5260740119211982402?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/5260740119211982402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=5260740119211982402' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5260740119211982402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5260740119211982402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/11/aos-vinte-e-seis.html' title='Aos vinte e seis...'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2380630267271281035</id><published>2008-11-07T20:01:00.000-08:00</published><updated>2008-11-07T20:03:44.688-08:00</updated><title type='text'>Eu mereço</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;font-size:100%;"&gt;Tudo azul/ No céu desbotado/ E a alma lavada/ Sem ter onde secar/ Eu corro/ Eu berro/ Nem dopante me dopa/ A vida me endoida/ Eu mereço um lugar ao sol/ Eu mereço... Cazuza – Carente Profissional)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;O triângulo soa. O triângulo sua. E a zabumba chama, para que então os corpos tomem a pista e falem por si.&lt;br /&gt;Não é preciso palavras. Só é preciso um pouco de cerveja gelada, para evitar que o corpo derreta por inteiro. E nesse espetáculo de sinais, meus pés correspondem, celebrando um maravilhoso frenesi.&lt;br /&gt;Eu rodopio. Eu danço. Eu faço. Passo de braço em braço, mas não paro de rodar em mim. E assim mesmo, eu me refaço e me desfaço, em um mesmo compasso. Já não tenho mais saudades de ti. (E sequer preciso.)&lt;br /&gt;Minha vontade é apenas de me entregar a vida que pulsa lá fora. Por que regar com lágrimas aquilo que morre aqui dentro?&lt;br /&gt;Talvez a vida só precise de uma sapatilha com solas de plástico, para que possa escorregar de maneira vadia por uma noite sem estrelas.&lt;br /&gt;O resto é aquilo que a gente se deixa merecer. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2380630267271281035?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2380630267271281035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2380630267271281035' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2380630267271281035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2380630267271281035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/11/eu-mereo.html' title='Eu mereço'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-9216103019959298928</id><published>2008-10-29T19:06:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T19:11:43.392-07:00</updated><title type='text'>Velocidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O despertador berra. Levanta, ascende o fogão e deixa aquecer a água do café. Liga o rádio e pensa que se esqueceu de comprar a manteiga. Toma banho, escova os dentes, passa o protetor solar, o fio dental e o batom. Ajeita o cabelo. Desliga a água, passa o café, torra o pão. Lamenta a manteiga. Escuta as notícias. Desliga antes de ouvir o final da novela “a crise americana”. Despenca no elevador e sente sono. Liga o rádio de novo, o motor, se esquece no meio de um monte de carros. Passa o cartão, abre a catraca, sobe de novo, digita mais uma senha. Abre-se a tela do trabalho, um milhão de e-mails a preenche. Mas ela se sente vazia. Faz uma lista de afazeres e cumpre a risca o desafio. Abre o Word, primeira tarefa. Manda um e-mail, atende o telefone, desliga, mais um e-mail, outro relatório, liga para o cliente, toca o celular. Sua mãe, perguntando se dormiu em casa ontem. Sim e de tão pesado o sono, distraiu e não sonhou. Desliga. Tic em menos uma tarefa. Delete. Insert. Control C. Control V. Ajeita o texto. Socorre a gramática. Levanta. Pega uma água. Senta na cadeira. Próxima tarefa. Hora do almoço. Chuva. Esqueceu o guarda-chuva. Esqueceu de pagar o gás. Engole a comida rápido. Desliza no meio da multidão. Esquece. Se esquece. Uma xícara de café forte para distrair o sono. Abre o documento. Toca o telefone. Fala com o chefe. Desliga. Outro e-mail. Respondido. Tic na outra tarefa. Relatório entregue. Reorganiza os prazos. Tic na tarefa. Toca o telefone. Imprime. A lei. Pega na impressora. Mais um café. Sem conversar. Faz um charme com o novo advogado. Comenta do tempo maluco e reclama da tosse. Volta para a sala e cala. Delete. Insert. Envia um e-mail. Toca o celular. Conversa do encontro do final de semana. Digita, simultaneamente, o final do memorando. Tic na tarefa. Lista comprida. Lista cumprida. Despenca do elevador. Vira a chave e liga o motor. Chega em casa e encontra o café frio. Lamenta a ausência de manteiga. Sente o sono. Toma mais um banho. Uma maçã antes de dormir e um chá para aquecer.&lt;br /&gt;Insert. Delete. Control C. Control V. Espaço. Caps lock. Esc. End.&lt;br /&gt;O coração sem comandos, devagar e lento, só olha para tudo o que brota alucinadamente. Lamenta sua falta de velocidade e pede paciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-9216103019959298928?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/9216103019959298928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=9216103019959298928' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/9216103019959298928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/9216103019959298928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/10/velocidade.html' title='Velocidade'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2350408714565072468</id><published>2008-10-26T20:01:00.000-07:00</published><updated>2008-10-27T17:31:09.313-07:00</updated><title type='text'>Na terceira pessoa. Do singular.</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;“Não se deve confiar nas pessoas que tem medo da solidão, pois elas, na verdade, nunca estão realmente sós. Usam de vários expedientes para preencher com homens, mulheres ou álcool o vazio da sua imaginação. Ignoram que, na verdade, a solidão não pode ser preenchida. Ela não tem fundo. De nada serve fugir dela. A solidão é um amante que precisa que lhe sejamos infiéis.”&lt;br /&gt;(Martin Page – A gente se acostuma com o fim do mundo)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Virou a chave e sentiu um leve arrepio sobre a espinha. Decidiu então&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; pisar com cuidado para que o choque não tão fosse doloroso. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sentia medo do que iria encontrar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A falta de hábito lhe trazia um grande desconforto. Mas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;não encontrou nada além da bagunça que se acumulara durante a semana. E a bagunça lhe era familiar, já que se assemelhava ao que tinha dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há tempos que a vida não parava para que uma sexta feira fosse enfim um lugar comum em seu cotidiano. Silenciosa, vazia e banal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Tirou os sapatos. Passeou com os dedos pela agenda do celular, procurando algum sentido. Poderia acabar com aquele silêncio em um toque, mas não queria. Queria ir ao encontro do seu silêncio, até que nele, finalmente encontrasse paz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Deixou os papéis trazidos do escritório sob o sofá. Caso a solidão se tornasse assustadora, chamaria o trabalho para entorpecer a cabeça. E o cérebro ocupado já era o suficiente para não sentir, embora uma suave letargia, aos poucos, corroesse sua menor vontade por sentir algo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em nome do corpo febril, enfiou guela a baixo um coquetel de anti gripais. Não tinha muitas forças para brigar com os estímulos lentos de seu corpo. Que os remédios se encarregassem dessa guerra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No canto da sala, a ferida exposta. A mochila intacta do último amor que havia embarcado. Decidiu que permaneceria ali por mais uns dias, até que a sua falta de coragem cansasse e enfim ela se sentisse determinada a esquecer. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto isso cultivaria o monumento à esperança perdida. E seguraria então as lágrimas. Não valia a pena. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O leite azedo e esquecido no bule. Na geladeira, uma coleção de frios na barriga e mofos. Prateleiras de amores inesquecíveis. Aquele também seria guardado, para depois empoeirar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Procurou, enfim, nas luzes de São Paulo alguma espécie de contentamento. Algum sonho que a fizesse sorrir. Ao menos momentaneamente. Mas eram só luzes de uma sexta feira quente, onde talvez a maioria das pessoas se refrescasse com um copo de cerveja gelada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas ela estava ali e ali ficaria por muito tempo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vivendo na terceira pessoa. Do singular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2350408714565072468?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2350408714565072468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2350408714565072468' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2350408714565072468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2350408714565072468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/10/no-se-deve-confiar-nas-pessoas-que-tem.html' title='Na terceira pessoa. Do singular.'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8210672977545408588</id><published>2008-10-01T21:02:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T21:04:45.437-07:00</updated><title type='text'>A triste história do fim</title><content type='html'>“&lt;em&gt;Nesse caso, aceite o destino e carregue-o com seu peso e sua grandeza, sem nunca se preocupar com a recompensa que possa vir de fora”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                                       (Rainer Maria Hilke)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Carros. Um milhão deles. E a paisagem de faróis inertes acolhia como ninguém a sua tristeza. Pela primeira vez não ligou o rádio para saber qual o melhor caminho. Não procurou novas rotas e não maldisse a sinfonia agonizante das buzinas. Pela primeira vez não desejou estar em outro lugar, senão ali, parada, no trânsito de São Paulo.&lt;br /&gt;A sensação de inércia nunca lhe parecera tão confortável. Talvez fosse a ausência de pressa em revê-lo. Não havia mais nenhuma sombra de ansiedade. De certa forma, não queria aquele encontro, mas sabia, com todas as suas forças que ele era necessário. Para traduzir com poucas palavras o que talvez nunca ninguém diga, ou explique. O final.&lt;br /&gt;Revisitou o fundo da alma buscando encontrar o medo de perdê-lo. Não mais habitava. Saberia que a felicidade de imaginá-lo para sempre lhe parecia mais como uma corrente do que um sonho, dos tantos sonhos que havia construído até então. Tudo ali, parado, desmoronava.&lt;br /&gt;Uma lágrima, duas ou três. Não queria brigar com o trânsito ou com as lembranças. Que deixasse então doer, e que cada uma delas formasse uma linda frase para um epitáfio. Porque brigar com o inevitável? Deixassem as buzinas gritar. Ecoassem dentro de si.&lt;br /&gt;Lembrou então das inúmeras brigas que presenciou ou seu lado no trânsito. Lembrou-se nitidamente da sensação de irritação que sentia. Precisava de raiva também para desconstruí-lo. Os carros parados eram a cena perfeita daquilo que não poderia esquecer. Raiva.&lt;br /&gt;Viu-se então amortecida pela solidão refletida no seu retrovisor. Segurou firme a direção e decidiu então perder a direção e não controlar mais nada. Havia cansado de brigar com seu cansaço. Queria sucumbir a ultima gota de esperança. Não iria mais esperar. Iria permanecer ali por horas, se sentindo impotente.&lt;br /&gt;Até não mais poder.&lt;br /&gt;Segunda, terceira e quarta marcha. Aos poucos os carros começaram a escoar por vias diversas e ela não teve alternativa senão buscar o seu próprio caminho.&lt;br /&gt;Chegando ao seu destino, tremeu. Quando apertou a campainha lhe ascendeu o último e inevitável suspiro. Esperou que ele abrisse a porta de banho recém tomado e, perfumado, lhe desse o abraço de sempre. Esperou que tirasse flores escondidas nas costas, para lhe dizer que era ela quem importava e que poderiam ao menos tentar. Mas a maçaneta girou e ela foi de encontro a sua velha e surrada calça de moletom. Na ausência da vontade e do cuidado, a saudade então abandonou. Sem tentativas. Sem tratativas.&lt;br /&gt;Não era necessário desenhar um ponto final. No final das contas, ele estava ali posto. As palavras eram quase desnecessárias. As lágrimas cobriram os hiatos. A dor ardia diante do destino. E o amor jazia, no meio da sala, duro e cianótico. Atropelado, moído e surrado e cansado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8210672977545408588?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8210672977545408588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8210672977545408588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8210672977545408588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8210672977545408588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/10/triste-histria-do-fim.html' title='A triste história do fim'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3348336349839260981</id><published>2008-05-23T09:15:00.000-07:00</published><updated>2008-05-23T09:16:12.831-07:00</updated><title type='text'>Socorro: contrataram a minha bunda!</title><content type='html'>Hoje é sexta feira. Uma linda sexta feira de sol e céu azul, precedida de um lindo feriado, de sol e céu azul. Nada é mais propício do que, em um dia como hoje, você acordar cedo, feliz, disposta, saltitante, feliz e cheia de vontade para... TRA-BA-LHAR! Sim, trabalhar, como não? Quem teria algo melhor para fazer numa sexta-feira-pós-feriado do que vir trabalhar? É certo que os meus chefes devem ter a resposta, pois nenhum deles veio...&lt;br /&gt;Ai eu estou aqui, indignada diante de tanto egoísmo da parte deles, afinal, eu também gostaria sinceramente de saber o que é melhor para se fazer numa sexta-feira-pós-feriado do que vir trabalhar.&lt;br /&gt;Eu pensei em ir para a praia com meus amigos da faculdade, eu pensei em voltar mais cedo para o interior e ler um livro na rede, eu pensei em lavar roupa e arrumar a casa que há tempos não sabe o que é organização, eu pensei em tomar um sorvete, em ouvir música, em ficar em algum lugar em silêncio, no mais profundo silencio até enjoar.&lt;br /&gt;Mais aí acordei, com o despertador berrando e a minha conclusão óbvia para um dia de sol como esse foi: Querida!!!! Hoje não está um dia perfeito para trabalhar? Óbvio que estava... Peguei meu carro, não peguei trânsito algum e cheguei aqui feliz para dividir o escritório com meia dúzia de moscas. Enfim, encontrei o silêncio que tanto precisava. (Eu fico pensando se existe Deus nesses momentos...)&lt;br /&gt;No meu e-mail, alguma meia dúzia de tarefas e o escritório vazio. Conclui com uma certeza nefasta de que o espírito de equipe corporativo entre eu e as moscas era algo bonito de se presenciar. Você também se solidarizaria, se não tivesse nada mais útil, prazeroso e importante do que vir trabalhar, numa SEXTA-FEIRA-PÓS-FERIADO com o sol e um céu azul, sorrindo ironicamente para você lá fora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, então, antes de pingar o colírio alucinógeno do “foda-se”, vamos à sessão descarrego!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é, pelo menos, o quarto lugar em que sinto que contrataram a minha bunda. Explico. Eu me esforcei para fortalecer o meu cérebro, concluindo em uma boa faculdade um curso universitário. No entanto, não obstante tanta leitura e conhecimento acadêmico, sinto que sou aproveitada por um órgão localizado mais abaixo e nada fortalecido no meu caso: o glúteo! Vejo que meus chefes se satisfazem bastante com o fato de eu vir em dias que ninguém vem para sentar a minha bunda nessa cadeira e ficar aqui sorrindo. Como nesses dias meus chefes só usam o telefone para se certificar de que realmente estou aqui, no entanto não demandam absolutamente nada, e, meus clientes obviamente aproveitam o feriado, eu não tenho nada para fazer. No entanto, tenho que vir trabalhar para mostrar a dedicação e comprometimento esperados. Nesses dias, eu confesso: aqueles discursos gloriosos do “espírito em equipe”, do “profissionalismo dinâmico e integrado” e do “vestir a camisa” me embrulham o estômago. E eu respondo com cinismo a máxima por mim identificada: alguém tem que se foder. Então vamos lá, camisa no estômago, bunda na cadeira, sorriso amarelo e umas gotinhas de colírio alucinógeno.&lt;br /&gt;Afinal eu e os mosquitos formamos uma bela equipe!&lt;br /&gt;E num dia como hoje, há um perfeito sentido na sincronia de umas palavras que um barbudinho tonto falava sobre o tal capitalismo: é a porra da mais valia! A porra a mais valia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3348336349839260981?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3348336349839260981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3348336349839260981' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3348336349839260981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3348336349839260981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/05/socorro-contrataram-minha-bunda.html' title='Socorro: contrataram a minha bunda!'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3337915798303219607</id><published>2008-05-05T21:03:00.000-07:00</published><updated>2008-05-05T21:05:30.122-07:00</updated><title type='text'>antes de dormir</title><content type='html'>O relógio revira volta, com as voltas que dou em mim, no meu próprio silêncio: caçando inspiração antes de dormir. Quero evitar meu próprio tempo, insistir na janela até que as luzes de São Paulo se apaguem e me tragam um novo céu azul. Para eu poder inventar uma nova história e esquecer o atraso do ônibus do dia seguinte.&lt;br /&gt;Quero viver a minha própria bagunça, na calada da noite, ainda que isso signifique acordar despenteada e mau humorada de manhã. Ainda que meu céu azul já não me faça mais nenhum efeito.&lt;br /&gt;O relógio revira e volta, quando já não quero voltar para mim. Quando já não quero mais saber dos minutos que me aprisionam. Quando já não posso mais viver só de paixões.&lt;br /&gt;Nessa vida possível,  eu queria mesmo é deitar lá naquela cama e cobrir-me toda cotidiana, como se nada fosse o além daquilo que se faz e constrói todo dia. Eu não quero mais todo dia e sequer quero o dia seguinte.&lt;br /&gt;Eu quero que os minutos do relógio parem. Preciso de mais tempo para sonhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3337915798303219607?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3337915798303219607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3337915798303219607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3337915798303219607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3337915798303219607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/05/antes-de-dormir.html' title='antes de dormir'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2860466359418006729</id><published>2008-04-27T13:58:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T20:28:03.486-07:00</updated><title type='text'>Lisa</title><content type='html'>Um latido rouco e o focinho encostado no sofá. Ela tinha seu jeito único de protestar por carinho e não sossegaria enquanto eu não coçasse sua orelha da forma como gostava, para então amolecer e deitar-se ao meu lado.&lt;br /&gt;E enquanto esse pequeno ritual perdurou, assistimos a muitos filmes bobos na TV, lemos quase uma biblioteca inteira e estudamos para o vestibular. Passeamos pelo parque, condecoramos uma árvore como favorita, batizada em inúmeros jatos de xixi. Tivemos finais de semana incríveis, onde ao final do dia, ela se estendia exausta e arfando, no porta malas do carro do pai, sem ter mais forças para brincar.&lt;br /&gt;Conheceu meus namorados, desaprovou todos e chegou a ficar no meio de um beijo que uma vez fui roubar. Ciumenta. Sempre ciumenta. Ninguém poderia receber mais atenção do que ela e, de fato, ela fazia por merecer.&lt;br /&gt;Mas enquanto ela ficava ali, eu cresci. Saí de casa e ela deixou de ser minha companheira das revoltas chorosas no quarto, dos ímpetos de adolescente, dos passeios no parque.  E passamos a nos encontrar aos finais de semana, quando o motor do carro desligava e um latido familiar antecipava uma saudação, que sempre teve o poder de me derreter. Dificilmente eu me encontraria com ela, sem que as minhas calças ficassem sujas de pêlos e baba, mas ainda sim, eu sorriria. &lt;br /&gt;Dos encontros mais engraçados, lembro-me quando de biquíni me estendia ao sol, até que inoportunamente ela aparecia, com um pedaço de trapo qualquer para se deitar ao meu lado. Ela demorava a se convencer de que sua cobertura peluda não era nada propicia a um bronze e quando o calor ficava insuportável, ela se recolhia à sombra com a língua de fora e as orelhas pingando. Mas sempre a espreita me aguardando, até eu levantar.&lt;br /&gt;Teimosa, sempre teimosa. Questionava as regras da casa como ninguém. E mesmo velha não se esqueceu de dormir no sofá proibido, reclamar pela única casquinha da pizza do meu prato, virar toda a sua comida no canil quando era presa injustamente, e, fazer xixi pela casa quando se sentia sozinha. Ela foi capaz de destruir os jardins da minha mãe, sem destruir a sua paciência. Ela foi capaz de trazer pombas mortas para a cozinha e ganhar alguns gritos e umas risadas. Ela foi capaz de tornar o incompreensível latido, em um código que dizia mais do que poderia dizer.&lt;br /&gt;E com o tempo passando, ela foi ganhando pêlos brancos pela cara, se aquietou em um sofá só dela com todos os requintes de um cão idoso. &lt;br /&gt;Um dia então, o motor do carro desligou e nenhum latido me deu boas vindas. Um vazio enorme, que me fez sentir pequena, dizia algo sobre uma nova saudade. Abri a porta sem encontrar o mesmo rabo abanando, suas orelhas se arrastando pelo chão e o uivo que me causava um sorriso. &lt;br /&gt;Eu. Eu que não acredito no céu para homens nem para cães. Eu, que vivi tanto de mim com ela ali do meu lado. Eu, que de uma forma egoísta queria que ela estivesse lá para sempre. Eu...&lt;br /&gt;Soube então, que a partir daquele dia, de fato estaria, com seu jeito único de protestar, mas dessa vez, com focinho encostado no meu coração. E nessas horas eu sentiria muita falta de coçar suas orelhas até ela amolecer e deitar-se ao meu lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2860466359418006729?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2860466359418006729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2860466359418006729' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2860466359418006729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2860466359418006729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/04/lisa.html' title='Lisa'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3397946837568750937</id><published>2008-04-18T13:09:00.000-07:00</published><updated>2008-04-18T13:10:08.802-07:00</updated><title type='text'>Coisas da vida</title><content type='html'>A verdade é que era muita estrela para pouco céu. Mas eu estava ali, me sentindo pequena e desengonçada, numa tentativa tímida de brilhar. Timidez que não cultivo e me dano.&lt;br /&gt;Estava ali, questionando todos os meus erros, procurando qual a prateleira do supermercado que vende paciência, me perguntando por que o céu na verdade era o caos e não o brilho.&lt;br /&gt;E me deu uma vontade imensa de virar pó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3397946837568750937?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3397946837568750937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3397946837568750937' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3397946837568750937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3397946837568750937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/04/coisas-da-vida.html' title='Coisas da vida'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4312636313517762827</id><published>2008-03-11T19:35:00.000-07:00</published><updated>2008-03-11T19:47:00.184-07:00</updated><title type='text'>Vazios</title><content type='html'>Ela aperta a campainha, enquanto milhões de sonhos invadem a sua cabeça. Ele é mais um deles, embora o choque de realidade seja cada vez mais agonizante. Dessa vez não seria diferente.&lt;br /&gt;Lentamente a maçaneta gira, e atrás da porta ele surge, com um sorriso pesado no canto da boca, denunciando o hábito e o dever. Uma pequena barriguinha denota o seu desleixo. A cueca samba canção cobre todo o seu cansaço. Ele lhe dá um beijo protocolar. Ela assina o epitáfio do seu menor anseio de romantismo.&lt;br /&gt;O silêncio que rodeia a sala, não é menor que a solidão dos dois corpos que dividem o mesmo sofá. O silêncio do desconforto mútuo é disfarçado pelo som da televisão. Tudo parece idiota.&lt;br /&gt;A rotina cobre o ambiente com um limbo espesso e as palavras se tornam desnecessárias.&lt;br /&gt;Ela reluta. Lembra-se da primeira vez que ele a olhou e tenta resgatar o mesmo suspiro que já se tornara passado.Com a saudade em punho, ela se joga contra o vazio do tédio:&lt;br /&gt;- Como foi seu dia? – Ela se faz interessada.&lt;br /&gt;-Nada de mais... – É o primeiro balde de gelo.&lt;br /&gt;-Está tudo bem? – "Não desista".&lt;br /&gt;-Tá. –É o segundo balde de gelo. – Estou cansado.&lt;br /&gt;Pronto. É o iceberg.&lt;br /&gt;Ela lhe afaga o cabelo, tentando derreter o Polo Sul com a chama de um fogão velho e desregulado. Ele fecha os olhos com certa indiferença e balbucia algumas palavras. O coração dela treme e por alguns segundos ela identifica alguma reação.&lt;br /&gt;Uma esperança se ascende e ela pergunta:&lt;br /&gt;- O que você disse?&lt;br /&gt;Ele responde:&lt;br /&gt;- Vamos dormir.&lt;br /&gt;Eles se deitam. As lingeries, as marcas de biquíni, os quinhentos abdominais, o novo corte de cabelo, os filhos que teriam, o desejo, a saudade, o primeiro olhar, o primeiro beijo, os detalhes, os apelidos carinhosos, os lençóis, o carinho, os abraços e tudo mais adormecem em um sono pesado.&lt;br /&gt;Ela ignora tudo. Mas não sabe mais como despertar o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4312636313517762827?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4312636313517762827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4312636313517762827' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4312636313517762827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4312636313517762827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/03/vazios.html' title='Vazios'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8789103290738354729</id><published>2008-02-22T17:39:00.000-08:00</published><updated>2008-02-22T18:04:00.396-08:00</updated><title type='text'>Menino da chuva</title><content type='html'>Na lente dos teus oculos, estampado o meu olhar sorri, colorido como se fosse completo. E assim eu brinco com a beleza da minha feiura exposta, te mostro o desencanto do meu mundo encantado e brinco de ser princesa diante da tua retina.&lt;br /&gt;Nao precisamos de mais nada para existir. Enquanto o chopp se tranforma em conversa e a conversa se tranforma em chopp, a leveza do mundo se amolda sobre todas as formas em que voce me olha. E eu sou fascinio e meditaçao.&lt;br /&gt;Como pode ser tao leve, aquilo que parecia ser tao pesado? De repente o amor aparece assim, descompromissado.. Podemos rir de nos mesmos e apertar o "foda-se" do teu pisca alerta.&lt;br /&gt;E nada mais fica alerta, a nao ser a vontade de esquecer a hora e te deixar horas me namorando no portao.&lt;br /&gt;Ha dias em que a gente precisa andar na chuva. Esquecer a prudencia de todas as nossas experiencias, precisa se deixar ir, sem saber se quer chegar. Ha dias que a gente precisa da magia das coisas simples, se perder por um caminho que parece traçado, esquecer a bussola no nosso proprio labirinto.&lt;br /&gt;Ha dias em que a gente precisa esquecer que o amor machuca, que a vida amarga e que a gente azeda na nossa culpa de ser tao finito, e simplesmente mortal.&lt;br /&gt;Ha dias em que a agua que desagua la fora, e forte como a que desagua aqui dentro e a gente precisa chover, precisa viver, precisa sorrir.&lt;br /&gt;E eu... sou eternamente grata por ter vivido isso ao seu lado. Ainda que por um dia desengonçado.&lt;br /&gt;Agradeço aos ceus por ter me mandado um menino de chuva.&lt;br /&gt;Choveria mais dias assim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8789103290738354729?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8789103290738354729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8789103290738354729' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8789103290738354729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8789103290738354729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/02/menino-da-chuva.html' title='Menino da chuva'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-81162140986159606</id><published>2008-02-16T06:55:00.000-08:00</published><updated>2008-02-16T07:10:30.110-08:00</updated><title type='text'>Ele e sua coca-cola</title><content type='html'>Seguro de si, somente ele fala e, como se todas as histórias do mundo lhe pertencessem, ele segue com seus passos dançados, desviando olhares em momentos estratégicos.&lt;br /&gt;Enquanto caminha pela Avenida Paulista, ele vai seguindo, dono do seu próprio carnaval.&lt;br /&gt;Entre uma mania e outra, ele ajeita o cabelo e me joga para o lado de dentro da calçada, dizendo que só quer me proteger. Mas sem etiquetas, nós dois já sabemos que corremos riscos.&lt;br /&gt;Ele se faz apaixonável e eu finjo que não sei. No fundo gosto mesmo é provocá-lo, enquanto passeamos sobre as nossas mentiras sinceras. E mantemos uma distância segura, para que ao mesmo tempo ele seja um chato simultaneamente encantador.&lt;br /&gt;Esquecemos a nossa história e acreditamos que em alguma parte dela, nos encontramos amigos, de algum jeito, de alguma forma. Somos amigos então.&lt;br /&gt;Mas não importa o tamanho do passado, ainda gosto de sua companhia. Ainda gosto do seu carnaval.&lt;br /&gt;Rio dos seus risos. Gosto de vê-lo assim. Inteiro seu, tomando sua coca-cola, enquanto derretemos no calor.&lt;br /&gt;As conversas se desviam, meus olhos mentem e os dele também. Ele bebe o ultimo gole e eu já pego a bolsa para partir. Seguimos por caminhos opostos.&lt;br /&gt;Ele bebe sua coca-cola enquanto eu me protejo em gelo e limão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-81162140986159606?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/81162140986159606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=81162140986159606' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/81162140986159606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/81162140986159606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/02/ele-e-su-coca-cola.html' title='Ele e sua coca-cola'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8098360984411145395</id><published>2008-02-07T19:20:00.000-08:00</published><updated>2008-02-07T19:22:41.785-08:00</updated><title type='text'>Novas borboletas no estômago (eu gosto de gostar de você)</title><content type='html'>Você. Ainda você. Sem rodeios, nem devaneios. Apenas com o mesmo gosto que gosto. Com o mesmo cheiro que desejo. Com a mesma segurança que sempre me irrita. Lógico e racional como é. Uma linha reta em meio ao meu caos. E eu me perco novamente.&lt;br /&gt; Seu sorriso, e o meu alívio. Imediato e perdido, nos olhos verdes que me acostumei a sonhar.&lt;br /&gt;Você, inteiro você. Com os seus cachos sufocados, sorrindo diante do meu coração costurado, que ainda treme por você.&lt;br /&gt;Então me perco nos seus sentidos, sem sentido, porque gosto mais é de sentir você. E o seu olhar de menino...&lt;br /&gt;Nada dentro de mim agora corre. O que era inquieto tinha jeito de saudades. E agora o silêncio tranqüilo preenche o espaço das nossas mãos. Juntas e bonitinhas. Fazendo inveja aos olhares menos apaixonados.&lt;br /&gt;E contigo estou inteira. A metade que me falta, vira um pedaço de preguiça. Me desfaço no seu beijo e fica tudo bem.&lt;br /&gt;São os risos. O riso que vem fácil, denunciando aquilo que já não sei negar. Que você tem algo que mexe, que vive e que enlouquece dentro de mim. Você tem aquilo que me diverte, que me desafia e as vezes me entristece.&lt;br /&gt;Você tem o que faz ser gostoso gostar de você.&lt;br /&gt;E simplesmente gosto.&lt;br /&gt;Acorde comigo. Todos os dias...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8098360984411145395?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8098360984411145395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8098360984411145395' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8098360984411145395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8098360984411145395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/02/novas-borboletas-no-estmago-eu-gosto-de.html' title='Novas borboletas no estômago (eu gosto de gostar de você)'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-5928664515298392050</id><published>2008-01-03T07:39:00.000-08:00</published><updated>2008-01-03T07:40:34.603-08:00</updated><title type='text'>Adeus Helgolândia...</title><content type='html'>"Quem sabe o príncipe virou um chato, que vive dando no meu saco. Quem sabe a vida é não sonhar"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Malandragem, Cássia Eller, último volume, passando roupa, momento de histeria e redenção)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-5928664515298392050?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/5928664515298392050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=5928664515298392050' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5928664515298392050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/5928664515298392050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/01/adeus-helgolndia.html' title='Adeus Helgolândia...'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-7055885591845118096</id><published>2008-01-02T05:55:00.000-08:00</published><updated>2008-01-02T06:05:36.276-08:00</updated><title type='text'>Tango</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela dançava. Dançava um tango na beira de um caldeirão, ao ritmo frenético dos mal amados. E com seus passos ensaiados, ela brincava diante do que não sabia mais.&lt;br /&gt;De um lado, fervia a poção mágica dos desejos e uma promessa de leveza para um coração cansado. Fervia o que havia de inédito em todas as paixões. De outro, havia o chão da desilusão, a carência, o destino e o medo. Cacos estilhaçados de nós dois e um amor que agonizava seco, de tanto esperar.&lt;br /&gt;Mas ela dançava. Dançava desafiando os passos, brincando com o perigo, quase com uma vontade insana de se jogar. Entre o inevitável e a queda, melhor era esquecer a prudência. Melhor era esquecer o futuro. Melhor era abandonar os sonhos construídos, que ali pesavam, porque eram sós. E seus.&lt;br /&gt;Ela dançava o ritmo frenético da raiva. E os passos se perdiam. O amor havia se tornado uma poesia surda, um grito oco, desesperado feito o desencontro é. Enquanto o telefone permanecia calado... Onde adormeciam os beijos de boa noite?&lt;br /&gt;No silêncio, o amor virou promessa.&lt;br /&gt;Aos poucos o medo foi perdendo a cor e o tamanho. Aos poucos ela foi se perdendo no ritmo. Aos poucos o que havia de raro e terno, perdeu o sentido, perdeu a saudade e ela escorregou.&lt;br /&gt;Escorregou na poção mágica dos desejos e quando não suportava mais tanto calor, encontrou o engano e o sofrimento. Ela viu seus olhos, no desejo dele. E se sentiu sozinha por não pertencer a mais ninguém. Nem mesmo a si.&lt;br /&gt;O desejo queimou as lembranças, aquilo que era doce e por um segundo pareceu tão distante. O desejo traiu a bondade, a vontade e as mãos, que permaneceriam ali juntas, no passado, no presente e no futuro. O desejo traiu a vontade de ficar e de acreditar, a cumplicidade.&lt;br /&gt;E doía.&lt;br /&gt;Doía tanto, que ela se agarrou as bordas do caldeirão e se lançou toda ao chão, indo de encontro aos pedaços de nós dois.&lt;br /&gt;E sobre o amor que já estava ali inerte, ela deu o seu último suspiro. Exausta, ela chorou a culpa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-7055885591845118096?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/7055885591845118096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=7055885591845118096' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7055885591845118096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/7055885591845118096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2008/01/tango.html' title='Tango'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2070892054136925292</id><published>2007-10-26T06:29:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T06:36:35.432-07:00</updated><title type='text'>Então...</title><content type='html'>Então eu aprendi a acordar cedo, a parar de brigar com o som estridente do despertador e a dormir menos. Então eu aprendi a deixar as baladas para o final de semana. Aprendi a colocar o terno e não mudar o mundo. Troquei a cerveja que fechava a noite por um copo de leite. Com Nescau. Eu deixei de acreditar nas verdades que eu falava no boteco.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a xingar no transito, por vezes, baixar o vidro e lançar um gesto obsceno. Então eu aprendi a atacar, antes de esperar o bote.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a colocar meia calça as sete da manhã, aprendi a preparar todos os dias o meu café da manhã, aprendi a ler mais do que o horóscopo do jornal. Aprendi a sair de casa sem a cara amassada. Aposentei o meu All Star.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a ter mais hora do que tempo, aprendi o quanto do relógio faz meus dias, e o quanto das horas esgota a minha existência. Então eu aprendi a ver o tempo passar mais devagar e as horas mais aceleradas.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a namorar. Pensei até em casar e ter filhos... Comecei a achar bacana a idéia de me dividir com alguém e depois a gente se multiplicar.&lt;br /&gt;Então eu passei a ter menos tempo para ler, para correr, para sair numa quarta feira e dançar até as 3 da manhã. (será que eu fiz muito isso?)&lt;br /&gt;Então eu passei a ter saudades de matar aula. E passei a ter saudades de coisas que eu nunca achei que teria.&lt;br /&gt;Eu só não deixei de ouvir Bob Dylan... E Janis Joplin, quando estou de TPM.&lt;br /&gt;Então eu deixei de ter tanta inspiração, passei a viver mais do que pensar e de certa forma me tornei uma pessoa mais leve.&lt;br /&gt;Então eu deixei de ver poesia na rua e só enxerguei cotidiano.&lt;br /&gt;Então eu passei a adorar o Chico Buarque quando canta ele “Vai trabalhar!”. E para isso e por isso, eu passei a dormir e a acordar.&lt;br /&gt;Então os relógios fixaram nos meus pulsos e eu passei a ter compromissos.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a ter responsabilidades. Ou nem tantas assim.&lt;br /&gt;Eu aprendi a parecer uma pessoa séria e normal. Aprendi a ter cólicas e tratar bem o meu chefe. Então eu aprendi a ter chefe. Ou não?&lt;br /&gt;Então eu aprendi a pensar antes de falar. E aprendi a não falar tudo o que penso.&lt;br /&gt;Eu aprendi coisas sinceras sobre politicamente correto. E aprendi que trabalho e sonhos devem viver em gavetas diferentes do mesmo armário.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a não esperar o natal e nem o meu aniversario.&lt;br /&gt;Então eu aprendi a comprar cremes e a passá-los antes de dormir. Eu passei a me preocupar com pele hidratada. E não achei isso ridículo.&lt;br /&gt;Então a vida foi ficando mais séria.&lt;br /&gt;Então era só isso?!?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2070892054136925292?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2070892054136925292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2070892054136925292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2070892054136925292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2070892054136925292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/10/ento.html' title='Então...'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-6437406812787044914</id><published>2007-08-29T12:53:00.000-07:00</published><updated>2007-08-29T12:54:05.124-07:00</updated><title type='text'>Vermelho</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Confesso que te esperei. Sonhei contigo algumas vezes e, negando o meu orgulho bobo, confesso também que te paquerei de longe. Impossível e utópico. Você cabia nos meus sonhos.&lt;br /&gt;E te digo que senti raiva nas tantas vezes que fui abandonada no mesmo ônibus lotado. Senti raiva nos dias que não pude contar com você para ir ao supermercado. Senti raiva nos dias em que fui sozinha para a balada e voltei de táxi.&lt;br /&gt;Eu tive motivos sinceros para te desprezar, ou ao menos, fingir que nunca precisei de você. Tive motivos para dar as costas ao mundo, seguir a minha vida e levantar a mão para que o próximo ônibus parasse.&lt;br /&gt;Sem você eu aprendi a odiar os dias se chuva. E sem você eu aprendi o quão terapêutico pode ser uma simples caminhada por umas sete quadras. Do bairro ou da vida.&lt;br /&gt;Sem você eu aprendi sobre quase todas as ruas de São Paulo. Sem você eu aprendi que nem todos os caminhos são confiáveis.&lt;br /&gt;Mas quando eu te vi absurdamente simpático e vermelho. Quando finalmente segurei a tua direção para traçar a minha direção. Quando eu ouvi o teu motor roncar pela primeira vez. Foi como se a vida me saltasse ao peito e todos os momentos sem você fossem apenas pequenas momentos ruins.&lt;br /&gt;Quando eu senti o seu cheiro novo e finalmente pude ter velocidade, simplesmente eu me apaixonei.&lt;br /&gt;Abençoadas sejam as suas quatro rodas!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-6437406812787044914?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/6437406812787044914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=6437406812787044914' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6437406812787044914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/6437406812787044914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/08/vermelho.html' title='Vermelho'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3208029773270994842</id><published>2007-06-30T19:19:00.000-07:00</published><updated>2007-06-30T19:23:45.321-07:00</updated><title type='text'>Tostines</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tautologia. Sabe o que é? No dicionário: redundância, raciocínio circular, pleonasmo. É também aquela frase famosa do biscoito “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”.&lt;br /&gt;E, em um sentido menos raso, é também a minha vida.&lt;br /&gt;Explico-me.&lt;br /&gt;Eis que o telefone toca rompendo o silêncio de mais uma tarde vazia. Agradeço que ele toque e não seja a Associação das Marmotas depiladas da Dakota do Norte pedindo donativos para a próxima expedição em busca de filhotes órfãos. Sim. Para alegria do meu humor moribundo é uma outra entrevista.&lt;br /&gt;Recebo otimista a minha nova empreitada. Passo a minha melhor calça social, combino com a melhor camisa. Levo os sapatos decentes na bolsa (afinal eles são impróprios para as ruas de São Paulo) e sigo o meu caminho apreensiva.&lt;br /&gt;Um lado de mim (o anjinho) senta no meu ombro e suspira palavras de confiança. Um outro lado de mim (o diabinho) me diz para não esperar demais e cair um pouco na realidade.&lt;br /&gt;Chego ao local, estralo alguns dos meus dedos. Mas sou simpática com a atendente que me indica uma poltrona e me pede para esperar. Espero.&lt;br /&gt;Nessa hora o anjinho e o diabinho já se pegaram no tapa, por isso desencano de pensar em qualquer outra coisa. Apenas rezo para que essa chance enfim seja uma possibilidade.&lt;br /&gt;O entrevistador me chama e segue seu roteiro protocolar.&lt;br /&gt;Me pede que descreva o meu currículo. Depois algumas experiências. Enfim, pergunta defeitos e qualidades pessoais. Problemas que tive em outros empregos. Me testa de todos os jeitos. É irônico. Às vezes cínico. E não demora muito e o diabinho retorna vestindo em minha imaginação uma roupa de sádico no entrevistador.&lt;br /&gt;Sorrio. Penso nas palavras do anjinho quase como se fosse um mantra e respondo as perguntas do entrevistador sem me alterar. Como se tudo não passasse de uma brincadeira de mau gosto.&lt;br /&gt;Enfim, após muito jogo de cintura e muita perguntas ele finaliza sua sessão:&lt;br /&gt;- Bem, senhorita Helga. Verificamos que a senhora fala muito bem, articula bem suas idéias, porém verificamos que tem pouca experiência.&lt;br /&gt;Pronto. O diabo cresce mil vezes no meu ombro, espanta o anjo e faço novamente uma cara de trouxa.&lt;br /&gt;E como não haveria de ser? Experiente, certamente, é o entrevistador. Afinal, os quatro anos de estagio que fiz só me serviram de entretenimento entre uma aula da faculdade e outra. Aliás, eu só fiz estágio porque não havia nada mais divertido para fazer a tarde.&lt;br /&gt;E enquanto as palavras do entrevistador servem de alimento para deixar meu diabinho interno ainda maior, vejo a minha vida passar por mim como se fosse um filme de humor negro. Quer dizer que aquela história de percorrer fóruns, ter um expediente sem hora para acabar, ficar redigindo peças sem fim e aturar chefes mal humorados não me serviram de experiência para nada? Quer dizer que o meu esforço, a minha vontade de aprender e levar as coisas tão a serio na busca de uma competência profissional se revertem dessa maneira?&lt;br /&gt;A minha vontade de mandar o entrevistador tomar no cu é tão insana que chega a fazer cócegas na minha garganta.&lt;br /&gt;Dessa vez um sorriso cínico surge de mim e em poucas palavras eu tento me defender. Enfim, temos animosidades à altura.&lt;br /&gt;Mas no teste da paciência, eu já perdi há muito tempo.&lt;br /&gt;Apertamos as mãos. E seguimos nossos caminhos.&lt;br /&gt;“Não arrumo emprego porque não tenho experiência. Não tenho experiência porque não tenho emprego”. E a minha vida ali, presa nessa estúpida tautologia. Ou melhor, pleonasmo.&lt;br /&gt;Espero no ponto o ônibus que não vem. Quando chega, finalmente embarco com a cabeça baixa.&lt;br /&gt;Dessa vez minha auto-estima não embarca. Sequer se senta nos fundos.&lt;br /&gt;Ela permanece no ponto de ônibus, com uma vontade infantil de cair aos prantos ou quem sabe até ligar para a minha mãe.&lt;br /&gt;Ela permanece no ponto de ônibus. Inexperiente feito é.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3208029773270994842?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3208029773270994842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3208029773270994842' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3208029773270994842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3208029773270994842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/06/tostines.html' title='Tostines'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3825881014892679015</id><published>2007-06-13T22:31:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T22:35:41.126-07:00</updated><title type='text'>Projeto de emprego</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sem titubear (adoro essa palavra!) te digo o ano em que me formei, as minhas cinco últimas experiências profissionais e as minhas singelas pretensões quanto a uma relação empregatícia. E vou sorrir ao final de tudo isso. Mesmo que meus dedos já estejam doloridos de tanto cadastrar currículo em site.&lt;br /&gt;Ando caindo na real. Engolindo o mundo a seco e sem coca-cola light para não fazer cara feia. Sim, sou mais uma ex-idealista vendendo meus sonhos ao mercado de trabalho e brigando contra a minha insatisfação. Afinal eu sempre acreditei que os sonhos valiam... E talvez valham. Num país acima da linha do Equador, onde as relações de emprego não se resumam à simpatia do sujeito entrevistado.&lt;br /&gt;Ando numa crise sobre as possibilidades reais e o inconformismo do ideal. E sem excesso de romantismo o que procuro é a simples resposta: qual o limite da tolerância em uma entrevista? Descrevo o meu desespero:&lt;br /&gt;O telefone toca. E do outro lado uma simpática secretária:&lt;br /&gt;-Bom dia, por favor a Senhora Helga?&lt;br /&gt;-É ela, quem fala?&lt;br /&gt;-É do escritório XYZ.Gostamos do seu currículo e gostaríamos de fazer uma entrevista ainda hoje?(Ponto número 1 do meu inconformismo: porque não analisar a possibilidade do candidato se submeter à entrevista?! Afinal, quando procuramos um emprego nem sempre estamos desempregados e precisamos as vezes contornar a atual relação de emprego sem que isto nos valha uma demissão).&lt;br /&gt;-Ok, posso depois das 15 horas...&lt;br /&gt;-As 16?&lt;br /&gt;-Tudo bem.&lt;br /&gt;-Está marcado! Aguardamos sua presença.&lt;br /&gt;Ela se despede dando maiores detalhes quanto ao local e pontos de referência.&lt;br /&gt;Procuro no maravilhoso site da SPtrans mais um jeito diferente de me aventurar por São Paulo. Desconfio que eles colocam as inúmeras informações erradas no site só para testar a solidariedade de motoristas e das pessoas no ponto de ônibus. Mas como o mundo anda complicado e solidariedade não é coisa que o povo assiste na novela das oito, acabo desistindo de achar o ônibus certo e pego um táxi.E lá se vai meu rico dinheirinho... Tudo bem. Amanhã almoço um sanduba e esta tudo certo.&lt;br /&gt;Chego no local. A entrevista marcada para as 16 horas começa às 16:30. E começa sem um pedido de desculpas por parte do entrevistador (Ponto número 2 do meu inconformismo: odeio esperar. É justo você pagar um táxi para chegar no horário e ainda esperar meia hora?)&lt;br /&gt;A entrevistadora me dá um sorriso amarelo.&lt;br /&gt;-Lemos o seu currículo. Você pode descrever as suas últimas experiências? (Ponto número 3 do meu inconformismo: analfabetismo funcional. Se o cara leu meu currículo qual a necessidade de me pedir que descreva as experiências que ele já sabe quais são?! Mais fácil perguntar sobre essa ou aquela, ou pedir que eu descreva minhas funções enfim. Disfarçar o interesse pelo entrevistado é, na minha opinião, altamente constrangedor para quem esta do outro lado da mesa!).&lt;br /&gt;Mas mesmo assim descrevo as minhas experiências, demonstro interesse, enfatizo coisas em que fiz e me dei bem. Enfim, procuro vender meu peixe.&lt;br /&gt;- Ok. Aqui nós trabalhamos com os seguintes processos e blá blá, blá...&lt;br /&gt;Geralmente nesse ínterim ela descreve a função do escritório e sem delongas sobre o trabalho em si (Ponto número 4 do meu inconformismo: marketing pessoal. Se eu estivesse interessada unicamente no perfil do escritório, visitaria o site do mesmo (coisa que faço regularmente antes da entrevista). Mas numa entrevista de emprego geralmente o enfoque é a função, ou seja, aquilo que se vai fazer dentro da empresa / escritório. Nessas horas pouco interessa se vc trabalha no lugar X ou Y. O que interessa é o que você faz lá dentro e se isso te satisfaz enquanto profissional).&lt;br /&gt;-Salário? Benefícios? (Ponto número 5 do meu inconformismo: não falar sobre a remuneração. Como boa estudante de direito que fui, sei que uma das quatro características da relação de trabalho é o salário. Acho complicado você ter que perguntar sobre esse ponto essencial da relação de trabalho quando você é o entrevistado. Se você esta procurando contratar alguém e busca estabelecer uma relação de emprego, acredito que não seja ofensivo falar sobre um dos pontos primordiais dela! Neste ponto não tive o que se considera como uma “delicadeza”, ao meu ponto de vista, desnecessária. Desculpem se isso soa arrogante, mas naquele momento, eu precisava saber se aquela entrevista ao menos poderia ter uma possibilidade de ser compensatória. Aliás, eu considero de extrema importância saber quanto se paga pelo seu serviço...)&lt;br /&gt;-Bem, pagamos R$ 1.500,00 seco. (Ponto número 6 do meu inconformismo: pagar para trabalhar. É muito exigir que o empregador ao menos subsidie o mínimo de sustentabilidade para que se faça seu serviço? – Falei bem e falei bonito, mas o que eu quis dizer é, no presente caso só com transporte e alimentação meu salário se reduziria à R$ 1.100,00 com o detalhe: para almoçar no kilo e continuar andando de ônibus...)&lt;br /&gt;-Não tem carteira assinada?&lt;br /&gt;-Não. (Ponto número 7 do meu inconformismo: nada mais típico do que advogados desrespeitando as leis trabalhistas...)&lt;br /&gt;E finalizando...&lt;br /&gt;-E ai? Te interessa? (Ponto número 8 do meu inconformismo: barganha! Se não interessasse eu não tinha gastado dez paus de táxi para chegar aqui sua anta!).&lt;br /&gt;Mas mesmo assim eu dou um sorriso, digo que tenho interesse na vaga e que gostei do ambiente do escritório.Não sei explicar, mas nessas horas acredito que brota dentro de mim um segundo EU, desesperado para se adequar ao mundo. Porque ao contrario do que pode pensar o meu leitor desavisado, entrevistas como estas são a grande maioria.&lt;br /&gt;Saio de lá. Espero o ônibus me sentindo uma fracassada por não saber qual o limite da tolerância e do desemprego. Por não saber qual é o meu preço, afinal, eu também preciso pagar as minhas contas!&lt;br /&gt;Arrumo amigos no ponto de ônibus graças à SPtrans. Subo no lotação e acho um lugar perto da janela. Diante dela permaneço questionando a existência de oportunidades melhores. Minha auto-estima embarca depois, procura um lugar e se senta nos fundos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3825881014892679015?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3825881014892679015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3825881014892679015' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3825881014892679015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3825881014892679015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/06/projeto-de-emprego.html' title='Projeto de emprego'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1909452969643284588</id><published>2007-05-16T14:20:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T14:21:36.244-07:00</updated><title type='text'>Talvez</title><content type='html'>Vamos lá. Qual é o problema? Eu sei que você pode. Não me deixe aqui de joelhos sobre a indecisão. Me dê um sim ou me dê um não. Mas me tira do talvez.&lt;br /&gt;Vamos lá? Qual é o problema? Não agüento mais conviver com todos os anjos e demônios que habitam dentro de mim. Brincando com a esperança e o medo, a todo segundo.&lt;br /&gt;Vamos lá. Qual é o problema? Puxa logo a cera quente da minha virilha. Arranca de vez o band-aid. Aplique a injeção. É um sim ou é um não. Não pode ser tão difícil assim.&lt;br /&gt;Transforma o meu ultimo suspiro em um grito de alegria. Ou me dê a chance de chorar, o quanto eu quiser, todos os dias.&lt;br /&gt;Me dê um sim. Me dê um não, qual é o problema?&lt;br /&gt;Me deixe deitar sobre a cruz dos meus calvários. Me deixe sorrir boba de felicidade. Mas por favor, um sim ou um não.&lt;br /&gt;Me deixe sentindo a ultima das ultimas. Me deixe ter um pouco de paz.&lt;br /&gt;Eu quero chorar a perda. Eu quero velar os mortos. Eu quero um dia seguinte.&lt;br /&gt;Eu quero chorar de felicidade. Eu quero acordar amanhã e ter outra vida. Eu quero um dia seguinte.&lt;br /&gt;Mas um dia seguinte para eu cair ou para levantar.&lt;br /&gt;Vamos lá. Qual é o problema? Me dê um sim. Me de um não. Ou me de qualquer coisa que alivie o desespero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1909452969643284588?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1909452969643284588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1909452969643284588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1909452969643284588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1909452969643284588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/05/talvez.html' title='Talvez'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2409459917682146256</id><published>2007-05-15T16:29:00.000-07:00</published><updated>2007-05-15T16:31:55.461-07:00</updated><title type='text'>Crescer</title><content type='html'>Alguns dias em que o sol aparece menos tímido na janela, é possível olhar para tudo o que ainda sou e acreditar que existem possibilidades. Mas diante do vazio, meu pijama é uma camisa de força que me prende a minha própria cama quando não quero mais pensar. Embora eu pense em todos os sonhos que fui, enquanto a comida estraga na geladeira.&lt;br /&gt;           Não tenho fome, não tenho vontade, mas tenho fé. E um pouco dela me faz sentir alguém, quando já não sinto nada. Um pouco dela me faz correr atrás do próximo ônibus para não me atrasar para a outra entrevista. Um pouco dela me faz crer que é possível ser grande quando se aceita ser pequena.&lt;br /&gt;            E é preciso ter força. É preciso ter força para desviar dos medos que te beliscam o umbigo. É preciso ter força para acreditar que tudo isso é passageiro. Mas ainda resta uma nuvem negra de angústia que se perpetua no horizonte.E por mais um dia me sinto uma miserável chorando meus medos na sarjeta.&lt;br /&gt;            Diante daquilo que não posso mudar, coloco os pés descalços sobre o asfalto e sigo. Guardo meus sonhos na bolsa, como um antídoto para todas essas feridas. Sei apenas que preciso ir; embora eu não saiba como chegar.&lt;br /&gt;            A bússola que procuro no peito é o motivo desse leve desespero, que eu deixo tão bonito, costurando tristeza nas minhas palavras.&lt;br /&gt;            Mas podem continuar a me derrubar. Há tempos que levantar já se tornou rotina e deixou de ser arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2409459917682146256?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2409459917682146256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2409459917682146256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2409459917682146256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2409459917682146256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/05/crescer.html' title='Crescer'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-1088886989790814896</id><published>2007-04-29T17:58:00.000-07:00</published><updated>2007-04-29T17:59:51.524-07:00</updated><title type='text'>Mãe</title><content type='html'>Inesperado como tudo o que é sincero, agora me surpreendo com a capacidade de conviver contigo, cotidianamente. E agradeço o seu zelo, de me acolchoar o mundo quando ele acaba de se mostrar um lugar tão pedregoso. E, por isso, levo teu sorriso na bolsa, para aliviar meu desespero.&lt;br /&gt;Você, que sempre me dá um pedaço de chão assim que meu mundo cai. Você que me desaprova com a força mais bruta, me fazendo sentir vergonha de desistir. Você e seus olhos azuis.&lt;br /&gt;Somos diferentes. Como não haveria de ser? Questionamos as nossas felicidades, porque sabemos dos caminhos que nos levam a alegrias divergentes. E insistimos em brigar no café da manhã.&lt;br /&gt;Mas ainda que a crueldade das palavras nos deixe nuas diante de nossas diferenças, eu agradeço, acima de tudo à sua feminilidade. Agradeço ao pedaço de chão que você me empresta, para pisar descalça sobre tudo o que ainda dói. Agradeço ao olhar irascível lançado brutamente para que eu sinta vergonha de ter medo.&lt;br /&gt;Te amo. Te amo como se ama aquilo que lhe é diferente. E contigo aprendo, todo dia, um pouco mais.&lt;br /&gt;Te amo porque contigo aprendi a sonhar, pelo mundo aconchegante que você me ensinou a ter, dentro dos teus olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-1088886989790814896?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/1088886989790814896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=1088886989790814896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1088886989790814896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/1088886989790814896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/04/me.html' title='Mãe'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4693915852226912567</id><published>2007-04-16T20:58:00.000-07:00</published><updated>2007-04-16T20:59:39.199-07:00</updated><title type='text'>Antes de dormir</title><content type='html'>Por que a gente é tão sozinho?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4693915852226912567?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4693915852226912567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4693915852226912567' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4693915852226912567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4693915852226912567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/04/antes-de-dormir.html' title='Antes de dormir'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8961474668814005139</id><published>2007-04-06T20:06:00.000-07:00</published><updated>2007-04-06T20:31:38.590-07:00</updated><title type='text'>Perdão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele me olha como um pedaço de carne exposto no açougue, com uma certeza infinita de que meu ódio me conserva ali, eternamente, à sua espera. Esperando pelo dia em que ele trará novamente felicidade à minha vida. Contando com o dia em que ele encontrará a mesma menina, bêbada e suja, ajoelhada aos seus pés, jurando-lhe amor eterno.&lt;br /&gt;Ele me olha com a lembrança de um amor impossível, escarrado, declarado e vivo, ali nas veias do silêncio que sobrou. Ele me olha com a ternura de um sentimento abandonado, com o carinho de um coração quebrado. E ele sente dó.&lt;br /&gt;Não. Ele não suporta a minha felicidade. Não reconhece nos meus olhos nenhum tipo de tranqüilidade. Ele só quer arranhar a cicatriz. Para ver se ainda sangra. Para ver quanto do meu desejo ainda orbita sob o seu ego. Para ver quanto do nada que sobrou. Mas há tempos eu já não estou mais ao seu redor.&lt;br /&gt;E por isso ele invade a minha caixa de e-mails com os seus sentimentos mal resolvidos, arranja o número do meu celular por meio de outros amigos e me procura para dizer “Penso em você”. A que horas? Enquanto você trepa com a sua namorada na madrugada de um sábado qualquer? Ou enquanto você tem uma diarréia em meio a uma reunião de trabalho?&lt;br /&gt;Não, eu não o suporto. Pois vejo nele a mesma arrogância com que olho a menina bêbada e suja implorando por um pouco de amor. Eu o odeio, porque odeio os erros que meu coração comete, quando pulo de cabeça num poço de sentimentos rasos. Eu definho no meu ódio, porque ainda sinto ódio do que fui e daquilo que lhe dei de graça. Eu o afasto, porque quero longe a fantasia de palhaço no teatro dos amores mal resolvidos.&lt;br /&gt;Mas eu o perdôo. Perdôo porque é preciso perdoar a mim mesma e parar de chamar de sua a vergonha que carrego em mim. Perdôo porque com ele aprendi uma das lições mais tristes e doloridas, porém eu sobrevivi. Perdôo porque um dia eu não sabia, que amor nenhum sobrevivia, onde não há amor próprio. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8961474668814005139?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8961474668814005139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8961474668814005139' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8961474668814005139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8961474668814005139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/04/perdo.html' title='Perdão'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-3134535699924841818</id><published>2007-04-05T16:37:00.000-07:00</published><updated>2007-04-05T16:42:11.420-07:00</updated><title type='text'>Eu vou reclamar</title><content type='html'>Descobri que reclamar é um vício. Um vírus. Uma doença crônica que me ataca os nervos, a paciência e a sanidade. Reclamar é uma fixação. Uma obsessão. Um desperdício gigantesco de energia. Reclamar consome.&lt;br /&gt;Mas ultimamente a única coisa que tenho feito com maestria na minha vida é justamente reclamar. Reclamo de tudo. Reclamo do Lula, de ser brasileira, da desigualdade social, da irritação que me dá em ver que a cada sinal existe mais um menino jogando bolinhas em troco de moedas, da quantidade de dinheiro que se esvai pelos ralos de Brasília, das palhaçadas que nos acostumamos a ler no jornal. Reclamo porque leio o jornal e acho o ser humano cada vez mais escroto. Depois reclamo, pois se parar de ler o jornal e me fechar no meu umbigo talvez eu me torne tão escrota quanto. Reclamo da Telefônica que me cobrou o speedy duas vezes, reclamo da minha conta de celular que veio alta demais, reclamo da minha conta do banco que não sai do vermelho. Reclamo porque fiz cinco anos de faculdade e estou desempregada, reclamo da OAB que não solta o resultado do exame e posterga a minha indecisão profissional, reclamo porque tudo isso me consome o bom humor, o otimismo e alguns sonhos. Reclamo porque eu fui fazer direito e não publicidade e só li coisas chatas e escolhi uma faculdade muito chata para fazer da vida. E reclamo porque não tem mais faculdade para reclamar. Reclamo porque está na hora de virar gente grande e eu não sei nem por onde começo. Depois reclamo porque queria começar virando gente grande pela Terra do Nunca, mas ai já é tarde demais. Reclamo porque a passagem de ônibus esta cara e quem sabe se eu guardasse o dinheiro e só andasse a pé eu comprava logo um carro! Depois reclamo que com um carro eu só faria mais poluição e trânsito e São Paulo já esta cheia disso. Reclamo de São Paulo. Reclamo das suas ruas, do seu excesso de gente, da sua incoerência. Depois reclamo por amar esse caos todo e não conseguir ir embora. Reclamo do cinismo dos meus ex namorados, do cinismo das relações e porque o amor também é feito de reclamações. Reclamo porque tenho saudades de coisas que já foram e que não vão voltar. Reclamo por me lembrar de coisas que já deveriam ter ido. Reclamo dos meus amigos que me esqueceram em suas agendas telefônicas. Depois reclamo que qualquer encontro, com qualquer amigo, me forçaria a reclamar muito mais. E isso me faria voltar para casa sentindo-me pior. Reclamo, mas acabo sempre pedindo a cerveja mais barata, pois depois de quatro garrafas, eu esqueço de reclamar. Mas reclamo no dia seguinte por acordar de ressaca e com uma vontade louca de fazer xixi em todo lugar. Reclamo porque a Coca Cola lançou uma tal de Coca Cola zero, para substituir a Coca Light , mas tem tudo o mesmo gosto. Reclamo de tudo o que tem o mesmo gosto. Reclamo porque o mundo não me basta e eu sinto uma vontade incontida de olhar para tudo, mudar tudo, mas como eu não posso, não me resta mais do que o direito de reclamar. Reclamo porque há dias atrás o alemão ganhou um milhão no big brother e eu to aqui, vendendo almoço para comprar janta. Depois reclamo porque eu não tenho coragem de botar silicone dos peitos, tingir meu cabelo de loiro e enfrentar uma maratona num zoológico humano chefiado pelo Pedro Bial. Reclamo porque não vim ao mundo portando um belo par de peitos, reclamo porque não existe maior ilusão no mundo do que creme anti celulite e reclamo porque fico de TPM. Reclamo porque não consigo terminar esse texto de tantas coisas que tenho para reclamar. E daqui a pouco vou reclamar porque perdi o tesão de escrever.&lt;br /&gt;Reclamo porque choro quando escuto o Bill Evans tocar. E reclamo porque poucos fazem música boa feito o Bill Evans.&lt;br /&gt;Reclamo porque o que corre junto do meu sangue é inquieto e às vezes eu não consigo simplesmente me conformar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-3134535699924841818?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/3134535699924841818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=3134535699924841818' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3134535699924841818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/3134535699924841818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/04/eu-vou-reclamar.html' title='Eu vou reclamar'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-175755807630713280</id><published>2007-03-25T20:21:00.000-07:00</published><updated>2007-03-25T20:34:55.903-07:00</updated><title type='text'>À deriva</title><content type='html'>Desocupada. Desempregada. Desesperada. Desatinada. Desafiada. Despenteada. E assim é que a minha vida ganha um prefixo “DES”. Talvez por obra do DEStino. Ou talvez por conta dos caminhos tortuosos que agora eu encontro e não sei me entregar.&lt;br /&gt;            Às vezes tenho medo de ser eternamente um Quixote, brigando com os mesmos moinhos de vento. Às vezes tenho medo de comprar a crueldade do mundo e vender a minha alma na esquina. Às vezes não sei o que fazer e choro.&lt;br /&gt;            Espero o tempo passar olhando um quadro de Dali. É um relógio que derrete e se chama Paciência. Paciência, a minha vida parece mais surreal do que isso. E o tempo agora não passa.&lt;br /&gt;            Eu ando vagando com os mesmos passos, me entupindo com outros projetos, na tentativa infame de me projetar também. Mas o que a vida me mostra, é que ela é obra sem rascunho. E que não importa a perfeição do esboço, a realidade sai sempre borrada. Não vale a pena viver dos sonhos. Porque meu sobrenome é projeto?&lt;br /&gt;            Corro desesperada, sem ter a certeza que saio do lugar. Mando meu currículo para o inferno. Mas nada acontece.&lt;br /&gt;            Nada acontece.&lt;br /&gt;            Desocupada. Desempregada.Desesperada.&lt;br /&gt;           Esqueço de mim e ando à deriva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-175755807630713280?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/175755807630713280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=175755807630713280' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/175755807630713280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/175755807630713280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/03/deriva.html' title='À deriva'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-2128060968903831499</id><published>2007-03-06T21:00:00.000-08:00</published><updated>2007-03-06T21:06:33.346-08:00</updated><title type='text'>Concreto</title><content type='html'>Cheguei a essa cidade afoita quando já havia me esquecido dos diversos tons de cinza que descolorem o céu. Desacostumada, logo que escuto os teus primeiros sons, chego a achar bonita a sinfonia de buzinas que anuncia o transito caótico. São Paulo me lança o seu primeiro sorriso ríspido que por ora eu não sei se encoraja ou intimida.&lt;br /&gt;Pego o primeiro ônibus lotado, onde o calor abafado provoca pesados suspiros. Estão todos ali com o saco na lua e eu sou mais uma retirante de mochilas provocando os olhares descontentes dos outros mal acomodados passageiros.&lt;br /&gt;Desço no primeiro ponto e o sinal vermelho me deixa desfilar a vontade sobre a faixa de pedestres. Ao meu lado, seguindo pelo mesmo trajeto, tropeça uma moça.&lt;br /&gt;Indignada, ela me retrata a cena que eu havia acabado de assistir: tão logo o sinal abriu, o motorista lançou-lhe o carro para que ela apressasse o passo. Enquanto ela bufa o descontentamento do seu final do dia, eu retribuo o sorriso ríspido que recebi e lhe digo “Bem vinda a São Paulo”.&lt;br /&gt;Com um genuíno sotaque nordestino ela me responde “Bem vinda ao Brasil. Porque isso não é problema de cidade grande não. É falta de educação mesmo”. Acho graça na verdade cruamente retratada naquela esquina e diante de um sorriso, seguimos até o próximo ponto. No caminho ela me conta que vem de Maceió e há um tempo tenta se acostumar ao cotidiano caótico de uma cidade tão bruta. Digo-lhe que sofro dos mesmos anseios.&lt;br /&gt;E assim que ela reconhece nas minhas palavras uma hospitalidade atípica daqui, ela segue seu caminho me desejando “boa sorte”.&lt;br /&gt;Eu aguardo no ponto mais vinte minutos o ônibus que não vem. Ali tenho a leve certeza de que tanto gás carbônico agregado aos meus pulmões um dia fará do meu coração um pedaço de concreto. Ali tenho a triste certeza de que um dia meus sonhos seguirão amontoados no trem de metrô, ou talvez sejam vendidos em um camelô na vinte e cinco de março. Ali eu me lembro daquela música do Toquinho que eu gostava quando criança e dizia que “o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”. E ali, enquanto os sonhos brincam de ser incertos em meio a tanto cinza, eu não tenho mais certeza de nada. E São Paulo sorri, em meio ao caos que me hipnotiza, lançando sobre mim a mesma prece que se lança para quem decide sonhar mais do que viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-2128060968903831499?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/2128060968903831499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=2128060968903831499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2128060968903831499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/2128060968903831499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/03/concreto.html' title='Concreto'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-4120060457964620217</id><published>2007-03-02T08:26:00.000-08:00</published><updated>2007-03-02T08:29:11.878-08:00</updated><title type='text'>Fevereiro</title><content type='html'>É assim que o dia amanhece: com o mesmo beijo de bom dia que estala no pescoço, antes mesmo dos olhos se abrirem. E a cama fica desarrumada sempre do mesmo jeito. Porque aquilo que também se chama nós, agora tem o mesmo jeito.&lt;br /&gt;Jeito que transforma a rotina. Quando nosso cotidiano é, como são as pequenas pedras de um caleidoscópio. Com um simples girar, as mesmas cores ganham outras formas. E tudo fica nosso. Do mesmo jeito.&lt;br /&gt;Às vezes eu quero fugir. Pois o amor já não comporta a instabilidade que tanto me instiga. Ainda busco a paixão nos detalhes. Mas agora os detalhes são apenas cores repetidas em formas diferentes. Assim como é fevereiro, quando as tempestades de verão já não trazem tantas novidades.&lt;br /&gt;Tenho medo da rotina que aprisiona e incomoda. A felicidade para mim é a instabilidade de uma aventura. Aventura que eu aprendi a chamar de amor.&lt;br /&gt;Mas aos poucos, presa aos telefonemas dos mesmos horários, presa ao silêncio das mãos atadas no cinema, presa aos restaurantes preferidos onde dividimos a mesma cerveja, a vida fica tão simples, que o meu prazer não é mais mergulhar. E sim dilapidar. Aos poucos. Sem compreender o que de fato é tão profundo.&lt;br /&gt;Fico cúmplice de uma alegria que desconheço e me fascina.  Porque é calma e óbvia. Assim como o céu preto que monta o cenário das chuvas. Que aplacam o calor. Ao final do dia.&lt;br /&gt;Enquanto fevereiro se repete, entre os dias de calor e de chuva, deixo o amor se repetir também. Brincando com as mesmas cores. E dando vida às formas diferentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-4120060457964620217?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/4120060457964620217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=4120060457964620217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4120060457964620217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/4120060457964620217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/03/fevereiro.html' title='Fevereiro'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-8652620637706146014</id><published>2007-02-08T18:40:00.000-08:00</published><updated>2007-02-03T08:40:14.701-08:00</updated><title type='text'>Dias assim...</title><content type='html'>Tristeza que não cabe é essa que escrevo nas linhas tortas da minha desilusão. Dor gratuita, como todas as suas ofensas são. Sempre. Será que se um dia você pisasse no meu calo, eu pularia no seu pescoço? Já não quero ter tanto poder. Pois no fim, essa força bruta apenas destrói.&lt;br /&gt; Então provavelmente eu seguiria o meu caminho, como sempre fiz. Acreditando que excesso de respeito também pode se chamar amor.&lt;br /&gt;Porque você simplesmente não vem e me vê de perto? Com os medos que eu nunca pude ter. Com a eterna incompetência que me sobra. Talvez eu fosse mais bonita se pudesse ter o meu tamanho.&lt;br /&gt;E, por de fato ser pequena, ando alheia aos meus sonhos, trocando passos com a solidão. Nesses dias onde tudo parece cinza.&lt;br /&gt; Talvez por isso correr ainda me faça tão bem. Porque a minha vontade, mais do que nunca é correr para a minha natureza, quando essa forma já não me cabe mais.&lt;br /&gt;De joelhos estou sucumbindo a tudo que me dói e que tantas vezes você adora revirar.&lt;br /&gt;De joelhos, eu te peço perdão por não ser tão forte assim.&lt;br /&gt;E deixo a tristeza me visitar.&lt;br /&gt;Hoje eu não quero ser forte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-8652620637706146014?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/8652620637706146014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=8652620637706146014' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8652620637706146014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/8652620637706146014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/02/dias-assim.html' title='Dias assim...'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116865448437919128</id><published>2007-01-12T18:12:00.000-08:00</published><updated>2007-01-18T17:26:06.026-08:00</updated><title type='text'>Janeiro</title><content type='html'>Enfim, não existe mais o desespero de falar sobre este sentimento, que me vem tão inquieto. Dá tempo de ouvir a chuva, enquanto você suspira um sono leve no meu colo. E eu sinto com mais calma o seu abraço, o seu beijo. Porque agora gosto de me divertir com os seus cheiros, tentando descobrir em qual deles, mora esse pedaço de tranqüilidade.&lt;br /&gt;Você invade a minha casa, para fazer meu mundo leve. E não posso mais do que retribuir com um sorriso. Que por ora, de tão bobo, é da menina que eu  esqueci de ser.&lt;br /&gt;De repente não existe mais o desespero de um orgasmo que anuncia o prazer instantâneo. Mas resta o olhar, que de tão profundo, deixa o corpo a arder muito mais. Enquanto a gente dança, nessa dança doida de se encontrar. E desencontrar. Conviver.&lt;br /&gt;Eu respiro a calma dos dias que se repetem, embora a minha natureza seja a inquietude de imaginar o quanto eles poderiam ser diferentes. Assim, você puxa as minhas asas para o chão, me ensinando a caminhar pela felicidade que se alcança. E não a que se sonha.&lt;br /&gt;Você, que não cabe nos meus sonhos, me faz sorrir por ser tão real. Me faz sentir, por ter pele, dor e imperfeição. Me faz viver, porque me faz aprender com aquilo que era estático feito todos os medos são. Me faz sentir frágil e vulnerável, feito esses dias de janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116865448437919128?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116865448437919128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116865448437919128' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116865448437919128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116865448437919128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/01/janeiro.html' title='Janeiro'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116812467846355578</id><published>2007-01-06T14:54:00.000-08:00</published><updated>2007-01-06T15:04:38.476-08:00</updated><title type='text'>O presente</title><content type='html'>Chacoalhei a cabeça como quem sente uma assombração passear pelos pensamentos. Tudo me remetia ao ano que acabava e a única certeza que ali me restava era: “Este ano: sem presentes”.&lt;br /&gt;O peso de ter sido tão ridícula ainda me atormentava. E por mais que eu formulasse as melhores frases de auto-ajuda, tentando demonstrar para mim mesma que eu não havia sido tão idiota, nada me tirava o ranço daquela sensação. Como pude ser tão estúpida? &lt;br /&gt;- Moço, preciso trocar este presente.&lt;br /&gt;- Bom temos pequenos aviões de outros modelos, qual você vai querer?&lt;br /&gt;- Na verdade estou querendo meu dinheiro de volta...&lt;br /&gt;- Sinto muito, mas não podemos fazer isso...&lt;br /&gt;- Por favor... (respondi com uma cara doce...)&lt;br /&gt;- Não posso... (o vendedor respondeu com uma cara mais doce ainda...).&lt;br /&gt;Foi aí que surgiu a primeira lágrima.  E com ela, milhões de outras. Queria disfarçar, mas meu descontentamento com o mundo já era tão grande que eu não sentia mais vergonha de me mostrar tão pequena. Nada mais me fazia sorrir. E a única coisa que eu fazia desde então, era subir em uma esteira, com a Janis Joplin berrando nos meus tímpanos “A woman left lonely”, na tentativa de não deixar minha própria dor me engolir. Eu era mais uma, dessas que se sentem idiotas por ter ouvido os suspiros do coração. Eu era uma mulher deixada e só, tentando devolver o presente de natal que perdera seu destinatário.&lt;br /&gt;- Olha, você não esta me entendendo. Este presente... Bom, este presente tinha um valor sentimental, mas a pessoa que ia ganhar não vai mais ganhar, entendeu?&lt;br /&gt;O vendedor me olhou com uma cara de interrogação.&lt;br /&gt;- Hum... Mas mesmo assim, moça, infelizmente não aceitamos devolução.&lt;br /&gt;Pronto, as lágrimas se transformaram em uma enxurrada.&lt;br /&gt;- Escuta... Você já levou um fora?&lt;br /&gt;- Hein?&lt;br /&gt;- Isso, moço, um fora. F-O-R-A. Pé na bunda...&lt;br /&gt;- Já...&lt;br /&gt;- Pois bem, este presente era para o cara que disse que me amava. E que eu amava também. Sei lá porque porra, uma semana depois do natal, ele apareceu para me dizer que “estava confuso e não queria nada sério agora”. E eu fiquei com esse presente sem saber o quê fazer. Se você não puder devolver meu dinheiro, tudo bem... Diz que eu doei esse avião para a loja. É melhor do que ficar com ele enfeitando o meu quarto como se fosse o troféu “estúpida do século”.&lt;br /&gt;Virei as costas e segui.  Alguns segundos depois o vendedor me chama:&lt;br /&gt;- Ow moça... Espera aí! Falei com o gerente e faremos a devolução do seu dinheiro.&lt;br /&gt;Ok. Perder um amor meia boca e resgatar duzentos paus não era tão mau negócio... Voltei até a loja e consegui arrebatar o meu precioso pedaço de salário devidamente guardado para a ocasião.&lt;br /&gt;Mas os duzentos paus que voltaram para o banco ainda sim não pagaram o meu lamento. Chorar o seu pé na bunda para um vendedor de shopping era o episódio mais deprimente que eu já vivi. &lt;br /&gt;Tempos idos, me recuperei e encontrei outro alguém, mas gato escaldado tem medo de água fria. Portanto, seguindo a voz da experiência, este ano me determinei “Sem presentes”.&lt;br /&gt;Na noite do ano novo, ele me veio com um pacote todo bonitinho com um adesivo “Para Helga”. Um livro. Adoro livros... E adorei mais ainda o fato dele narrar o motivo que se embrulhava naquele pacotinho. “Achei que você iria gostar. Já que é a advogada mais escritora que eu conheço”. Me desmanchei em um sorriso bobo, mas ainda sim, amarelo, afinal eu não havia comprado nada!&lt;br /&gt; Terça feira, de volta para São Paulo, percorri a cidade com o coração na mão. Sim, eu tinha a doce missão de lavar o passado e me desconstruir na emoção nova de encontrar um novo presente! Que bom sentir  aquela leveza na alma!&lt;br /&gt;Encontrei. E não pude deixar de explicar meu drama para a vendedora. &lt;br /&gt;“Olha, esse presente é especial... Ano passado, estava saindo com um cara... blá, blá, blá...”. Ela riu e disse, após eu assinar o cheque “Boa sorte. Tomara que agora dê certo”.&lt;br /&gt;- Bom, mas de toda forma vocês aceitam devolução, certo?&lt;br /&gt;- Sim... respondeu ela... Mas espero que não precise. Me entreolhou com um piscadela.&lt;br /&gt;Sai da loja. Acho que fui a pessoa mais realizada do mundo quando ele abriu o pacote e junto um sorriso sem jeito. “Poxa, adorei”. &lt;br /&gt;Eu estava feliz. Feliz como nunca. &lt;br /&gt;Passado não é presente. Não mesmo!&lt;br /&gt;Feliz presente novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116812467846355578?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116812467846355578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116812467846355578' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116812467846355578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116812467846355578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2007/01/o-presente.html' title='O presente'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116641215289218070</id><published>2006-12-17T19:08:00.000-08:00</published><updated>2006-12-18T07:44:29.253-08:00</updated><title type='text'>O nosso amor a gente inventa...</title><content type='html'>Ele era assim: encantador. Encantador pelo que tinha de exótico, encantador pelo que tinha de irônico, encantador pelo que tinha de antítese. Ele era uma poesia urbana recitada em meus ouvidos. Um hippie livre e cheio de asas, do tamanho exato que a minha liberdade sempre sonhou. Eu casaria com aquele homem atrás daquele baixo. E o amaria incondicionalmente até por sua esquisitice.&lt;br /&gt;E com um suspiro estupefato e sincero de quem encontra alguém sorrindo para a sua solidão mundana, eu cedi aos seus encantos e ao seu convite para um encontro.&lt;br /&gt;Me convidou para ir a uma praça, ver o sol se pôr em meio a fumaça de São Paulo. Nada poderia ser mais romântico e perfeito para aqueles primeiros dias de verão.&lt;br /&gt;No meio do caminho, comemos amoras no pé. E o calor, a brisa fresca e as conversas que se entrelaçam eram um indicativo forte de que ali acontecia um encontro de almas e não demoraria muito para que as bocas se encontrassem também. Se não fosse a boca de um cachorro que encontrasse meu calcanhar primeiro (sim, eu fui mordida por um cachorro no primeiro encontro com o meu príncipe encantado).&lt;br /&gt;Em meio ao sangue que escorria pelo meu pé, os nossos olhares ficaram desprotegidos e ele colocou sobre todas as feridas do meu coração maltrapilho, uma camiseta surrada. Ele me protegia, me queria e me transformava. E eu era um sorriso de ternura, uma menina feliz que aparecia estatelada na sua retina. Eu amava.&lt;br /&gt;A mordida de cachorro só poderia ser um presente do destino, me indicando que tudo aquilo era mágico e sincero. Como não poderia ser? Levaria cicatrizes daquele encontro no meu pé, pelo resto da minha vida! E se doía, tal qual não poderia deixar de ser, não era menos que amor de verdade.&lt;br /&gt;Nos dividimos em cerveja, em corpos que tremeram em uma noite suja, de um orgasmo que eu nunca mais esqueci. O nosso amor barato, de boteco e consumado, era tão lindo que de tanta poesia eu deitei no seu peito aliviada e adormeci.&lt;br /&gt;Acordei com o seu solo bruto de baixo, no meio da noite, entoando notas para o meu coração abobado. E eu estava tão feliz, mas tão feliz, que o mundo poderia acabar ali.&lt;br /&gt;E acabou. Quando ele nunca mais me ligou. Atropelando esse sentimento raro que eu nunca mais senti...&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Ele era assim: esquisito. Esquisito pelo que tinha de exótico. Esquisito pelo que tinha de irônico, esquisito pelo que tinha de antítese. Um cara de poesia barata escarrada nos meus ouvidos. Um hiponga metido a músico que me entortava os nervos. Eu socaria aquele cara atrás daquele baixo que só queria aparecer mais do que a banda.&lt;br /&gt;Por excesso de álcool no coração e carência em limites acima do normal, eu aceitei seu convite para passar uma tarde vendo o sol se pôr numa cidade que nunca tem sol feito São Paulo.(equivalente a um programa de índio!)&lt;br /&gt;Aceitei, e no meio do caminho, depois de estar com a mão melada de amora, um filho da puta de um cachorro mordeu meu pé. Eu deveria ter mordido o seu pé em seguida, só para demonstrar o quanto foi estapafúrdia a idéia de sair com um cara esquisito feito você.&lt;br /&gt; Não, não me lembro dos seus olhos, mas apenas em pensar como iria sair dali, direto para o hospital tomar uma anti-rábica.(eu tenho pânico de injeção)&lt;br /&gt;E quando ele me deu aquele colar brega que eu nunca usei, tentado consertar a situação, só me lembro de uma vontade insana de mandar enfiá-lo no cu. Afinal, o meu pé tava jorrando sangue e doendo horrores e não era o seu lado bom (que apareceu uma única vez) que iria mudar aquilo. A sua camiseta suada iria infectar essa ferida e para o meu azar eu me lembraria de você pelo o resto da minha vida através de uma cicatriz, ou quem sabe de uma infecção.&lt;br /&gt;Nós dividimos a cerveja e a conta (porque você era um pé rapado) e com mais álcool do que lucidez eu acabei dando para você. Eu nunca mais esqueci o cheiro de incenso barato que você ascendeu no quarto, talvez para disfarçar a sua falta de banho.&lt;br /&gt; Eu dei para você e como não poderia ser menos óbvio e covarde você sumiu. Fiquei meses tentando conservar a mocinha boazinha e desentendida que eu adoraria ser, mas ela se transformou num furacão de ira dentro de mim. Sim, aquela noite eu deveria ter ido embora sem dividir a conta. Eu deveria ter sacado que a tua sedução era proporcional ao teu desamor. Eu deveria ter me protegido no clichê de que todos os homens são iguais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu acabei esquecendo o amor que eu jamais esqueceria. Acabei esquecendo o desamor que um dia eu me vingaria. Acabei esquecendo de você...&lt;br /&gt;E sem você, eu me divido entre a vontade de assassinar o romantismo imbecil que faz da minha vida mais poesia do que realidade e a minha vontade de permanecer acreditando que não se vive a realidade se não existir ao menos um pouco de romantismo.&lt;br /&gt;O fato é, que tirando o amor que eu inventei, eu também só queria te comer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116641215289218070?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116641215289218070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116641215289218070' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116641215289218070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116641215289218070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/12/o-nosso-amor-gente-inventa.html' title='O nosso amor a gente inventa...'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116520111602914886</id><published>2006-12-03T18:56:00.000-08:00</published><updated>2006-12-03T18:58:36.043-08:00</updated><title type='text'>Dezembro</title><content type='html'>O sentimento não poderia ser mais simples e cheio. E nessa tranqüilidade eu transbordo poesia enquanto você passeia pelos meus medos.Com o seu jeito desengonçado de menino.&lt;br /&gt;O meu suspiro fresco, é porque desisti de procurar amor nos meus sonhos. E agora só desejo que o tempo pare, nessas manhãs preguiçosas de domingo, onde nossos pés se enroscam embaixo do lençol. &lt;br /&gt;Eu agradeço ao meu sorriso bobo, refletido no seu olhar verde mel. Eu agradeço aos seus cachos que enrolam nos meus dedos. E eu agradeço a toda paz que encontro no seu ombro. Meu mais novo travesseiro.&lt;br /&gt;Eu agradeço aos beijos curtos, que me causam saudades. Eu agradeço aos beijos longos que me trazem lembranças. Eu agradeço ao corpo que treme.Quando eu ainda tremo de medo de ter um dia seguinte.&lt;br /&gt;Mas venho aprendendo a sorrir, quando acordo e te encontro velando o meu sono. Venho aprendendo a sorrir, quando te vejo fazer leve, aquilo que eu já vi ser tão pesado.&lt;br /&gt;Choro. Choro de felicidade pelo tempo, que constrói e destrói o que a vida faz inevitável. E inevitável agora é não lavar a alma nessa tempestade que me inunda por dentro. Desentupindo as calhas velhas do meu coração.&lt;br /&gt;São esses dias de verão tão sinceros, de céu azul e tempestades brutas que despencam para esfriar o calor.&lt;br /&gt;São esses dias de dezembro em que te amo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116520111602914886?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116520111602914886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116520111602914886' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116520111602914886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116520111602914886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/12/dezembro.html' title='Dezembro'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116275899234731722</id><published>2006-11-05T12:35:00.000-08:00</published><updated>2006-11-05T12:36:32.370-08:00</updated><title type='text'>A minha vida é um risoto.</title><content type='html'>Quando a chave de casa terminou sua pequena volta na boca da fechadura, eu senti a boca do meu estômago reclamar num irritado suspiro de fome. Pensei imediatamente em virar as costas e encontrar um restaurante que resolvesse o meu problema. Contudo, nesse exato momento eu contava apenas com R$ 2,00 na carteira e isso não era dinheiro o suficiente para um almoço decente. Pensei então em matar a minha fome com requintes de crueldade na barraca de cachorro quente da esquina, mas lembrei que o custo benefício daquela empreitada talvez não fosse tão bom quanto parecia. Dessa vez eu teria que encarar a geladeira com coragem e fazer um almoço digno de quem ta com pouca grana e muita fome. Era a boa e velha omelete que já fritava nos miolos do meu cérebro. Mas onde estavam os ovos mesmo? Minha geladeira era um cenário de guerra depois da primeira batalha...&lt;br /&gt;Os primeiros passos por aquele campo minado de prateleiras vazias não foram muito encorajadores. Encontramos no meio do caminho alguns destroços de uma cebola estragada, uma cerveja gelada, uma coleção de fungos sobre o tomate e uma maçã velha no fundo da gaveta. Certamente fazer um almoço naquela situação não seria lá uma tarefa fácil, então apelamos para a velha e boa dispensa. Lá você sempre encontra um molho de tomate perto de vencer e um macarrãozinho esperto que costumam se transformar em um belo almoço-quebra-galho. Especialidade no meu menu.&lt;br /&gt;Contudo, nada de macarrão e nada de molho de tomate. Havia um pacote de chá de hortelã, barrinhas de cereal, um pacote de arroz e outro de feijão. E tudo isso não parecia nada motivador.&lt;br /&gt;Ok. Sem desesperos, se ainda nos restava o velho e bom freezer. E sim! Era naquela imensidão gelada que eu certamente iria encontrar algum projeto de almoço congelado pronto para ser servido. Embora a minha vontade nessa hora fosse me alimentar de luz, de ar ou de música.  Ou sei lá do quê. Eu tinha fome de quê mesmo?&lt;br /&gt;Finalmente, por trás daquela névoa gelada, encontrei um verdadeiro tesouro: um potinho de molho de queijo com frango e ervilhas, que um dia eu inventei numas dessas bruxarias que eu apronto na minha cozinha. Fechado! Com um arroz, aquilo se passaria facilmente por um estrogonofe albino e autêntico. Era o final feliz dessa história se, obviamente, neste exato momento os problemas de fato não tomassem uma real proporção.&lt;br /&gt;Nasci com uma série de defeitos, mas entre os mais graves, eu confesso: não sei fazer arroz!&lt;br /&gt;Já fiz de tudo: mais água, menos água, só frito com cebola, frito com cebola e alho, ponho sal no começo, no meio e no fim do negócio e ele não sai. Isso quando não queima! O que é uma ironia gastronômica da minha vida, afinal dizem que arroz é algo para se colocar na panela e ta pronto. Não dá para mexer muito... Deve ser por isso que erro tanto.&lt;br /&gt;Ah! Eu me rendi então. Era o final da minha tentativa de salvar um estomago com menos de três reais, e, o começo do meu humor. Já havia quase perdido a fome. Ali tudo se resumia a fé, coragem e bolacha de água e sal.&lt;br /&gt;Mas sem me entregar de vez àquela situação que beirava o auge do ridículo, deixei de exaltar tanto o meu estrogonofe albino para transformá-lo em um prato bem mais simples. Em uma panela com um pouco de óleo e tempero, fritei o arroz e juntei a minha inusitada invenção de queijo com frango e ervilhas. Uns quinze minutos de fogo baixo, e, no auge do meu desespero, brotava diante dos meus olhos um “magnífico” risoto! Que apesar de meia boca, era ao menos sincero.&lt;br /&gt;Comi com satisfação o meu tão batalhado almoço e no deleite do meu estômago saciado me veio um pensamento. De repente eu conclui que, da mesma forma, na minha vida faltam tantas coisas quanto falta na minha geladeira. E, diante de tudo aquilo que falta, fazer um estrogonofe albino pode soar grande e valente, contudo pode ser a garantia de fome. &lt;br /&gt;A minha vida é um risoto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116275899234731722?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116275899234731722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116275899234731722' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116275899234731722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116275899234731722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/11/minha-vida-um-risoto.html' title='A minha vida é um risoto.'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116189092674612728</id><published>2006-10-26T12:23:00.000-07:00</published><updated>2006-10-26T12:28:46.773-07:00</updated><title type='text'>Amor na primeira pessoa (do singular)</title><content type='html'>Há quantas o amor é a inquietude de quem vaga pelas noites, encontrando tantos beijos de cerveja? Há quantas o amor é a angústia do telefone que nunca mais tocou, da mensagem que nunca chegou, do encontro que ficou de acontecer no passado? Há quantas o amor é passado? Há quantas o amor é o desejo, que explode na mesma cama que acorda vazia? Há quantas o amor é a leveza descompromissada de um sorriso que eu só senti saudades? Há quantas o amor é livre? Por medo ou por necessidade? No fundo sempre tenho medo dos cheiros que me grudam na alma e no coração.&lt;br /&gt;Há quantas o amor é um príncipe encantado que vai salvar essa menininha desengonçada que se esforça tanto para ser uma linda mulher? Há quantas o amor é a dança frenética de passar pela vida sem ser de mais ninguém? Há quantas o amor é o suspiro que antecede o sono? Há quantas o amor é a concentração que se esvai pela janela? Há quantas o amor é o mocinho e o bandido da história? Há quantas o amor são os dias vazios que eu levo em minhas pequenas viagens de ônibus e nas seleções de um ipod? Há quantas o amor é uma aventura que eu nunca canso de acreditar? Há quantas o amor é poesia sem ritmo? Musica sem refrão? Há quantas o amor é desespero e solidão? Há quantas o amor é a intranqüilidade que eu compro com juros altos em longas prestações, só para não me ver livre nunca mais?&lt;br /&gt;Há quantas o amor é uma casa de praia que tenho medo de morar? Porque não sei se suporto os dias de chuva.&lt;br /&gt;Há quantas?&lt;br /&gt;Mas ali, no pequeno vão aconchegante do teu sono, encontrei uma felicidade tão tranqüila. Que de tão tranqüila eu já não sabia mais chamar de felicidade. &lt;br /&gt;E enquanto seus dedos embaraçavam os meus cabelos, eu embalava meu coração com a calma que há muito tempo eu já não sabia viver. Há quantas eu não sabia mais amar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116189092674612728?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116189092674612728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116189092674612728' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116189092674612728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116189092674612728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/10/amor-na-primeira-pessoa-do-singular.html' title='Amor na primeira pessoa (do singular)'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116124927329176346</id><published>2006-10-19T02:02:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T02:14:33.306-07:00</updated><title type='text'>A fórceps</title><content type='html'>Ás exatas 5:44 da manhã, do dia 19 de outubro de 2006, após 6 meses de gestação,520 horas na frente de um computador, aproximadamente 18 litros de café bebidos, 9 barras de chocolate devoradas (da Hersheys porque estava na promoção), dois kilos e meio engordados, 130 kilômetros corridos, aproximadamente um rio de suor escorrido, aproximadamente um oceano de lágrimas choradas, um assassinato imaginário de um orientador desorientado, 30 baladas a menos na minha vida, uma briga com a minha mãe, uma briga na minha república, 23 livros lidos, 40 página escritas, 39 horas de sono a menos, 57 horas perdidas na biblioteca da PUC, 1 porre para afogar as mágoas, 82 acórdãos catalogados... E eu pari uma monografia. A fórceps.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116124927329176346?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116124927329176346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116124927329176346' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116124927329176346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116124927329176346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/10/frceps.html' title='A fórceps'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-116078336202272240</id><published>2006-10-13T15:57:00.000-07:00</published><updated>2006-10-13T16:58:14.533-07:00</updated><title type='text'>Seis coisas que você deveria saber sobre uma Helga</title><content type='html'>Recebi de um grande amigo da faculdade um desafio bloguerístico, onde eu deveria listar seis coisas que as pessoas não sabem sobre mim, sob pena de um coelho me atacar (É isso mesmo Tucun?!) Pois bem, topei a empreitada e depois de alguns neurônios fritos segue o meu manual das "Seis coisas que você deveria saber sobre uma Helga". Andiamo via!&lt;br /&gt;1) A primeira coisa mais curiosa sobre a minha pessoa é que meu parto foi tão alemão, mas tão alemão, que eu praticamente nasci bebendo cerveja. E essa historia foi mais ou menos assim. Era para eu ter nascido no dia 03/11, mas como a preguiça é algo que domina o meu ser desde muito cedo, acabei colocando os olhos para fora do útero da minha mãe somente no dia 30/11. Um dia antes disso acontecer, minha mãe foi fazer compras no supermercado e ficou com um desejo insano de beber cerveja. Compras feitas, coisas guardadas, cerveja gelada e bebida, ela se deitou e foi dormir. No final da madrugada ela acorda meu pai com aquela deliciosa frase "Benhê, rompeu a bolsa". Meu pai, vira de lado e diz "Você não está acostumada a beber cerveja e deve ter feito xixi na calça". E foi assim que eu nasci.&lt;br /&gt;2) O meu personagem preferido quando criança era a bruxa Malévola da Branca de Neve. Adorava! Contudo, por uma psicologia infantil imbecil que vigorava naquela época, não era aconselhável crianças gostarem dos personagens maus dos contos de fadas. A gente podia gostar de uma loira irritante de voz estridente, mas não podia gostar de bruxa! (vai entender) Foi assim que me colocaram na terapia durante cinco anos, para eu sair de lá uma Cinderhelga. Acho que foi a maior idiotice que poderiam fazer com uma criança...&lt;br /&gt;3) A maior maldade que eu já fiz na minha vida, foi fazer meu irmão mais novo vomitar. Foi de uma crueldade indescritível. Ele não gostava de comer nada e minha mãe fazia um ervilha com ovo que tinha um cheiro horrível. Coloquei a iguaria no nariz do pequeno e ele vomitou uns três dias...&lt;br /&gt;4) Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria para fazer uma coisa só: dizer ao meu avô que eu o amava demais. Quando ele se foi, eu era muito nova para entender que a vida não era para sempre...&lt;br /&gt;5) Sou aficcionada por cheiros. Os meus gostos mais esquisitos? Cheiro de gasolina, de bronzeador e de biblioteca.&lt;br /&gt;6) Acho que poucas pessoas sabem, mas eu tenho um mundo de sardinha nas costas. Um dia eu fiquei pirando sobre a possibilidade delas se tornarem um jogo de ligue-os-pontos e revelarem algum segredo cabalistico sobre mim. Como elas ficam nas costas, ainda não consegui realizar esse desafio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é isso aí! Cumprida a lista e ufa! estou livre de um coelho assassino...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-116078336202272240?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/116078336202272240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=116078336202272240' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116078336202272240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/116078336202272240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/10/seis-coisas-que-voc-deveria-saber.html' title='Seis coisas que você deveria saber sobre uma Helga'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115985426213377248</id><published>2006-10-02T22:00:00.000-07:00</published><updated>2006-10-03T21:32:18.143-07:00</updated><title type='text'>Bandini</title><content type='html'>Eu queria te dizer tantas coisas, dessas que não se diz. Porque quando a gente sabe que precisa ir, é melhor se cobrir de orgulho e partir logo. Esquecer.&lt;br /&gt;E minha vontade de te esquecer é tanta, que eu gostaria que todos os cabeludos ficassem carecas, que todos os baixistas virassem guitarristas, que as cantinas italianas tirassem o molho carbonara do cardápio, que nos meus pés não restassem as cicatrizes do nosso encontro inusitado. &lt;br /&gt;E assim eu também desejo ardentemente que o óleo de massagem da OX pare de ser vendido na farmácia da esquina, que Marte suma do sistema solar, que o gosto da cerveja não me traga o sabor simples do teu beijo.&lt;br /&gt;Eu só queria que o livro do John Fante não estivesse na vitrine da Livraria Cultura...&lt;br /&gt;Porque tudo é tão recente e óbvio, que o meu espontâneo suspiro é de uma tristeza incontida, nos fragmentos do meu dia onde encontro você. &lt;br /&gt;E hoje. Hoje quando peguei o ônibus que passava pela Vila Mariana, tão logo vi a placa da Lins de Vasconcelos, coloquei os óculos escuros, na tentativa de esconder alguma lágrima que denunciasse a minha vontade já vencida de te esquecer.&lt;br /&gt;E por isso eu queria descer no próximo ponto, correr Lins abaixo para bater na sua porta e encontrar nos seus olhos o desamor que eu não conheci. Eu, que me apaixonei no pequeno vazio das conclusões prematuras, queria calar a poesia urbana e livre que me encantou no teu cheiro. No teu beijo elétrico e doce.&lt;br /&gt;Mas eu fui. Fui embora levando saudades do sentimento intenso e bruto que você me despertou, e, que agora eu deixava as rodas do ônibus atropelar.&lt;br /&gt;Eu fui embora levando saudades da tua ternura hippie, do seu All Star verde de cadarços coloridos, da sua solidão embrutecida num solo de baixo na madrugada, do cinismo do seu português mal escrito. &lt;br /&gt;Fui embora levando saudades do seu olhar de menino, que era apenas um vazio de ilusões para um coração de cerâmica feito o meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115985426213377248?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115985426213377248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115985426213377248' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115985426213377248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115985426213377248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/10/bandini.html' title='Bandini'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115985139112771145</id><published>2006-10-02T21:53:00.000-07:00</published><updated>2006-10-02T21:57:54.696-07:00</updated><title type='text'>Rabiscos</title><content type='html'>Ando caminhando dentro de mim, brincando com as palavras erradas, para procurar o texto certo que anda preso dentro da minha alma e não quer sair. Parece que imediatamente consigo experimentar o nada que sou agora e vivê-lo com quase a mesma certeza que aprendi a viver meus sonhos. Mas é preciso crescer. &lt;br /&gt;Eu que não quero abandonar a minha intensidade menina de rabiscar o mundo, com as minhas cores estapafúrdias que não comportam mais. Eu que não quero me tornar uma burocrata estúpida vestindo roupas sociais amarrotadas pelo ônibus lotado. Eu quero continuar sonhando na janela.&lt;br /&gt;Mas eu sou um nada e diariamente o mundo me cospe um pouco de realidade, para que eu finque meus pés no chão e entorpeça um pouco da minha alma. Mais um PROZAC, por favor?&lt;br /&gt;Eu. Eu que não sou eu, brigando pelo mundo que eu não vou mudar, vendendo as minhas ideologias num mercado negro, sem receber muito por isso.&lt;br /&gt;Mas são todos os rabiscos, que insistem em sair na calada da noite, quando depois de um dia cheio, algo dentro de mim quis falar. Com a intensidade daquilo que eu nunca calo.&lt;br /&gt;São todos rabiscos saídos, para libertar dentro de mim o texto que já está perdido. E que eu não achei as palavras certas para dizer, aquilo que grita e pulsa desordenado dentro de mim: me ensina a viver com os pés no chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115985139112771145?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115985139112771145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115985139112771145' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115985139112771145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115985139112771145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/10/rabiscos.html' title='Rabiscos'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115729814864098696</id><published>2006-09-03T08:37:00.000-07:00</published><updated>2006-09-03T08:42:28.653-07:00</updated><title type='text'>Helgolândia, 2 de setembro</title><content type='html'>ATA DE CONCLUSÕES EXTRAORDINÁRIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chico Buarque não é um homem. É um deus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( "Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia&lt;br /&gt;Quem brincava de princesa acostumou na fantasia" - Quem te viu, quem te vê)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115729814864098696?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115729814864098696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115729814864098696' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115729814864098696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115729814864098696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/09/helgolndia-2-de-setembro.html' title='Helgolândia, 2 de setembro'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115715236488498559</id><published>2006-09-01T16:00:00.000-07:00</published><updated>2006-09-02T12:19:44.603-07:00</updated><title type='text'>O dia em que eu chorei vendo a chuva</title><content type='html'>Desliguei o telefone renunciando os meus dias de ansiedade, para respirar tranqüilamente e recuperar a minha calma, o meu espaço. Olhei de volta e meu mundo que continuava ali, com os mesmos trabalhos se multiplicando sobre a mesa, já me pedia para que eu abandonasse meu coração e voltasse a viver. E voltei.&lt;br /&gt;Quando eu deixei você ir, ainda que eu não quisesse, ainda que eu resistisse, ainda que eu sonhasse, abandonei o teu sorriso para recuperar a minha paz. Essa mesma que você me tirou em um piscar de olhos, quando eu achava que tudo em mim já era tão meu, que ninguém jamais tiraria. Mas você tirou o meu sossego, tão logo o reconheci fácil no teu sono e no teu abraço. E o meu desejo, foi só do teu beijo. Tão rápido chegou, tão rápido partiu.&lt;br /&gt;E enquanto você ia, algumas lágrimas chegavam, não sei se de tristeza ou de felicidade. Ainda que meu coração sentisse a perda, eu sorria por senti-lo ainda cheio. Porque ando olhando as pessoas e seus passados com a humildade daquilo que não nos pertence. E o que me pertencia, ali, partindo na janela do trem da paixão, era apenas aquele sentimento intenso que agora eu guardava na mala, para viver outras coisas.&lt;br /&gt;Foi nesse dia em que eu me senti a pessoa mais sozinha do mundo. Nesse dia eu me senti a pessoa mais livre do mundo. Por saber que todas as pessoas que passam nas nossas vidas acabam nos transformando, deixando algumas marcas. E por compreender que ainda que essas marcas fiquem, colorindo a nossa vontade insana de respirar continuamente, as pessoas sempre vão.&lt;br /&gt;Olhei para a dor com um pouco mais de carinho, pois diante dos meus olhos era só mais um desencontro. Desses que acontecem aos montes por aí.&lt;br /&gt;Mas eu ainda sorria pelo fato dele ter sido um encontro e um momento inexplicável de arte.&lt;br /&gt;Foi o dia em que vi o amor sem poesia, para me perguntar se a gente deve compreendê-lo ou esquecê-lo, por ele nos dar e nos tirar tanta vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115715236488498559?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115715236488498559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115715236488498559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115715236488498559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115715236488498559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/09/o-dia-em-que-eu-chorei-vendo-chuva.html' title='O dia em que eu chorei vendo a chuva'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115690770575809181</id><published>2006-08-29T20:09:00.000-07:00</published><updated>2006-08-29T20:15:05.800-07:00</updated><title type='text'>It Ain't me, babe</title><content type='html'>(&lt;em&gt;Eu nunca contei pra ninguém, mas o verdadeiro príncipe da Helgolândia é o Bob Dylan)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It Ain´t me, babe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Go 'way from my window,&lt;br /&gt;Leave at your own chosen speed.&lt;br /&gt;I'm not the one you want, babe,&lt;br /&gt;I'm not the one you need.&lt;br /&gt;You say you're lookin' for someone&lt;br /&gt;Never weak but always strong,&lt;br /&gt;To protect you an' defend you&lt;br /&gt;Whether you are right or wrong,&lt;br /&gt;Someone to open each and every door,&lt;br /&gt;But it ain't me, babe,&lt;br /&gt;No, no, no, it ain't me, babe,&lt;br /&gt;It ain't me you're lookin' for, babe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Go lightly from the ledge, babe,&lt;br /&gt;Go lightly on the ground.&lt;br /&gt;I'm not the one you want, babe,&lt;br /&gt;I will only let you down.&lt;br /&gt;You say you're lookin' for someone&lt;br /&gt;Who will promise never to part,&lt;br /&gt;Someone to close his eyes for you,&lt;br /&gt;Someone to close his heart,&lt;br /&gt;Someone who will die for you an' more,&lt;br /&gt;But it ain't me, babe,&lt;br /&gt;No, no, no, it ain't me, babe,&lt;br /&gt;It ain't me you're lookin' for, babe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Go melt back into the night, babe,&lt;br /&gt;Everything inside is made of stone.&lt;br /&gt;There's nothing in here moving&lt;br /&gt;An' anyway I'm not alone.&lt;br /&gt;You say you're looking for someone&lt;br /&gt;Who'll pick you up each time you fall,&lt;br /&gt;To gather flowers constantly&lt;br /&gt;An' to come each time you call,&lt;br /&gt;A lover for your life an' nothing more,&lt;br /&gt;But it ain't me, babe,&lt;br /&gt;No, no, no, it ain't me, babe,&lt;br /&gt;It ain't me you're lookin' for, babe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115690770575809181?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115690770575809181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115690770575809181' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115690770575809181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115690770575809181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/08/it-aint-me-babe.html' title='It Ain&apos;t me, babe'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115681904447751402</id><published>2006-08-28T19:35:00.000-07:00</published><updated>2006-08-28T19:37:24.476-07:00</updated><title type='text'>Otimismo</title><content type='html'>" Mas o tempo linear é uma invenção do ocidente. O tempo não é linear, é um maravilhoso emaranhado onde, a qualquer instante podem ser escolhidos pontos, e inventadas soluções, sem começo nem fim"&lt;br /&gt;       (Lina Bo Bardi)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115681904447751402?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115681904447751402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115681904447751402' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115681904447751402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115681904447751402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/08/otimismo.html' title='Otimismo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115644981657951663</id><published>2006-08-24T11:52:00.000-07:00</published><updated>2006-08-25T15:54:38.866-07:00</updated><title type='text'>Crime e castigo</title><content type='html'>Quando o coração subiu no trem da paixão e confortavelmente se acomodou na janelinha, ele ainda não havia percebido que você já se despedia na plataforma. E mesmo solitário, o coração respirou fundo e feliz quando o trem acelerou com a velocidade que lhe era típica e cega.&lt;br /&gt; A viagem prosseguiu até a estação do êxtase, onde o trem parou no mesmo segundo em que o coração já mal conseguia respirar. E aquela sensação fugaz de felicidade que lhe parecia tão verdadeira, fez com que o coração quisesse descer logo ali, se o itinerário da paixão não prometesse muito mais.&lt;br /&gt; Prosseguiu até a estação da inquietude, onde a felicidade intensa de outrora, já lhe tirava a paz e a concentração. O coração então, decidiu ir até a próxima estação para acreditar. Pois a alegria agora ganhava contornos de cansaço, vertigem. Náusea.&lt;br /&gt;        Parou na estação do medo,mas não desceu.Temendo perder a felicidade que ainda lhe parecia real, o coração se agarrou em si mesmo lembrando incansavelmente do seu sorriso. Seguiu até a estação da angústia, onde o tempo da ilusão já andava mais lento.&lt;br /&gt;       Desceu finalmente na estação da tristeza. Ponto final do itinerário da paixão. Despediu-se cansado daquela viagem inusitada e quando colocou os pés em terra firme, sentiu-lhe de súbito o sangue escorrer pelas costas. E, com a agonia da respiração interrompida, caiu no chão sem mais agüentar. Levou três tiros os quais nunca soube quem quis lhe dar, pois a viagem não falava do risco que era se apaixonar. E foi assim o amor morreu. No ponto final do trem da paixão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115644981657951663?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115644981657951663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115644981657951663' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115644981657951663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115644981657951663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/08/crime-e-castigo.html' title='Crime e castigo'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19554576.post-115612778985217090</id><published>2006-08-20T19:33:00.000-07:00</published><updated>2006-08-20T19:36:29.883-07:00</updated><title type='text'>Inevitável</title><content type='html'>" Se eu tivesse mais alma para dar eu daria. Isso para mim é viver"&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                 (Caetano Veloso, inevitável é aprender a dor e a delícia de ser o que é)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19554576-115612778985217090?l=sobrenomeprojeto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/feeds/115612778985217090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19554576&amp;postID=115612778985217090' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115612778985217090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19554576/posts/default/115612778985217090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenomeprojeto.blogspot.com/2006/08/inevitvel.html' title='Inevitável'/><author><name>Helga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08216370312594005444</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_yWdcAI23_ic/SYeiERh-MXI/AAAAAAAAAAM/h4HjpPv7HK0/S220/Nova+imagem.BMP'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
